<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275</id><updated>2012-01-27T20:17:38.448-02:00</updated><category term='.'/><title type='text'>BUTECO DO EDU</title><subtitle type='html'>"Eu sou assim, e digo mais - convivo muito bem com as minhas idéias fixas." - "De vez em quando, alguém me chama de “flor de obsessão”. Não protesto e explico: - não faço nenhum mistério dos meus defeitos. Eu os tenho e os prezo. Sou um obsessivo. E aliás, que seria de mim, que seria de nós, se não fossem três ou quatro idéias fixas? Repito: - não há santo, herói, gênio ou pulha sem idéias fixas. Só os imbecis não as têm." - Nelson Rodrigues</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1928</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-5158304778932590025</id><published>2011-05-14T11:45:00.004-03:00</published><updated>2011-05-17T16:57:56.944-03:00</updated><title type='text'>NOVO ENDEREÇO</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;A partir de hoje o &lt;strong&gt;BUTECO DO EDU&lt;/strong&gt; está no&amp;nbsp;em novo endereço&amp;nbsp;(&lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.wordpress.com/"&gt;clique&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;!).&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-5158304778932590025?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/5158304778932590025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=5158304778932590025&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/5158304778932590025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/5158304778932590025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/05/novo-endereco.html' title='NOVO ENDEREÇO'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-1564942501473126738</id><published>2011-05-13T19:00:00.000-03:00</published><updated>2011-05-13T19:16:43.380-03:00</updated><title type='text'>ALDIR BLANC E O ECAD</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Eu não sou – ainda – profundo conhecedor do chamado Direito Autoral, embora seja advogado. Não tenho, pois, conhecimento técnico para dizer isso ou aquilo sobre a LDA (Lei dos Direitos Autorais), nem a que está em vigor nem a que está para ser submetida (ou não, vá entender o Ministério da Cultura) ao Congresso Nacional. Tampouco entendo dos meandros administrativos e legais que envolvem o ECAD, órgão que arrecada e distribui valores referentes justamente ao direito autoral. Mas eu entendo de Justiça, com maiúscula mesmo, e não por outra razão escolhi ser advogado. Nunca quis – faço questão de fazer a ressalva enfática – ao contrário de tantos e tantos colegas de faculdade, prestar concurso para ser Juiz, Defensor Público, Promotor de Justiça, Procurador do Município, do Estado, da União, nunca. Sempre quis fazer o que faço, e sou por isso um homem em permanente estado de realização profissional. Sou advogado e digo, sem medo do erro, que ninguém é mais advogado do que eu, com respeito a todos aqueles que, como eu, abraçaram e abraçam o exercício da advocacia. Optei, desde que me formei, em 1992, por não ter secretária, por não ter estagiário, por não ter ninguém trabalhando comigo. Isso, é claro, me dá limitações na mesma medida em que me dá uma liberdade da qual não abro mão. Escolho as causas que vou defender a dedo, até porque não tenho condições de fazer o que chamo de advocacia industrial, com centenas e centenas de clientes que muitas vezes, dentro dessa modalidade, não têm o atendimento que, penso, deve ser dispensado a um homem que precisa de um advogado – falta-me uma máquina para atender a demanda. Mas aqueles que me têm como procurador – e eu digo sempre que faço uma advocacia artesanal – têm em mim um soldado em estado de alerta as 24h do dia, faça chuva ou faça sol. Feito este intróito – com cara de jabá, confesso! – vamos ao que quero lhes dizer.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Defendo, ainda que me falte conhecimento para discutir a fundo a questão, uma profunda e radical revisão nos métodos de arrecadação e distribuição dos chamados direitos autorais. E por que?&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Sou amigo, há muitos anos, daquele a quem considero o maior letrista da música brasileira: Aldir Blanc. Avô de uma de minhas afilhadas, amigo fraterno de todas as horas, o Aldir é uma unanimidade, o “ourives do palavreado” na insuspeitada opinião do saudoso mestre Dorival Caymmi, e mesmo aqueles que, em acaloradas discussões de bar, defendem o nome de Paulo César Pinheiro ou de Chico Buarque no alto do pódio dos letristas brasileiros (cito os dois, sempre os mais citados), têm pelo bardo da Tijuca, da Muda mais precisamente, profundo respeito, adoração, até.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em busca de informações mais precisas sobre a portentosa obra do Aldir, recorri ao site do Instituto Cravo Albin, fonte segura de minha pesquisa, e vamos a ela.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Pois o Aldir, que em 68, começou a compor com Sílvio da Silva Júnior, cravou em 1970 seu primeiro estrondoso sucesso, “Amigo é pra essas coisas”, na voz do MPB-4 (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=HO7Dx4ziU_o" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;).&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Nesse mesmo período, foi integrante do MAU (Movimento Artístico Universitário), do qual também faziam parte César Costa Filho, Ivan Lins, Paulo Emílio, Sílvio da Silva Júnior, Gonzaguinha, entre outros.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Ainda no começo da década de 70 conheceu João Bosco, com quem formou (e forma, na minha modesta opinião) a mais genial dupla de compositores do Brasil em todos os tempos. Antes, porém, em 71, foi gravado pela primeira vez pela maior cantora do Brasil, Elis Regina, com a canção “Ela”, em parceria com César Costa Filho, no LP que ganhou o mesmo nome.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 1972, João Bosco registrou a primeira composição da dupla, "Agnus sei", que saiu num compacto encartado no jornal "O Pasquim", posteriormente gravada por Elis Regina (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=tqF_p8MY5ug" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;). No lado A do compacto, Tom Jobim interpretando "Águas de março".&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 72, Elis Regina gravou "Bala com bala", de sua parceria com João Bosco, aqui num sensacional filme feito para uma TV alemã (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=I5RzxwoUQiA" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;).&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Já em 73, no disco "Elis", a cantora gaúcha incluiu várias composições da dupla João Bosco e Aldir Blanc, como "Cabaré" (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=zhx7V-yXPVw" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;), "Comadre" (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=b7Dzikt9LB8" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;), "Agnus sei" e "Caçador de esmeralda". Nesse mesmo ano, João Bosco também gravou várias parcerias da dupla.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 74, participou da fundação da SOMBRAS, sociedade responsável pela defesa de direitos autorais. Nesse mesmo ano, Elis Regina lançou novo LP incluindo novas composições da dupla Bosco e Blanc: "O mestre-sala dos mares" (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=n6-i_XQsxCE" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; com Elis Regina e &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=hqlZ3XTfzDg" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; com Ivete Sangalo), "Dois pra lá, dois pra cá" (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=-JV1u0txHz0" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;) e "Caça à raposa" (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=5oiY0LZwjlQ" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, com o próprio João Bosco, em filmagem amadora de 2011).&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 1975, Simone incluiu "Latin lover" no LP "Gota d'água" (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ry4gObOtf_M" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, em gravação da própria, feita em 2006). João Bosco lançou, nesse mesmo ano, o LP "Caça à raposa", interpretando vários sucessos da dupla, como "De frente pro crime" (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=dPWs29rUcU0" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; ao vivo em show do MPB-4, de 2008) e "Kid Cavaquinho" (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Fel0b_bxZaI" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; com João Bosco e Dudu Nobre, ao vivo), entre outros. Ainda incluiu na trilha da novela "Gabriela" (TV Globo) outra parceria de ambos, "Doces olheiras", gravada por João Bosco. Ainda em 1975, o grupo MPB-4 gravou "De frente pro crime".&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No ano seguinte, Elizeth Cardoso interpretou de sua autoria "De partida" (com João Bosco) e o grupo MPB-4 gravou "O ronco da cuíca", também com João Bosco (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=4T32ZT8c8pk&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, interpretada pelo próprio João).&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 1977, Elis Regina gravou "Um por todos", "Jardins de infância" e "O cavaleiro e os moinhos" (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=UvDYZgpyydU" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, com Elis Regina), todas parcerias de João Bosco e Aldir Blanc. Nesse mesmo ano, compôs com João Bosco a música "Visconde de Sabugosa" para o seriado "Sítio do pica-pau amarelo" (TV Globo) (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Tguc7oAMh-A" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; com João Bosco). Ainda em 1977, Elis Regina gravou "Transversal do tempo", parceria com João Bosco (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=xbJZ8gKFc24&amp;amp;feature=fvst" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, ao vivo, logo depois de “Sinal Fechado”, de Paulinho da Viola, com Elis Regina ).&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 1978, "Transversal do tempo" foi regravada por Elis Regina e deu título ao disco da cantora, que incluiu também "O rancho da goiabada" (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ZeVmaHogac0" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; com Elis Regina). Nesse mesmo ano, Sueli Costa registrou a canção "Mãos", parceria de ambos. Elizeth Cardoso incluiu, no LP "A cantadeira do amor", a canção "Me dá a penúltima", parceria com João Bosco (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=qM09qTwmaJ4" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; em monumental registro de Aldir Blanc cantando com João Bosco).&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 1979, fundou, ao lado de Maurício Tapajós, entre outros, a SACI (Sociedade de Artistas e Compositores Independentes). Nesse mesmo ano, foi lançado o disco "Elis especial", no qual a cantora interpretou "Violeta de Belford Roxo", "Ou bola ou búlica" e "Bodas de prata" (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=3lOdcVqRXiA" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; com Elis Regina), todas de sua parceria com João Bosco. Também em 1979, Elis Regina interpretou um dos maiores sucessos, tanto do compositor quanto da cantora, "O bêbado e a equilibrista" (com João Bosco) no disco "Elis, essa mulher", que mais tarde seria consagrada como uma espécie de Hino Nacional da Anistia (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=nRrWJO75UH8" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, para o especial “Arquivo N”). Elis gravou, nesse mesmo ano, "Beguine dodói" (João Bosco, Aldir Blanc e Cláudio Tolomei) (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=6_DpowqgDeA" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; para TV argentina, legendada), "Altos e baixos" (com Sueli Costa) (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=VIDe-qvNQKQ" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; com Elis Regina) e “Bolero de Satã”, música de Guinga, em gravação inesquecível com Cauby Peixoto (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=YOioYp1TxBU" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;).&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No início da década de 1980, participou, juntamente com Maurício Tapajós, Nei Lopes, Marcus Vinicius e Paulo César Pinheiro, entre outros, da fundação da AMAR (Associação dos Músicos, Arranjadores e Regentes), entidade responsável pela arrecadação de direitos autorais. Também em 1980, Djavan incluiu no disco "Alumbramento" duas parcerias de ambos: "Aquele um" (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=aYv01-6IiZM" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; com Djavan) e "Tem boi na linha" (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=uF-cCB1zg_8" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; com Djavan), esta última também com Paulo Emílio.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 1981, Djavan registrou, no disco "Seduzir", outra parceria dos dois, "Êxtase" (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=3Rk5mTOKvVs" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;). Ainda nesse ano, participou do disco de Márcio Proença, interpretando com o músico "Fêmea de Atlântida", parceria de ambos.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Sua canção "Nação" (com João Bosco e Paulo Emílio) foi gravada em 1982 no disco de mesmo nome, enorme sucesso na voz de Clara Nunes (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=guNBycX6Xlc" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, com Clara).&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Muitos intérpretes fizeram sucesso com as composições da dupla Bosco e Blanc: Maria Alcina ("Kid Cavaquinho" em 1974, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=LNU4JtvKx-0" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;), Ângela Maria ("Miss suéter", &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=DFvIOVzG-G0" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;), Elis Regina ("O cavaleiro e os moinhos", "Dois pra lá, dois pra cá", "Gol anulado" - &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=tsEN0OtF448" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; - &lt;/strong&gt;e "Transversal do tempo"), Cláudia ("Bala com bala"), Clementina de Jesus ("Incompatibilidade de gênios", &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Da2xnqazFBY" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;), Solange Kafuri ("Trilha sonora"), entre outros.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Elis Regina também fez sucesso com composições suas com outros parceiros, como "Querelas do Brasil", com Maurício Tapajós, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=B4J1cMflAfg" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; ao vivo com Elis Regina.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 1984, o próprio Aldir lançou dois discos autorais ao lado do parceiro Maurício Tapajós: "Aldir Blanc e Maurício Tapajós" (mais tarde reeditado em CD) e "Rio, ruas e risos", ambos exclusivamente de composições da dupla.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 1988, Moacyr Luz registrou parcerias de ambos no disco "Só Moacyr Luz".&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 1999, Fafá de Belém interpretou "Coração agreste", parceria com Moacyr Luz (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=wdh0va7UAUw" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; gravada ao vivo por Fafá de Belém para seu primeiro DVD), contemplada com o Prêmio Sharp, na categoria Melhor Música. A canção foi incluída na trilha sonora da novela “Tieta”, da Rede Globo. Outra composição de sua parceria com Moacyr Luz, "Mico preto", foi tema de novela da Rede Globo, na interpretação de Gilberto Gil (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=M2nhOYrI40g" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, com o ex-Ministro da Cultura). Ainda em 1989, o grupo Fundo de Quintal registrou "Ciranda do povo", de sua parceria com Cléber Augusto, um dos integrantes do conjunto. A música deu título ao disco lançado pela gravadora RGE.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No ano seguinte, seu parceiro mais constante, Guinga, gravou o CD "Simples e absurdo", no qual as composições da dupla foram interpretadas por Leny Andrade, Chico Buarque, Claudio Nucci, Leila Pinheiro, Beth Bruno, Ivan Lins, Beth Bruno, Zé Renato e o conjunto Be Happy.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 1993, Edu Lobo gravou, no disco "Corrupião", duas músicas de autoria dos dois: "Sem pecado" e "Ave rara" (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=fVGuJTc3UJ0" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; com a Banda Sabará). Nesse mesmo ano, o grupo Batacotô gravou várias composições de sua parceria com Ivan Lins e Vítor Martins: "Quitambô", "Nega Daúde", "Tá que tá", "Camaleão", esta interpretada por Dionne Warwick e Ivan Lins, e o grande sucesso do grupo, "Confins", que se tornou tema da novela “Renascer” da Rede Globo (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=SNfLmI_XBaQ" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, com Ivan Lins). Ainda nesse ano, Fátima Guedes gravou suas canções "Vô Alfredo", "Diluvianas", "Destino Bocaiúva" e "Sete estrelas", todas com Guinga, "Restos de um naufrágio", com Moacyr Luz (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=wUaHEDdLw9A" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; com a cantora Viviane dos Guimarães).&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 1995, a canção "Ave rara" (com Edu Lobo) foi registrada no &lt;em&gt;songbook&lt;/em&gt; do parceiro na interpretação de Zélia Duncan, Cristóvão Bastos e Marco Pereira. Nesse mesmo ano, Moacyr Luz, comemorando 10 anos de parceria com Aldir Blanc, lançou o disco "Vitória da ilusão", no qual gravou várias músicas de ambos.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 1996, Leila Pinheiro lançou o CD "Catavento e girassol" (EMI Music), registrando exclusivamente canções de sua parceria com Guinga (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=8doqBtVVlI0" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, com Guinga, ao vivo). O disco atingiu rapidamente a vendagem de 100 mil cópias. O ano registrou também seu 50º aniversário de nascimento, com a gravação do disco comemorativo lançado pela gravadora Alma Produções, fundada pelo letrista e amigo Marco Aurélio. Na abertura do CD, o registro na voz de Dorival Caymmi: &lt;em&gt;"Aldir Blanc é compositor carioca. É poeta da vida, do amor, da cidade. É aquele que sabe como ninguém retratar o fato e o sonho. Traduz a malícia, a graça e a malandragem. Se sabe de ginga, sabe de samba no pé. Estamos falando do Ourives do Palavreado. Estamos falando de poesia verdadeira. Todo mundo é carioca, mas Aldir Blanc é carioca mesmo."&lt;/em&gt;. O disco contou com a participação de vários cantores, como Carol Saboya ("Carta de pedra", com Guinga); Edu Lobo ("Pianinho", parceria de ambos); Nana e Danilo Caymmi ("Siameses", com João Bosco); Rolando ("Na orelha do pandeiro", com Bororó e Lúcia Helena); Arranco de Varsóvia ("Vim sambar", com João Bosco e Cacaso); Wilson Moreira, Walter Alfaiate e Nei Lopes ("Mastruço e catuaba", com Cláudio Cartier); Emílio Santiago ("Nação", "Querelas do Brasil" e "Saudades da Guanabara", esta com Moacyr Luz e Paulo César Pinheiro); Ed Motta ("Crescente fértil", parceria de ambos); Leila Pinheiro ("Cegos de luz", com Ivan Lins), Clarisse Grova ("Reencontro", com Moacyr Luz), Cris Delano ("Sonho de válvula", com Gilson Peranzzetta), Paulinho da Viola ("50 anos", com Cristóvão Bastos) e o próprio letrista interpretando "Anel de ouro" (c/ Raphael Rabello), "Canário-da-terra" (c/ João de Aquino), "Negão nas paradas" (c/ Guinga), "Lua sobre sangue" (c/ Cláudio Jorge), "Retrato cantado" (c/ Márcio Proença) e "Pequeno circo íntimo" (c/ Ivan Lins e Paulo Emílio), esta com Ivan Lins. O disco incluir também a faixa "O bêbado e a equilibrista", com Betinho, MPB-4 e Coral da Vida, formado exclusivamente para a gravação desta música, que incluiu quase uma centena de artistas da MPB. Ainda em 1996, igualmente fazendo parte das comemorações do cinqüentenário do compositor, foi lançado o livro "Um cara bacana na 19ª", que contou com o seguinte texto de Chico Buarque: &lt;em&gt;"Aldir Blanc é uma glória das letras cariocas. Bom de se ler e de se ouvir, bom de se esbaldar de rir, bom de se Aldir."&lt;/em&gt;. O livro e o disco foram lançados em show comemorativo no Canecão (RJ). Nesse mesmo ano, foi convidado por Marcelo Vianna, neto de Pixinguinha, para letrar quatro músicas do avô, em comemoração ao centenário de nascimento do músico. Ainda em 1996, Renato Braz gravou "7x7", de sua parceria com Guinga.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No ano seguinte, Clarisse Grova lançou o CD "Novos traços" (Alma Produções), no qual interpretou 13 canções de parceria do letrista com Cristóvão Bastos, entre as quais "Enseada", "Dores Dolores", "Não tava pra peixe" e o sucesso "50 anos", além de "Cravo e ferradura", também assinada pela cantora.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 1998, Nana Caymmi fez sucesso com sua canção "Resposta ao tempo" (com Cristóvão Bastos), música-tema da minissérie "Hilda Furacão" (Rede Globo), vencedora do Prêmio Sharp daquele ano, na categoria Melhor Música (espetacular gravação de Nana &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=d4bOvtjFDPw" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;). Também em 1998, Moacir Luz gravou o CD "Mandingueiro", no qual incluiu diversas parcerias dos dois, entre as quais "Encontros cariocas", "Gotas de samba", "Chupa cabra com ketchup" e a faixa-título. Nesse mesmo ano Walter Alfaiate incluiu no CD "Olha aí!" a canção "Botafogo, chão de estrelas", parceria de Aldir com Paulinho da Viola.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 1999, Nana Caymmi voltaria a fazer sucesso com "Suave veneno", outra composição da dupla Cristóvão Bastos e Aldir Blanc, tema da novela homônima da Rede Globo (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=H_6TQjUEOiU" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;). Nesse mesmo ano, Cláudio Tovar escreveu e encenou o musical "Aldir Blanc - um cara bacana" ao lado de Lucinha Lins.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 2000, Dudu Nobre gravou a primeira parceria de ambos, "Blitz funk", no disco "Moleque Dudu", produzido por Rildo Hora. Também em 2000, compôs, juntamente com Cristóvão Bastos, a trilha sonora do musical "Tia Zulmira e nós", adaptação do jornalista João Máximo para os textos de Stanislaw Ponte Preta (pseudônimo de Sérgio Porto), com direção de Aderbal Freire Júnior. Ainda em 2000, João Bosco e Dudu Nobre interpretaram "Kid Cavaquinho" no disco "Casa de samba 4", produzido por Rildo Hora, e Kiko Furtado incluiu, no disco "Janela", a canção "Súplica de pai", parceria de ambos.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Na sexta-feira de carnaval do ano 2000, sua música "O mestre-sala dos mares" foi tema do desfile do bloco do Museu da Imagem e do Som (MIS), que homenageou a Revolta da Chibata, liderada pelo marinheiro João Cândido, cujo depoimento secreto prestado a Ricardo Cravo Albin no MIS, em 1968, acabara de ser editado em livro.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 2001 compôs com Marco Pereira, "Teatro da natureza", música-tema da trilha sonora da peça Teatro Popular Brasileiro.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No ano seguinte, Lucinha Lins regravou, no CD "Canção brasileira", a canção "Altos e baixos", parceria do letrista com Sueli Costa, a compositora homenageada no disco. Também em 2002, participou do songbook de João Bosco, disco no qual interpretaram juntos "O bêbado e a equilibrista". Em setembro desse mesmo ano, foi lançado, no Sesc da Tijuca (RJ), o livro "A poesia de Aldir Blanc" (Editora Irmãos Vitale), songbook organizado pelo crítico musical Roberto M. Moura. Apresentou-se na Lona Cultural João Bosco, ao lado de Moacyr Luz. Ainda em 2002, foi lançado o livro "Velhas histórias, memórias futuras" (Editora Uerj), de Eduardo Granja Coutinho, no qual o autor faz várias referências ao letrista. Também nesse ano, foi lançado o livro "Driblando a censura - De como o cutelo vil incidiu na cultura", de Ricardo Cravo Albin, no qual consta o relato de uma composição de sua autoria proibida pela censura e liberada pelo Conselho Superior de Censura, a música "Êxtase" (com Djavan), sendo devidamente liberada e incluída no LP "Deslumbramento", lançado pelo parceiro. O Conselho Superior de Censura tinha a função de provocar a transição de um Estado de Exceção para um Estado de Direito, atuando incisivamente, entre os anos de 1979/1989, na liberação de músicas, livros, peças, novelas, caso especial, filmes e outras obras intelectuais proibidas pelo regime militar.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 2003, Walter Alfaiate lançou o CD "Samba na medida", no qual incluiu a canção "Mastruço e catuaba", parceria do letrista com Cláudio Cartier. Nesse mesmo ano, compôs com Mú Carvalho a canção "Chocolate com pimenta", tema de abertura da novela homônima da Rede Globo (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=9GyFyI9m0jg" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;). Também em 2003, sua composição Nação" (com João Bosco e Paulo Emílio) foi registrada por Renato Braz no CD "Um ser de luz - Saudação a Clara Nunes".&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 2004, Simone mais uma vez gravou Aldir Blanc, em parceria com Ivan Lins, “Por Favor”, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=PlAjfMG5zEA" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 2005, lançou o CD "Vida noturna", cantando suas parcerias com João Bosco, Guinga, Moacyr Luz, Maurício Tapajós, Hélio Delmiro e outros.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Publicou, em 2006 o livro "Rua dos Artistas e transversais" (Editora Agir), que reúne seus livros de crônicas "Rua dos Artistas e arredores" (1978) e "Porta de tinturaria" (1981), e ainda traz outras 14 crônicas escritas para a revista "Bundas" e para o "Jornal do Brasil".&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 2007, Mariana Baltar cantou “Bala com bala”, parceria com João Bosco, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=HS1Rcq9cZ5M" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; o registro.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 2009, registro de “Linha de passe”, parceria com João Bosco e Paulo Emílio, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=E4CirlldRrg" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; com João Bosco e Yamandu Costa, ao vivo.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Publicou vários livros, entre os quais "Rua dos Artistas e Arredores" (Ed. Codecri, 1979); "Brasil passado a sujo" (Ed. Geração, 1993); "Porta de tinturaria"; "Vila Isabel - Inventário de infância" (Ed. Relume-Dumará, 1996), e "Um cara bacana na 19ª" (Ed. Record, 1996), com crônicas, contos e desenhos. Escreveu crônicas para os jornais "O Dia" (RJ) e "O Estado de S.Paulo".&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Compôs, em parceria com Carlos Lyra, a trilha sonora do espetáculo “Era no tempo do Rei”, baseado no livro homônimo de Ruy Castro, que estreou em março de 2010 no Teatro João Caetano (RJ) com direção geral de João Fonseca, direção musical de Délia Fischer e roteiro assinado por Heloisa Seixas e Julia Romeu. Constam da trilha as seguintes canções: “Abertura”, “Carnaval tropical”, “Ária do Calvoso”, “Sois Rei?”, “Bárbara onça”, “Amor e ódio”, “Amor ordinário”, “Senta, João”, “Fado de Maria a Louca”, “Carta e profecia de Espanca”, “Solilóquio do Vidigal”, “Lundú do Vidigal”, “Maxixe das criadas”, “O Rei das Ruas”, “Verso e reverso”, “A galinha e a broa”, “Soneto de Bárbara morta”, “Borboleta de asa negra” e “Rancho de encerramento”. Nesse mesmo ano, a trilha de “Era no tempo do Rei” foi lançada em CD.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Isso sem contar que você quando ouve a vinheta do futebol da TV Globo não deve saber que é de Aldir a letra. Sabia? Ouça &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=FWOJPym0-HQ" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;É também autor da letra de Popó, de Chico Pinheiro, gravada por Maria Rita e &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=P5r5BYL84Tk" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, ao vivo, cantada por Tati Parra.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;E dia desses, vejam vocês – e a cena se repete com freqüência – estava eu cantando “O Bêbado e a equilibrista”, talvez o maior sucesso da dupla Bosco &amp;amp; Blanc, e uma moça, diante de mim, moça, não mais que 20 anos de idade, não sabia de quem era a música (que ela cantara do início ao fim). Essa injustiça, esse erro, precisa acabar. Mas vamos mesmo ao que eu queria lhes dizer.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Um homem como Aldir Blanc, um criador como Aldir Blanc, um compositor de seu porte, com sua obra, um homem com mais de 10 aberturas de novela emplacadas, mais de 60 temas de personagens, pode viver, como se diz por aí, com uma lata de goiabada na mão sem o reconhecimento devido pelo fruto de seu trabalho? Como pode o ECAD – e daí a necessidade imperiosa de uma CPI e de um sério trabalho de auditoria feito pelo Estado – não remunerar de forma compatível um homem como ele?&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Pois na segunda-feira eu bebia com o ator José de Abreu na rua do Rosário quando ligou-me, justamente, o bardo tijucano. Por uma dessas coincidências, o Zé estava concedendo entrevista para a revista Época sobre o tema – direito autoral. Pus Aldir para falar com ele. E vi, durante o telefonema, aquele homem à minha frente chorando de raiva – “ira santa”, como ele mesmo disse – por saber da situação do Aldir. É a mesma ira que me move e que deveria mover o Estado brasileiro em defesa de um de seus mais brilhantes filhos.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Até.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-1564942501473126738?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/1564942501473126738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=1564942501473126738&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/1564942501473126738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/1564942501473126738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/05/aldir-blanc-e-o-ecad.html' title='ALDIR BLANC E O ECAD'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-6241621845165075652</id><published>2011-05-09T11:25:00.000-03:00</published><updated>2011-05-09T11:26:27.055-03:00</updated><title type='text'>40 ANOS NÃO SÃO 40 DIAS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sou um sujeito emocionado por natureza. Choro à toa mas esse choro que choro não é, em absoluto, desprezível ou corriqueiro por ser constante. Muito pelo contrário, é um choro capaz de me sustentar na medida em que representa uma espécie de catarse imprescindível para que eu me mantenha vivo, de pé. Dito isso,&amp;nbsp;vamos ao que quero lhes contar hoje.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiz, em 2009, 40 anos de idade. E no tal dia, 27 de abril, senti o que chamam por aí de "peso da idade". Sempre me senti uma múmia, é verdade. Um velho, um antigo, um ultrapassado. Mas o redondo da marca, os 40 anos (todos dizem "40 anos" com a boca cheia), foram&amp;nbsp;um marco. Recebi, na ocasião, na Tijuca, minha aldeia, uma penca de amigos&amp;nbsp;com quem fiz questão de comemorar a passagem dos meus 40 anos, e fui,&amp;nbsp;naquele dia, a despeito do tal "peso da idade", um homem em estado de graça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vai daí que ontem me dei conta de que estava eu&amp;nbsp;às vésperas dos 40 anos de dois grandes sujeitos, nascidos, ambos, é claro,&amp;nbsp;no longínquo 09 de maio de 1971. E aí eu&amp;nbsp;retomo o fio do primeiro parágrafo: estava eu emocionado com a perspectiva de abraçar, hoje, Fernando Goldenberg e Leonardo Boechat. Dei-me conta disso quando estávamos, justamente eu e Leo Boechat, curtindo a domingueira&amp;nbsp;no quintal do&amp;nbsp;Aconchego Carioca, jóia encravada entre a Praça da Bandeira e a Tijuca, ele de violão em punho, garrafas de Heineken sobre a mesa, e a companhia - que não tardou a chegar - do bardo tijucano, Felipe Quintans, nosso Felipinho Cereal.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-gJM7nvgnyco/TcfpUm_JeqI/AAAAAAAADnM/e8Nq2HwUJ6I/s1600/REVEILL%25C3%2593N%2B2008%2B078.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://1.bp.blogspot.com/-gJM7nvgnyco/TcfpUm_JeqI/AAAAAAAADnM/e8Nq2HwUJ6I/s320/REVEILL%25C3%2593N%2B2008%2B078.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Repito hoje, pois, a homenagem que prestei a meu irmão, o Fefê, em 2006 - leiam &lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2006/05/nove-de-maio.html"&gt;&lt;strong&gt;aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;-&amp;nbsp;ele que veio ao mundo, como o Leo, num domingo que era dia das mães, como ontem foi.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem, logo depois da domingueira no Aconchego, parti em direção à casa de mamãe para o tradicionalíssimo almoço que comemora a data. Lá cheguei já devidamente calibrado, muito de leve, e senti uma saudade agudíssima de minha avó, mãe de mamãe, pela primeira vez ausente do furdunço, ela que partiu pro Orum em dezembro do ano passado. Tratei de tratar da saudade à base de malte escocês e segurei-me o quanto pude - tive êxito! - para não chorar diante daquele homem que vi nascer, há 40 anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não tive a mesma competência quando falei com ele hoje cedo, pelo telefone, e tratei de constranger o motorista de táxi que me levava pro trabalho de tanto que funguei (fungo intensamente quando choro) assoando o nariz no lenço que tenho sempre no bolso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele, a seu modo, dá-me lições constantes que eu, incorrigível, teimo em não aprender. Mas é bonito pacas ver o desenho de sua vida, a sabedoria que ele imprime a cada gesto, a boniteza de suas posturas, e é por isso que eu encho a boca pra dizer pros outros... é meu irmão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-0RIrupN9hNw/TcfpU5AbmNI/AAAAAAAADnU/lPTtsFN9nLk/s1600/Imagem%2B016.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://4.bp.blogspot.com/-0RIrupN9hNw/TcfpU5AbmNI/AAAAAAAADnU/lPTtsFN9nLk/s320/Imagem%2B016.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Leo Boechat, que chega também aos 40, tem sido, já há tempos, meu parceiro mais constante quando dou de pousar o cotovelo nos balcões dos bares da cidade. Foi num desses balcões, no Vilarino, no centro da cidade, que há coisa de uns 2 anos ele me disse, a garrafa de Jack Daniel´s já pela metade, que eu era o padrinho, ao lado do padrinho original, de sua filhota, a Helena, que completará 3 anos em dezembro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi ele que,&amp;nbsp;num&amp;nbsp;desses sábados, ao me ver chegar com minha menina no Casual, também no Centro, depois de&amp;nbsp;atravessarmos uma tremenda turbulência juntos, desatou de chorar, desavergonhadamente, fazendo com que eu, naquele instante, reconhecesse nele um dos meus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vai daí que temos derrubado juntos garrafas e mais garrafas diante dos balcões dos pés-sujos&amp;nbsp;nos quais ancoramos e eu tenho feito dele, ainda que à sua revelia, porto-seguro para que eu siga enfrentando os revezes da vida com dignidade e ânimo constante, muito por conta das confissões que faço, transformando-o numa espécie de fiel depositário do que trago em mim. Pra quem me conhece, não é coisa pouca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ergo, por isso, comovidíssimo, o copo cheio de cerveja com espessa espuma&amp;nbsp;na intenção desses&amp;nbsp;dois grandes sujeitos, amigos meus, irmãos-de-fé, unidos pelo 09 de maio de&amp;nbsp;1971.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era o que eu queria lhes dizer.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Até.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-6241621845165075652?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/6241621845165075652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=6241621845165075652&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/6241621845165075652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/6241621845165075652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/05/40-anos-nao-sao-40-dias.html' title='40 ANOS NÃO SÃO 40 DIAS'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-gJM7nvgnyco/TcfpUm_JeqI/AAAAAAAADnM/e8Nq2HwUJ6I/s72-c/REVEILL%25C3%2593N%2B2008%2B078.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-5080214153785580853</id><published>2011-05-05T10:45:00.001-03:00</published><updated>2011-05-05T10:53:06.004-03:00</updated><title type='text'>BETH CARVALHO, 65 ANOS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu nem consigo me lembrar de quando, exatamente,&amp;nbsp;conheci a Beth pessoalmente. E faço questão de frisar o "pessoalmente" porque a Beth eu conheço (e ouço) desde muito pequeno. Meu pai, um homem de gosto restritíssimo, sempre foi absolutamente apaixonado por ela. Pra vocês terem uma idéia, papai é assim: cantor? Só Tim Maia, Dick Farney, Frank Sinatra e Lucho Gatica. Cantora? Leny Andrade, Claudete Soares e Beth Carvalho. Pois desde pequeno, bem me lembro, via o velho chegando em casa, uma ou duas vezes por ano, trazendo debaixo de braço, com um sorriso de criança no rosto, o mais recente LP da Beth Carvalho. Certa vez, em 1997, quando fiz 28 anos, armei&amp;nbsp;uma festa de arromba no apartamento de meus pais, no Alto da Boa Vista (Aldir Blanc escreveu, dias depois, hilariante crônica sobre a efeméride, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2009/10/uma-situacao-kolynos.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;) - foi a primeira e a última. Duas situações engraçadas naquele dia, fora a retratada por Aldir na crônica: eram mais ou menos 18h e tocou o telefone. Papai atendeu. Deu-se o diálogo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô? - temos, eu e papai, a voz parecidíssima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi, Edu! Estou no salão fazendo o cabelo. Me dá de novo o endereço de seus pais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É o pai dele que está falando... Quem quer falar com ele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi! Não precisa chamá-lo, não. Só quero o endereço daí... é a Beth Carvalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papai, que não sabia que ela ia (escondi de propósito para lhe fazer uma surpresa), passou-me o telefone mais branco que sorvete de creme (que quando derrete, vira sopa, como lhes contei &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2011/04/papai-tambem-e-fobico.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra: no mesmo dia da tal festa estava havendo uma comemoração na quadra da Mangueira por conta do aniversário da verde-e-rosa. Beth já havia me avisado que chegaria tarde e assim foi. Por volta das onze e meia da noite, quando Moacyr Luz (vejam vocês...) já comandava a noitada com seu violão, chegou a aniversariante de hoje com alguns amigos ritmistas, dentre eles o Bira da Mangueira, filho do Padeirinho. Papai, ao vê-la, correu pro quarto e de lá voltou com todos os LPs pra que ela os autografasse, um por um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feito o longo intróito, vamos ao que interessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, nesse 05 de maio de 2011, minha querida amiga completa 65 anos de vida muito bem vividos. Mais que isso, vividos em prol da música brasileira, do samba, do Brasil e de seu povo. Eu disse lá no começo do texto que não me lembro de quando nos conhecemos, mas lembro de quando nos apaixonamos um pelo outro (estou, hoje, ligeiramente imodesto): nos primeiros quinze minutos de papo. A nos unir, o amor pelo Brasil, pelo samba, a admiração inextingüível por personagens como Che Guevara, Fidel Castro, Darcy Ribeiro e Leonel Brizola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Beth, que no ano passado concedeu-me, e a Luiz Antonio Simas, uma senhora entrevista (leiam &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2010/08/entrevista-beth-carvalho.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;), que passou por maus bocados por conta de problemas de saúde, tem mais é que comemorar, com pompa e circunstância, seus 65 anos. Já em 2006, por ocasião de seus 60 anos, prestei-lhe homenagem através desse texto &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2006/05/beth-carvalho-60-anos.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;. Em 08 de maio daquele ano, deixou lá seu comentário meu irmão querido, Fernando Szegeri:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Faço coro, assino embaixo letra por letra, bato o copo em pé e, mão no peito,  canto em alto som em homenagem a ela e ao meu mano, em ritmo de samba:  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brava gente brasileira&lt;br /&gt;Longe vá temor servil&lt;br /&gt;Ou ficar a Pátria  livre&lt;br /&gt;Ou morrer pelo Brasil...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais não se precisa dizer, como  sempre. A não ser, para bem dos fatos, o que vai omitido pela compreensível  modéstia: que essa gigante gravou - sim, senhores! - uma bela canção de autoria  do dono deste Buteco, em parceria com Edmundo Souto."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei, pois, a modéstia de lado quando publiquei&amp;nbsp;o texto Sinfonia Sacopenapã, em janeiro do ano passado, disponibilizando a gravação, feita ao vivo, da canção de Edmundo Souto para a qual fiz a letra,&amp;nbsp;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2010/01/sinfonia-sacopenapa.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;. Uma grande alegria - mais uma! - que me foi proporcionada por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como também foi motivo de alegria ter sido a mim confiada a missão de fazer correr sua declaração de voto em Dilma Rousseff&amp;nbsp;em outubro de 2010, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2010/10/beth-carvalho-declaracao-de-voto.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Beth é isso, meus poucos mas fiéis leitores: generosa e grandiosa, glória brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo aqui minha homenagem, minhas flores em vida (sempre!), meus votos de muitos, muitos anos de vida e minha alegria exposta no balcão imaginário do buteco, que eu sou um sujeito que vibra demais no dia do aniversário dos meus mais-queridos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-0lgw84rxNIg/TcKb_OPpBeI/AAAAAAAADnI/pRN3QqfNeNs/s1600/rosas.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="246" src="http://4.bp.blogspot.com/-0lgw84rxNIg/TcKb_OPpBeI/AAAAAAAADnI/pRN3QqfNeNs/s320/rosas.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-5080214153785580853?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/5080214153785580853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=5080214153785580853&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/5080214153785580853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/5080214153785580853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/05/beth-carvalho-65-anos.html' title='BETH CARVALHO, 65 ANOS'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-0lgw84rxNIg/TcKb_OPpBeI/AAAAAAAADnI/pRN3QqfNeNs/s72-c/rosas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-5347644398787415255</id><published>2011-05-03T15:45:00.005-03:00</published><updated>2011-05-03T15:58:00.091-03:00</updated><title type='text'>MAIONESE E COMIDA DI BUTECO, PARCERIA JABALÂNDIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acabo de receber de um amigo jornalista o seguinte &lt;em&gt;release&lt;/em&gt; (pausa para o vômito) enviado a ele&amp;nbsp;pela Imagem Corporativa, &lt;em&gt;"o parceiro brasileiro da Public Relations Organization International (PROI), maior e mais tradicional rede global de agências independentes de comunicação corporativa, com atuação em 26 países das Américas, Europa e Ásia"&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se do anúncio da premiação oferecida pela maionese Hellmann´s, ingrediente que não existe em nenhum buteco que se preze, para os bares participantes do festival da Jabalândia em Campinas (entenda as regras do festival lendo isso &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2011/04/o-contrato-do-comida-di-buteco.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;). Eis o texto do e-mail (em itálico) com meus singelos comentários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Os bares participantes desta edição do Comida di Buteco terão um motivo a mais para caprichar no seu petisco este ano. Hellmann’s distribuirá cerca de R$ 100 mil em prêmios para as melhores receitas preparadas com a verdadeira maionese.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Este é o segundo ano de participação de Hellmann’s no Comida di Buteco, evento que é um sucesso e tem tudo a ver com a marca – é feito para pessoas que apreciam comida saborosa e sem complicação, como Hellmann’s”, explica a gerente de marketing da marca, Bianca Shen."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a gerente de marketing, idônea para tratar do assunto, o festival tem tudo a ver com a marca. Em apertada síntese, nada tem a ver com botequim de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Os prêmios serão distribuídos entre os bares das 15 cidades participantes do festival. Além da premiação oficial do Comida di Buteco, os dez bares com melhor classificação no evento, e que tiverem maionese na receita do petisco, receberão as quantias de R$ 3 mil, R$ 2 mil e R$ 1 mil – primeiro, segundo e terceiro lugares, respectivamente.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Este ano, dos 320 botecos de todas as cidade participantes, 65% terão a presença de maionese em suas receitas – um crescimento significativo em relação aos 48% do ano anterior. “As pessoas estão descobrindo o potencial gastronômico de Hellmann’s. Ao contrário do que muita gente pensa, o produto não talha nem perde o paladar e também não inibe o sabor da receita quando vai ao fogo. Pelo contrário, um toque de maionese pode dar um sabor a mais aos pratos ou petiscos mais variados”, completa Bianca."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega a ser patética a dica da gerente de marketing, aventurando-se a falar sobre comida. O crescimento do número de bares que se rendem ao jabá apenas prova, de forma inequívoca, que esse festival (pernicioso, perigoso, abjeto!) é a morte da verdadeira tradição da comida de botequim! Desde quando, meus poucos mas fiéis leitores, maionese Hellmann´s tem potencional gastronômico?! Vamos em frente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Na cidade de Campinas, os botecos Bar do André o Rei do Mé, Bar do Carioca e Rei do Joelho são alguns do que vão oferecer petiscos com o delicioso ingrediente, em criações como carioquinha esperto, moela de macabu e lanche do rei.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sobre o Comida di Buteco&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Com a missão de resgatar e valorizar a culinária de raiz brasilieira, o concurso gastrômico Comida di Buteco – realizado desde 2000, chega em 2011 a 15 cidades do país, simultaneamente. São 329 botecos concorrendo ao prêmio de melhor boteco da cidade. Os resultados do Comida di Buteco são tão saborosos quanto os tira-gostos concorrentes. Apenas em 2010, foram vendidos 197.900 petiscos nas 11 cidades onde foi realizado. Além disso, o concurso vem contribuindo de forma relevante para a consolidação do "boteco" como um dos mais expressivos locais de prática da sociabilidade nacional e demarcando novos roteiros urbanos através da boa culinária de raiz. É um projeto que enaltece a cultura&amp;nbsp; nacional sob a rica matriz da gastronomia."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesquem a mentira e a sordidez da coisa: se a missão do festival é &lt;em&gt;"resgatar e valorizar a culinária de raiz brasileira"&lt;/em&gt; (e o termo "de raiz" me causa engulhos) por que é que a maionese Hellmann´s entra no jogo?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Sobre Hellmann’s&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Hellmann's oferece diversos sabores de maioneses e molhos para salada, além de ketchup e mostarda. O objetivo da marca é oferecer produtos simples e descomplicados, feitos de ingredientes naturais, agregando sabor, textura diferenciada e prazer às refeições. As maioneses e molhos para salada Hellmann’s não contêm gorduras trans, são fonte natural de gorduras boas, contêm ácidos graxos essenciais que não são produzidos naturalmente pelo organismo – ômega 3 e 6 -, além de vitaminas importantes. O portfólio de Hellmann's também traz produtos light e com baixo teor de colesterol."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Agregando sabor, textura diferenciada e prazer às refeições"?&lt;/em&gt; Parei por hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-5347644398787415255?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/5347644398787415255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=5347644398787415255&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/5347644398787415255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/5347644398787415255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/05/maionese-e-comida-di-buteco-parceria.html' title='MAIONESE E COMIDA DI BUTECO, PARCERIA JABALÂNDIA'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-479125736671292498</id><published>2011-04-27T00:00:00.133-03:00</published><updated>2011-04-27T09:23:15.927-03:00</updated><title type='text'>27 DE ABRIL, O QUADRAGÉSIMO SEGUNDO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No exato instante em que este texto for publicado - zero hora do dia 27 de abril de 2011 - estarei a poucas horas de completar exatos 42 anos de vida, eis que vim ao mundo numa&amp;nbsp;tarde de domingo, exatamente às 15h32min, no hospital da Ordem Terceira da Penitência, na Tijuca - onde mais? - único lugar possível para um sujeito como eu (e onde hei de morrer, que eu não sou maluco de morrer longe daqui). Estarei, como há tantos abris, logo pela manhã, passando a vida como num rolo de filme numa tentativa insana de viver de novo cada minuto desses pouco mais de 22 milhões de minutos vividos até então. Coisa pacas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, que sinto-me mais que nunca uma múmia, velho, caquético, tenho no rosto bem mais que a marca de meus 42 anos. Tenho as marcas do sofrimento que enfrenta todo aquele que está vivo, que a vida não é de brincadeira e prega cada peça que vou lhes contar... Barba branca, dores nas costas, sístoles e diástoles assustadoras, ptose num dos olhos, por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tenho como um de meus vícios (sou um homem que cultiva os próprios&amp;nbsp;vícios dentro de uma estufa imaginária) fazer um balanço, ano após ano, pra ver como anda a maré.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu não posso reclamar, em absoluto, do que tenho hoje dentro do balaio de meus 42 anos. Tenho a meu lado, há quase 12 anos,&amp;nbsp;a mulher que me ensinou a sorrir, ainda que a roda-viva da vida nos tenha lançado um tremendo desafio no colo - mas eu sou da Tijuca, pô!, e faço diariamente, assim que chego do trabalho,&amp;nbsp;uma sessão de embaixadinhas, trazendo o desafio nos&amp;nbsp;pés,&amp;nbsp;para fazê-la sorrir diante de mim. E quando ela sorri não há sofrimento capaz de me tirar o humor.&amp;nbsp;Tenho meus pais vivos, e papai e mamãe são os verdadeiros sustentáculos desse edifício que ergui com meu nome. Digo sempre, em oração silenciosa, de mim para mim, que se eu não fui (e não sou) o filho que eles esperavam ao menos honrei (e&amp;nbsp;honro, diariamente) as maiores e mais graves lições que deles&amp;nbsp;recebi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai daí que sou - sei - um sujeito difícil. Mas muito dessa dificuldade (ou do que chamam "dificuldade") vem da minha postura absolutamente incorruptível que não me permite transigir com o que considero meia-palavra, meia-boca, traição, mentira, sordidez, canalhice, calhordice e falta de caráter. Esta, uma das razões pelas quais angario gente à minha volta com a mesma facilidade com que&amp;nbsp;angario desafetos, e um homem sem desafetos, sem inimigos, é um projeto fracassado de homem. Tenho orgulho de cada um deles, de meus amigos e de meus desafetos, que são como medalhas que trago estampadas no peito como sinal de que acerto no trilhar do caminho que desenhei pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho mais meus bisavós vivos, nem vivos estão meus avós, mas só um tolo afirmaria, com uma frieza que eu jamais conheci,&amp;nbsp;que eles não estão vivos e ao meu lado. Tenho meus irmãos, e de sangue são dois. Tenho meus irmãos, e de fé são muitos - com a graça dos deuses a quem agradeço e louvo todos os dias. Tenho uma exército de moças, queridas minhas, minhas comadres, minhas afilhadas, irmãs que ganhei durante a trilha, a me embelezar o caminho. Não tenho, de fato, do quê me queixar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma - e apenas uma - queixa, apenas (antes que meus detratores empunhem as armas, foi de propósito esse repetir do "apenas"). Sinto cada vez mais distante o moleque no colo da mãe, no curso de 1969. Eu tinha, ali, os olhos cheios de uma inocência que se esvaiu com o passar dos anos. Lembro-me de que certa vez, não lembro quando, escreveu-me o bom Szegeri, um de meus orixás vivos. Tendo visto uma foto minha, escreveu-me pra dizer que havia visto, nos meus olhos, o oco onde antes havia o brilho, a dor onde antes reluzia alegria. Não estava de todo errado, meu irmão. Talvez eu sofra demais por tentar manter aceso esse brilho, por tentar suprir a ausência de um filho, por tentar dizer sim, todos os dias, quando a vida me acena com não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu sou tijucano, pombas!, e aprendi nas ruas, no asfalto da vila na qual fui criado, a dobrar o tempo e a viver de arremessos capazes de me fazer ganhar o axé necessário pra seguir de cabeça erguida, queixo (que eu não tenho) pra frente e de braços abertos. Aos que vira-e-mexe me dizem &lt;em&gt;"pare de comprar briga, Edu!"&lt;/em&gt;, respondo sem medo do erro que é disso, também, que me alimento. Se eu preciso de paz, faço a guerra pra que tenha melhor sabor a paz quando chegar. Se eu preciso de luz, armo o breu absoluto pra que uma nesga de claridade me sirva como guia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É esse movimento que mantém vivo. Há 42 anos. Escolhi, por ser feliz assim, viver na encruzilhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-AgM27hcBARU/TbcJHxpnB5I/AAAAAAAADmw/3E4vmw8WScw/s1600/mam%25C3%25A3e+e+eu+1969.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://1.bp.blogspot.com/-AgM27hcBARU/TbcJHxpnB5I/AAAAAAAADmw/3E4vmw8WScw/s320/mam%25C3%25A3e+e+eu+1969.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Até.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-479125736671292498?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/479125736671292498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=479125736671292498&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/479125736671292498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/479125736671292498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/04/27-de-abril-o-quadragesimo-segundo.html' title='27 DE ABRIL, O QUADRAGÉSIMO SEGUNDO'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-AgM27hcBARU/TbcJHxpnB5I/AAAAAAAADmw/3E4vmw8WScw/s72-c/mam%25C3%25A3e+e+eu+1969.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-4958883948902553226</id><published>2011-04-25T13:20:00.011-03:00</published><updated>2012-01-18T02:20:02.083-02:00</updated><title type='text'>O CONTRATO DO COMIDA DI BUTECO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ESTE TEXTO AGORA PODE SER LIDO &lt;b&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.wordpress.com/2011/04/25/o-contrato-do-comida-di-buteco/"&gt;AQUI&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-4958883948902553226?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/4958883948902553226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=4958883948902553226&amp;isPopup=true' title='29 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/4958883948902553226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/4958883948902553226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/04/o-contrato-do-comida-di-buteco.html' title='O CONTRATO DO COMIDA DI BUTECO'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>29</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-7567781337099262481</id><published>2011-04-19T11:25:00.001-03:00</published><updated>2011-04-19T11:56:32.275-03:00</updated><title type='text'>PAPAI TAMBÉM É FÓBICO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem lhes contei &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2011/04/boechat-um-fobico.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; sobre uma das fobias de meu compadre e dileto amigo, Leonardo Boechat.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, já que o assunto - fobia - ficou me rondando durante a noite, volto ao tema. Meu pai, um homem que carrega nos bolsos uma quantidade impressionante de frases feitas, como já tantas vezes lhes contei por aqui, tem lá, também,&amp;nbsp;suas reações pânicas (quem não as tem?). Hoje - sonhei com sorvete - quero lhes relatar o que se passa quando mamãe serve sorvete de sobremesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos ao cenário. Podem estar à mesa apenas nós, os 3 filhos, as noras, papai e mamãe; pode estar também a Rainha da Prússia, num dos tantos jantares de cerimônia que mamãe promove. Pode ser uma noite de festa, dezenas de convidados espalhados pelos sofás da ampla sala, apenas a comida à mesa. O que ocorre - aguardem! - é sempre a mesmíssima coisa. A fim de simplicar o teatro (não-ficção, que fique claro), estamos apenas nós, a pequena família, à mesa. É um jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mamãe servirá o vinho e disporá os pratos no grande centro da mesa quadrada, sobre uma portentosa bandeja giratória. Brindamos, comemos, até que em dado momento eu pergunto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que tem de sobremesa, mãe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando ela diz "sorvete", dá-se a bulha. Há toda uma festa de farfalhar dos guardanapos, pés que sapateiam por baixo da mesa de mármore, talheres fazendo os pratos de xilofone, uma tensão já de todos conhecida. Papai bufa sempre que mamãe anuncia, piscando para os três filhos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sorvete!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse momento em diante - quero crer que por conta da ansiedade pela graça de sempre - todos à mesa aceleram seus movimentos. Jantar terminado, ajudamos todos a retirar os pratos, os talheres, trazemos os pratos de sobremesa, os talheres, mas justo quando a sobremesa é sorvete é papai quem sai atropelado em direção à geladeira no exato instante em que está tudo pronto para servi-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele mesmo abre o pote e começa a ladainha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gente, rápido! Caso contrário, o sorvete vai virar sopa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí, como somos (como todas as famílias) olimpicamente implicantes, a coisa demora. Mamãe serve-se primeiro. Papai arranca a colher de sua mão e a entrega para mim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rápido, Eduardo! Vai virar sopa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E dá-se o mesmo com cada um de nós...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato vai, o sorvete, derretendo. E papai derrete junto, geme, diz coisas ininiteligíveis entre dentes que rangem até que, desoladíssimo, como se fora viúva saudosa de um general de pijamas, recolhe o pote, levanta-se e toma a direção da cozinha bufando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sopa! Virou sopa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve, certa feita, um jantar de cerimônia. Mamãe trabalhava numa empresa de cosméticos, americana, e ocupava alto cargo. Parênteses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mamãe pode receber a Rainha da Prússia, rajás, ditadores, astros de Hollywood, não importa: papai estará descalço, o tempo todo descalço, exibindo os pés que lhe renderam, na infância, o apelido de Abominável Homem das Neves. Fecho e continuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente da tal empresa e sua mulher (diretora não lembro do quê) eram os convidados, os homenageados da noite. Eram - o quê?! - 30, 40 convidados. Mamãe contratou serviçais, alugou castiçais de prata russa, louças inglesas, talheres impressionantes, contratou uma banqueteira de mão cheia, e havia faisões, cascatas de camarões (fazem um sucesso na Tijuca que eu vou lhes contar...), melões cortados imitando aves e o diabo. Para agradar o casal homenageado, mamãe mandou preparar o quê?! Sorvetes. E tinha sorvete de creme, sorvete de caqui, de tangerina, de limão, de todas as frutas tropicais (mamãe achou chique oferecer comida típica). Terminado o jantar, recolhida a louça pelos empregados, vieram à mesa, em suportes também de prata, os sorvetes. Mamãe visivelmente tensa (eu e meus irmãos acompanhávamos tudo pela fresta da porta do corredor). E quando o presidente (não lembro seu nome nem à fórceps) solicitou à mocinha de uniforme um dos sorvetes (penso que era o de caqui), papai parecia em transe do outro lado da mesa. Fazia gestos em direção à menina - que não entendia nada - e dizia, sem emitir um som,&amp;nbsp;em busca da compreensão da leitura labial:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rá-pi-do! Vai vi-rar so-pa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-7567781337099262481?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/7567781337099262481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=7567781337099262481&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/7567781337099262481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/7567781337099262481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/04/papai-tambem-e-fobico.html' title='PAPAI TAMBÉM É FÓBICO'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-8644513854367913800</id><published>2011-04-19T08:30:00.001-03:00</published><updated>2011-04-19T12:52:14.842-03:00</updated><title type='text'>ISSO É COMIDA DI BUTECO?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recebi, ontem à noite, e-mail de uma de minhas poucas mas fiéis leitoras - de Belo Horizonte. Trata-se de uma moça que, à minha moda, revolta-se com a invasão de sua cidade por parte da horda de consumidores e seguidores da moda imposta pela mídia brasileira por conta do nefasto, nocivo e pernicioso festival Comida di Buteco, o festival da Jabalândia (leiam &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2011/04/vai-comecar-o-festival-jabalandia.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, que já havia inaugurado a série através da qual pretendo exibir as criações grotescas dos bares e botequins que se rendem às garras do festival &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2011/04/isso-e-comida-di-buteco.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, volto à carga hoje pondo no balcão virtual o prato concorrente no festival em Belo Horizonte, nascedouro do troço, do Bar da Cida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, que não conheço o Bar da Cida e tampouco a própria Cida, falarei muito à vontade sobre o Floramar, que eles, organizadores, chamam de tira-gosto. O Floramar é, a foto é clara, uma gororoba de tremendo mau gosto que mais se assemelha a um &lt;em&gt;outdoor&lt;/em&gt; disfarçado de tira-gosto.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-nB9NP2pvPts/Ta1yVhihUmI/AAAAAAAADmA/hvXVBaq2cPs/s1600/image007.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="143" src="http://2.bp.blogspot.com/-nB9NP2pvPts/Ta1yVhihUmI/AAAAAAAADmA/hvXVBaq2cPs/s320/image007.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Trata-se de &lt;em&gt;"carne de sereno, mandioca, cebola, alho, suco de siriguela, cogumelo fatiado, maionese, amido de milho, vinho, azeite, couve-flor, pimenta biquinho e cheiro verde"&lt;/em&gt;. Perderam o fôlego ou vomitaram lendo os ingredientes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A foto - ah, a Jabalândia... - exibe a marca Hellmann´s (a maionese é uma das patrocinadoras da coisa) e a cerveja Bohemia,&amp;nbsp;há muitos anos intragável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como os meus botequins de fé servem pratos que se resumem a uma palavra, duas no máximo&amp;nbsp;(torresmo, pele, ovo colorido, carne-seca, lingüiça, por aí...), acho inacreditável a imposição do festival. Daí temos, além desse horror exposto hoje&lt;em&gt;, "farofa de feijão andu com bacon puxado na manteiga de garrafa"&lt;/em&gt; (puxado?),&lt;em&gt;&amp;nbsp;"ossobuco desmanchado e carne de sol perfumados com limão siciliano em cama de angu e nacos de requeijão de raspa"&lt;/em&gt; (desmanchado?, perfumados?, cama?, nacos?),&lt;em&gt;&amp;nbsp;"lombo assado na maionese"&lt;/em&gt; (na maionese?),&lt;em&gt;&amp;nbsp;"surubim em cubos"&lt;/em&gt; (em cubos?)&amp;nbsp;e um bolinho de carne-de-sol&lt;em&gt; "finalizado com maionese"&lt;/em&gt; (finalizado com maionese?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se no Bar do&amp;nbsp;Marreco, no Almara, no Bar do Chico, no Pink, no Columbinha, em qualquer outro do mesmo nível (todos portentosos butecos tijucanos), eu sonhar em pedir um desses troços&amp;nbsp;no balcão, serei olhado com uma desconfiança irreversível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diante disso, resta-me dizer: fujam dos bares  que participarão do festival, evitem esbarrar com os histéricos e com as  histéricas no interior dos bares, onde eles terão chegado em vans alugadas para  fazer o roteiro proposto pelos organizadores, não sejam idiotas a ponto de  ficarem por aí conjugando o verbo proposto pelo festival - &lt;em&gt;"Eu boteco, tu  botecas, nós Comida di Buteco"&lt;/em&gt; -, não permitam que esse evento conspurque  sua cidade e seu botequim preferido. Eu, ao menos, tenho imenso orgulho de dizer  (e sou grato por isso) que os meus butecos de fé não participam dessa  roleta-russa que visa, precipuamente, o lucro de quem, em pele de cordeiro, faz  o papel do lobo devastador do sistema capitalista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até.&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-8644513854367913800?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/8644513854367913800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=8644513854367913800&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/8644513854367913800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/8644513854367913800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/04/isso-e-comida-di-buteco_19.html' title='ISSO É COMIDA DI BUTECO?'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-nB9NP2pvPts/Ta1yVhihUmI/AAAAAAAADmA/hvXVBaq2cPs/s72-c/image007.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-142175668549648339</id><published>2011-04-18T11:50:00.004-03:00</published><updated>2011-04-19T09:24:57.450-03:00</updated><title type='text'>BOECHAT, UM FÓBICO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu não sei se já lhes contei isso (acho que já). Se já contei, conto de novo. Se ainda não contei, segue a nota inédita: uma das mais estranhas confissões que já recebi me foi feita por meu compadre, meu dileto amigo, Leonardo Boechat. Sei lá onde estávamos e muito menos sei qual o assunto que estava em pauta.&amp;nbsp;Só sei que&amp;nbsp;num determinado momento ele&amp;nbsp;pôs o copo de cerveja na mesa (estávamos no Almara, fabuloso pé-sujo na Tijuca,&amp;nbsp;lembrei), enxugou a testa com o antebraço e disse, soturníssimo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Preciso te contar uma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando alguém me diz "preciso te contar uma coisa" dá-se em mim um frio na barriga, desses que os atores sentem na noite da estréia. A frase, em si, é uma janela aberta para o infinito, como dizia meu mestre, Nelson Rodrigues. Pois fui, imeditamente, solidário na máscara triste e severa que meu amigo encarnava:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sou todo ouvidos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seus lábios começaram a tremer num balé muscular descompassado&amp;nbsp;que foi dando contornos de dramaticidade à cena. Ele deu um gole demorado, tornou a encher o copo, pediu outra garrafa ao Paulo, pôs uma das mãos em meu ombro e disse, olhando para o chão:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu nunca fui a um velório. Nunca fui a um enterro. Nem de parente! Nem de parente! - e foi quase chorando que ele gemeu a confissão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiquei sem entender o porquê daquela revelação. Fui, entretanto, e mais uma vez, solidário:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Entendo... - mas menti, faço agora a confissão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois dito isso, vamos ao que quero lhes contar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estava eu em casa, ontem à tarde, quando bateu-me o telefone, justamente, o Leonardo Boechat. Havíamos estado juntos, pela manhã, no Bar do Chico, na Tijuca, na domingueira matinal. Disse-me ele:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Topas ir na casa da minha mãe agorinha mesmo? Quero que você conheça meu tio Plácido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não podia dizer não. O&amp;nbsp;Boechat tem, pelo tio Plácido, uma fascinação de fã, uma adoração, uma afeição imensa, e eu, que já conhecia incontáveis histórias envolvendo seu tio, não perderia a oportunidade (Plácido não mora no Rio):&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Topo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fui buscá-lo. Boechat estava numa festa de criança, na rua Alice, em Laranjeiras. Saí da Haddock Lobo, dobrei na Matoso, peguei a Barão de Itapagipe, a rua do Bispo, cruzei a Paulo de Frontin, ganhei a rua Estrela, dobrei à direita na Barão de Petrópolis, atravessei o túnel e lá estava eu na rua Alice, deslizando na descida quando avistei o bom Leo. Assim que ele sentou-se no banco do carona, disse eu:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Estou sentindo uma coisa estranha... - e eu não mentia, por óbvio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Percebi os olhos boechatianos voltando-se para mim. Eu prossegui:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Estou com o braço esquerdo, na altura do ombro, formigando. Sinto como se os músculos estivessem sendo repuxados para cima. E o formigamento avança, chega nos dedos da mão...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele disse, com o mesmo gesto de enxugar a testa (Leo é calvíssimo):&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você está infartando! Casa de Saúde São José, imediatamente!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu, que tenho pânico de médico (só vou ao meu homeopata em caso extremo de sintomas muito evidentes), disse:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Nenhuma chance. Vamos direto pra sua mãe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele ainda tentou, durante o trajeto até o Humaitá, me convencer do contrário. Em vão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas eis o que ocorreu: permaneci na casa de sua mãe - que é médica, diga-se - por umas duas horas (e valeu cada minuto, o Plácido é, de fato, um grande praça, sua mãe também). E durante 120 minutos o Leo parecia o que minha avó chamava de barata-tonta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Como tá o braço?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Piorando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E ele suava, sapateava sobre os tacos da sala em sinal de nervosismo e desespero.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quer que eu peça pra minha mãe tirar sua pressão?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não vai adiantar nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até que eu disse:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Leo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele atropelou o vaso de antúrios que nos separava:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fala! Fala!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Já pensou?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele ganindo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O quê?! O quê?!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Se eu morrer aqui...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele ajoelhou-se. Juntou as mãos em prece pagã:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não! Aqui não...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Continuei:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- ... muito justo que a parentalha saia com nojo do cadáver... Você terá de ficar me velando, fazendo quarto, até chegar a ambulância...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele, dirigindo-se aos parentes na cozinha:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Gente, o Edu tá indo, ele tem hora!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E ele foi, efetivamente, me varrendo com as duas mãos, os olhos aterrados, empurrou-me pra dentro do elevador, fez questão de apertar o botão pra que eu descesse, ficou na janela pra se certificar de que eu partira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vejam vocês, fiquei com dó do meu bom amigo. A simples possibilidade, ainda que remota (eu não morreria fora da Tijuca) de velar alguém, de tomar conta de um defunto por algumas horas,&amp;nbsp;trucidou o final de tarde do Boechat.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era o que eu queria lhes contar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-142175668549648339?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/142175668549648339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=142175668549648339&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/142175668549648339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/142175668549648339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/04/boechat-um-fobico.html' title='BOECHAT, UM FÓBICO'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-9013890286341734955</id><published>2011-04-16T09:00:00.001-03:00</published><updated>2011-04-16T09:15:33.518-03:00</updated><title type='text'>ISSO É COMIDA DI BUTECO?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem iniciei mais uma cruzada contra esse engodo que atende pelo nome Comida di Buteco - leiam &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2011/04/vai-comecar-o-festival-jabalandia.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;. Pois volto à carga hoje - e será assim durante os 30 dias de duração do troço - para exibir uma ignomínia sem tamanho, exaltada, é claro, pelo Festival da Jabalândia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos participantes do circo, aqui no Rio de Janeiro (e outras 14 cidades estão sendo, ao mesmo tempo, conspurcadas pelo negócio), é o Bar 20, em Ipanema, na zona sul. No &lt;em&gt;site&lt;/em&gt; do Comida di Buteco lê-se que o tal bar concorre com um petisco (tenho nojo desse nome) chamado "20 Salpicá", e o nível da piada que cerca&amp;nbsp;o nome da horrenda criação é um bom indicativo da qualidade de coisa ("vim te salpicar"). O que diz o &lt;em&gt;site&lt;/em&gt; (vejam &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.comidadibuteco.com.br/boteco/137" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;) sobre o concorrente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que trata-se de um &lt;em&gt;"salpicão de&amp;nbsp;feijão com palha de carne-seca e vários ingredientes"&lt;/em&gt;. Que tal? A foto está abaixo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-YHeW4X-Qp2w/TamClH9T1II/AAAAAAAADls/hB8aoDpPlSo/s1600/20+salpic%25C3%25A1+bar+vinte.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-YHeW4X-Qp2w/TamClH9T1II/AAAAAAAADls/hB8aoDpPlSo/s320/20+salpic%25C3%25A1+bar+vinte.bmp" width="209" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É justo na desonesta informação - "vários ingredientes" - que se esconde o tesouro do Reino da Jabalândia. Como a maionese Hellmann´s patrocina o evento no Rio de Janeiro (e como se sabe um bom buteco não pode dispensar a maionese nos pratos que oferece, não é mesmo?), lá está ela. Esse troço é, na verdade, um patê de feijão com maionese Hellmann´s.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;site&lt;/em&gt; de notícias R7 (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/noticias/concurso-vai-escolher-a-melhor-comida-de-buteco-do-rio-de-janeiro-20110415.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;) revela o que os organizadores escondem. Lê-se lá:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"A escolha dos ingredientes foi feita pelo gastrônomo e realizador do concurso, Eduardo Maya.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- O objetivo do concurso Comida di Buteco é resgatar a  culinária de raiz do Brasil. Por isso busquei em nossos ancestrais colonizadores portugueses e índios os ingredientes que hoje conhecemos bastante na composição da feijoada."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, a &lt;em&gt;"culinária de raiz do Brasil"&lt;/em&gt; (a expressão também me causa engulhos) usa maionese e eu não sabia! &lt;em&gt;"Nossos ancestrais colonizadores portugueses e índios"&lt;/em&gt; usavam maionese e eu não sabia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No R7 a descrição é mais fiel e, portanto, nos dá a exata dimensão do horror que o Bar 20 oferece: &lt;em&gt;"salpicão feito com feijão, milho, pimenta, cenoura, tomates secos, pimentões sortidos e maionese aromatizada com suco de laranja. É servido com palha de carne seca e torradas"&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso eu repito: fujam dos bares que participarão do festival, evitem esbarrar com os histéricos  e com as histéricas no interior dos bares, onde eles terão chegado em vans  alugadas para fazer o roteiro proposto pelos organizadores, não sejam idiotas a  ponto de ficarem por aí conjugando o verbo proposto pelo festival - &lt;em&gt;"Eu  boteco, tu botecas, nós Comida di Buteco"&lt;/em&gt; -, não permitam que esse evento  conspurque sua cidade e seu botequim preferido. Eu, ao menos, tenho imenso  orgulho de dizer (e sou grato por isso) que os meus butecos de fé não participam  dessa roleta-russa que visa, precipuamente, o lucro de quem, em pele de  cordeiro, faz o papel do lobo devastador do sistema capitalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-9013890286341734955?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/9013890286341734955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=9013890286341734955&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/9013890286341734955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/9013890286341734955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/04/isso-e-comida-di-buteco.html' title='ISSO É COMIDA DI BUTECO?'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-YHeW4X-Qp2w/TamClH9T1II/AAAAAAAADls/hB8aoDpPlSo/s72-c/20+salpic%25C3%25A1+bar+vinte.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-3758681740604383532</id><published>2011-04-15T11:00:00.003-03:00</published><updated>2011-04-15T13:11:10.361-03:00</updated><title type='text'>VAI COMEÇAR O FESTIVAL JABALÂNDIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A expressão "jabalândia" foi criada por meu chapa, Julio Bernardo, que mantém um &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt;, bastante polêmico, sobre gastronomia - &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.botecodojb.blogspot.com/" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;. E eu a uso sempre que me refiro ao festival Comida di Buteco, para o qual enviei carta aberta em maio de 2010 (leiam &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2010/05/carta-aberta-aos-organizadores-do.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;), jamais respondida, diga-se, muito embora uma das sócias do empreendimento, Maria Eulália﻿ Araújo, tenha me batido o telefone, no ano passado, como já lhes contei:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;"Foi simpática e incisiva durante o telefonema. Disse-me, entre outras  coisas, que eu havia sido injusto quando escrevi o que escrevi ontem, &lt;/em&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2010/05/comida-di-buteco-2010-vai-comecar.html" target="_blank"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;aqui&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;;  que eu, como jornalista (foi o que ela disse, depois corrigi o  equívoco), deveria apurar tudo sobre o festival para depois escrever  sobre ele; que é uma luta colocar o "festival na rua"; que as  críticas que fiz, noutras oportunidades, deveriam ser relevadas, eis que  as indicações dos bares participantes das últimas edições, aqui no Rio,  haviam sido feitas por "especialistas no assunto", como Guilherme Studart e Moacyr Luz (por isso lembrei-me do tal projeto, citado no início); que minha  crítica à inclusão de bares com redes de franquia ou com filiais não era  de todo correta, pois no ano passado apenas duas casas (Academia da Cachaça e Siri)  se enquadravam nessa condição. E convidou-me para uma conversa na  semana que vem; e, por fim (houve mais, mas estou aqui fazendo apertada  síntese), que eu desonrava minha participação no júri do ano passado  esculhambando o festival."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom, vamos aos fatos e ao que quero lhes contar hoje.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Justiça seja feita (sou, além de preciso do início ao fim, justíssimo): os organizadores do festival (que tem entre seus&amp;nbsp;patrocininadores a maionese Hellmann´s, a Nestlé e o biscoito Doritos que, como se sabe,&amp;nbsp;são ingredientes fundamentais a qualquer comida de botequim..., além das cervejas Bohemia, Itaipava e Kaiser, a TV Globo e a Band, O Boticário e a cachaça Ypióca) não inscreveram nenhum bar com filial (uma crítica minha ferrenha, desde a primeira edição), ao menos no Rio de Janeiro. Não sei quanto às outras cidades (são 15 cidades participando do troço) - se você que me lê puder me ajudar quanto a isso, agradeço.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O festival começa hoje, 15 de abril, e vai até o dia 15 de maio, o que significa dizer que no dia de meu aniversário, 27 de abril, como se já não bastasse dividir a data com o inacreditável Dia Municipal do Teatro de Bonecos, iniciativa do vereador Eliomar Coelho (como lhes contei &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2009/07/27-de-abril.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;), a cidade estará, ainda, conspurcada por esse pernicioso festival.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se você me considera um radical, um incapaz de tecer qualquer crítica sem o coração à frente, leia - recomendo com entusiasmo! - o que escreveu, sobre o Comida di Buteco, Luiz Antonio Simas, Historiador maiúsculo, professor as 24h do dia, um de meus mestres, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://hisbrasileiras.blogspot.com/2010/05/comida-di-buteco-o-evento.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;. Fala, Simas:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;"O que esse Comida di Buteco  propõe, infelizmente, se inscreve numa inversão perigosa: é um exemplo  bem acabado - e assustadoramente corriqueiro - de submissão da cultura à  economia. Explico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia do festival me parece  ser a de transformar o que seria cultura de botequim em um bom negócio  para todos. Tento acreditar, sinceramente, nas boas intenções do babado e é possível que os envolvidos no evento achem de fato que estão  valorizando o boteco. Sinto dizer que não estão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que ao invés de entender a economia como parte constitutiva da cultura - esse poderoso campo que engloba nossos atos e nos define como homens humanos - essa  perspectiva inverte tudo e transforma a cultura em parte constitutiva  da economia - esse campo que, quando determinante, nos define como meros  consumidores, desumanizados por conseguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insisto: a economia é que  deveria ser encarada como um dos aspectos da cultura. O  festival transforma a cultura em um mero elemento submetido aos  ditames do mercado. Quando isso acontece, o que era cultura perde toda a  carga de representações de modos de viver dos homens e se transforma,  esvaziada de sua dimensão vital, em simples evento ou entretenimento,  como queiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Comida di Buteco é  isso: um evento, desprovido de qualquer outro valor que não seja o de  movimentar a economia da cidade, divulgar os patrocinadores, difundir a  imagem dos participantes e aumentar o faturamento dos restaurantes  envolvidos - objetivos legítimos, diga-se de passagem, ainda que não me  comovam e que eu lhes faça sérias restrições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema - gravíssimo! - é que a cultura, quando transformada e  empobrecida em mero evento, morre. O festival, sob o pretexto de  valorizar o botequim, joga contra exatamente o que diz querer valorizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando digo que a cidade tem  alma, uso evidentemente uma metáfora para demonstrar que a cidade tem  cultura. O botequim é, pois, um dos elementos constitutivos da cultura  carioca. Certa feita escrevi o seguinte sobre o tema:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O buteco é a casa do mal gosto, do disforme, do arroto, da barriga indecente, da grosseria, do afeto, da gentileza, da proximidade, do debate, da exposição das fraquezas, da dor de corno, da festa do novo amor, da comemoração do gol, do exercício, enfim, de uma forma de cidadania muito peculiar. É a  República de fato dos homens comuns...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o nosso jeito, a nossa  maneira, de recriar o mundo, inventar a vida, beber o passado, digerir o  presente e projetar futuros. Nos definimos, dessa forma, como membros  do nosso grupo e criadores de cultura - humanizados, portanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Comida di Buteco cumpre muito bem o objetivo de agitar a cidade, movimentar a economia, colocar as pessoas na rua e o escambau. Não consigo, porém, deixar de  ouvir uma voz, vinda sabem os deuses de onde [será o rugir do rótulo da  maionese patrocinadora da coisa ?] , que parece inverter as lições  do velho vagabundo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sois homens! Consumidores é que sois!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tolo é quem pensa que o homem é desprovido da humanidade que lhe define quando morre. Mesmo morto, defuntinho da silva, o homem segue vivo na memória da sua gente, como  dinamizador, pela lembrança, da tradição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem só é desprovido de sua radical humanidade - morto, sem vitalidade -quando deixa de criar cultura e vira um reles espectador de uma vida que já não lhe é mais pertencimento."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diante disso, resta-me dizer: fujam dos bares que participarão do festival, evitem esbarrar com os histéricos e com as histéricas no interior dos bares, onde eles terão chegado em vans alugadas para fazer o roteiro proposto pelos organizadores, não sejam idiotas a ponto de ficarem por aí conjugando o verbo proposto pelo festival - &lt;em&gt;"Eu boteco, tu botecas, nós Comida di Buteco"&lt;/em&gt; -, não permitam que esse evento conspurque sua cidade e seu botequim preferido. Eu, ao menos, tenho imenso orgulho de dizer (e sou grato por isso) que os meus butecos de fé não participam dessa roleta-russa que visa, precipuamente, o lucro de quem, em pele de cordeiro, faz o papel do lobo devastador do sistema capitalista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-3758681740604383532?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/3758681740604383532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=3758681740604383532&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/3758681740604383532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/3758681740604383532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/04/vai-comecar-o-festival-jabalandia.html' title='VAI COMEÇAR O FESTIVAL JABALÂNDIA'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-5712389164504504618</id><published>2011-04-14T11:50:00.002-03:00</published><updated>2011-04-14T13:52:07.001-03:00</updated><title type='text'>42 ANOS - COMEÇOU O ARREMESSO AO PASSADO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem me lê com freqüência sabe que sou um homem por diversas vezes acometido por verdadeiros surtos de arremesso violento em direção ao passado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esses arremessos - e faço constantemente menção a eles - acontecem, quase sempre, de forma involuntária. Explico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou no carro deslizando pelas ruas da Tijuca. Passo, por conta do caminho necessário, diante do número 84 da rua São Francisco Xavier. É o que basta: estou, em questão de segundos, com 10 anos de idade, calças curtas e camisa listrada, jogando bola de meia na vila onde moraram meus avós. Estou na cozinha e diante de mim, sobre a pia, a cesta de frutas onde repousam algumas&amp;nbsp;bananas. Se ocorre de eu&amp;nbsp;esbarrar&amp;nbsp;o olhar, num átimo de segundo, no açucareiro, lá vou eu cortar a banana ao meio, no sentido longitudinal, pô-la num prato de louça, fatiá-la com a faca em pequenos quadrados&amp;nbsp;sem tirar a casca, pôr um punhado de açúcar ao lado e comer à moda de minha bisavó. Se vou à Teresópolis, ou mesmo se passo por lá a caminho de Nova Friburgo, ouço a voz de minha tia Zirota com uma nitidez capaz de fazer qualquer psiquiatra pedir arrego diante de&amp;nbsp;mim. E por aí vai.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ocorre que com a aproximação do dia 27 de abril, dia em que nasci - na Tijuca, evidentemente - esses arremessos ao passado passam a ocorrer com mais&amp;nbsp;freqüência, muitos deles provocados&amp;nbsp;por mim. Volto a explicar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje mesmo, 14 de abril, saltei da cama, serelepe, às 03h20min da manhã. Aqui,&amp;nbsp;um pequeno parêntese. Sou mais filho do meu pai do que supõe meu DNA. Papai, que é um homem que anda com frases&amp;nbsp;feitas no bolso e que são por ele repetidas com cômica assiduidade, acorda,&amp;nbsp;há anos, por volta desse horário. E é encontrar o velho pra ele começar:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Hoje acordei tarde... - e ele faz cara de quem espera a reação já ensaiada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes é meu irmão que o interpela:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É? A que horas?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E ele, dotado de inexplicável orgulho:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Três e quinze!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Captaram?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mamãe e minha menina vira-e-mexe tricotam, e eu pesco:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Maria, o Eduardo está ficando igual ao Isaac! - com uma máscara de terror no rosto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mamãe bate na mesinha de madeira mais próxima:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Minha filha, abra o olho, abra o olho! E que ele copie só as coisas boas!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha garota emenda:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tem acordado cada vez mais cedo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dá-se novas batidinhas na madeira:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ai, ai, ai... - em tom de lamúria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E fecho os parêntesis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois bem. Eu, que de fato acordo cedíssimo, acordei hoje às 03h20min - o que não é, é claro, comum - por conta de um arremesso ao passado típico da véspera de meus aniversários. Dá-se em mim,&amp;nbsp;nos abris, uma sensação que, em 2006, aqui mesmo no &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt;, assim defini:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;"Há, em mim, constantemente, e mais em abril do que em qualquer outro mês, uma  permanente gana de dizer o que já foi dito, de escrever o que já foi escrito, de  inventar o que já está inventado há dezenas, centenas, milhares de abris."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois hoje, às 03h20min da manhã, fui à cozinha, preparei meu café preto, acendi meu primeiro cigarro do dia, fiz festinha no meu vira-latas, chorei sem razão aparente&amp;nbsp;e fui ao banheiro atestar, diante do espelho, o quanto de tempo se acumula em mim, nos meus olhos com ptose, na minha visão discretamente míope, nos fios brancos da barba rala que carrego no rosto, e só recuperei o humor quando&amp;nbsp;voltei ao quarto, já de banho tomado, por volta das 5h. Escuro, ainda, o som do ar-condicionado e aquela voz&amp;nbsp;baixinha e rouca saindo debaixo do cobertor:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tu tá ficando igualzinho ao teu pai...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perto de completar 42 anos, não é exatamente fácil perceber o quão distante vou&amp;nbsp;ficando daquele menino que jogava bola de meia na vila da São Francisco Xavier. A luta permanente para mantê-lo vivo dentro de mim&amp;nbsp;é, estou a cada&amp;nbsp;dia que passa mais certo disso, o que me sustenta o ânimo e que me mantém.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-5712389164504504618?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/5712389164504504618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=5712389164504504618&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/5712389164504504618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/5712389164504504618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/04/42-anos-comecou-o-arremesso-ao-passado.html' title='42 ANOS - COMEÇOU O ARREMESSO AO PASSADO'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-5403912964649192434</id><published>2011-04-06T09:15:00.004-03:00</published><updated>2011-04-06T17:09:16.681-03:00</updated><title type='text'>VOVÓ FAZ ANOS AMANHÃ</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amanhã, 07 de abril, a 20 dias dos meus 42 anos, minha avó faz anos. Dirão meus mais fiéis leitores, e os de melhor memória,&amp;nbsp;que vovó morreu em dezembro. E eu negarei diante dos devaneios que esta foto, que tantos textos já ilustrou por aqui (é, de fato, uma de minhas preferidas), me provoca. Cá estou eu, de calças curtas e camisa listrada, tendo à minha direita minha mãe, à minha esquerda minha avó e na extrema esquerda (extrema direita da foto, notem minha precisão), minha bisavó - mãe de vovó. Estamos todos diante da mureta que havia na casa da vila onde moravam meus avós (minha bisavó junto, sempre), na Professor Gabizo, bem próximo à Heitor Beltrão, na Tijuca evidentemente.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-8ImRJUYZkcw/TZxSgRYkFYI/AAAAAAAADlk/nKFNDnmaqd0/s1600/IMG_2291.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" r6="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-8ImRJUYZkcw/TZxSgRYkFYI/AAAAAAAADlk/nKFNDnmaqd0/s320/IMG_2291.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Será, de fato, seu primeiro aniversário, em 41 anos de vida, sem sua presença tangível. E eu falei "tangível" e por isso quero dividir com quem me lê um troço que há tempos, hoje mais agudamente, me encasqueta: problema grave na história do homem é a religião. A religiosidade, não. A religiosidade é de uma boniteza que comove.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Explico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amanhã vou fazer meu café, pela manhã, e vou servir uma xícara de café com leite, como ela gostava, e vou oferecer a ela - com torradas. Dirão alguns, bradando aos céus, que estou louco. Vovó descansa no reino dos céus, plácida e tranqüila ao som das harpas dos anjos - nem à fórceps! Vovó era agitada que só ela, não dispensava o pôquer com as amigas todas as sextas-feiras, no Méier, andava pra lá e pra cá de ônibus, conhecia os motoristas pelo nome, fazia o supermercado, não perdia uma novela. Não estaria, jamais, no tal reino. Dirão outros que eu devo deixar vovó descansar, que devo contribuir para seu desprendimento, por aí. Ora, meus poucos mas fiéis&amp;nbsp;leitores... o que mais pode desejar uma avó, e que seja no dia de seu aniversário, do que o carinho comovido de um de seus netos? Onde vive minha avó se não em mim?&amp;nbsp;O que pode haver de mais bacana, nessas horas, além da perfeita conjunção de sentimentos de afeto em estado bruto? Como dizer a vocês, com as palavras - que por vezes me fogem - o quanto de alegria e felicidade me proporcionarão os pequenos gestos que a ela dedicarei no dia de seu nascimento? Leve flores ao cemitério, dirão os mais contidos. Ao cemitério? Foi lá, no cemitério - que de certa&amp;nbsp;forma&amp;nbsp;foi cômico, como lhes contei &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2010/12/vovo-1924-2010.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; - que vivi um dos mais duros momentos da minha vida (que não tem&amp;nbsp;sido fácil...), vendo descer o caixão que guardava dona Mathilde... Fazer o quê no cemitério? Os céticos, os ateus, balançarão cabeças com dó de tamanha insanidade: vovó acabou, dirão sapateando sobre a memória, sobre a saudade, sobre a religiosidade - e&amp;nbsp;é aqui que eu queria chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se temos que a religião é um sistema de doutrinas (sistema!!!!!), de crenças, de práticas rituais próprias de um grupo social, estabelecido segundo uma determinada concepção (concepção!!!!!)&amp;nbsp;de divindade e da sua relação com o homem, e se temos que a religiosidade é mera tendência para os sentimentos de religar, e se eu sou um homem movido por sentimentos, desde que nasci, se sou alma e coração em estado bruto, se choro ouvindo os tambores da macumba, se fico atento aos conselhos dos caboclos, se faço comida pra Orixá, se tomo passe em centro espírita, se mal consigo falar seguindo a procissão de meus santos mais afins, se ligo aos prantos, todo segundo domingo de outubro pra falar com minha comadre Railídia, paraense e como toda paraense devota de Nossa Senhora de Nazaré, se chamo São Jorge de Ogum e se deito meu ilekê sobre o cavalo de São Jorge que pertencia ao congá do terreiro de xambá da avó do Simas, se me consulto com um médico que já morreu há anos, como é que alguém pode querer que eu siga determinado sistema de doutrinas?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero é festa, eu quero é me emocionar, pombas! Por isso amanhã vou preparar o café da manhã de minha avó, vou enfeitar a casa com rosas brancas, vou chamá-la pra contar a ela as novidades, vou espalhar água de cheiro pela casa, vou pôr Orlando Silva pra cantar, e se me der na telha ainda compro bolo de aniversário pra comer de sobremesa à noite, depois do jantar. Devidamente encerrado com uma dose de vinho do Porto... porque eu vou lhes contar uma coisa... Vovó nunca dispensou as doses (no plural!, no plural!) de vinho do Porto quando ia jantar lá em casa, uma vez por semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o que eu queria lhes contar. Chama, dona Mathilde, chama!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;pós-escrito às 16h55min&lt;/strong&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impossível não fazer o adendo. Estava eu em Copacabana, por volta das 15h50min, saindo de um compromisso profissional, caminhando pela Nossa Senhora de Copacabana à espera de um táxi. Sinal fechado, fiz o sinal. Parou um Palio Weekend, entrei. No painel, um adesivo da cooperativa Táxi Garibaldi. Vamos ao contexto. A Táxi Garibaldi tem ponto justamente na rua Garibaldi, na Tijuca. Uma transversal da rua General Espírito Santo Cardoso, onde residia minha avó. Achei graça daquilo e fiz a blague:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A cooperativa que minha avó mais usava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O motorista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Morreu em dezembro, fará 87 anos amanhã...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele virou-se pra mim e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dona Mathilde? A baixinha e cheirosa? Morreu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem consegui responder. Eu já guinchava no banco do carona de tanto que chorava. Liguei pra mamãe, contei a história. Liguei pra minha menina, contei a história. O motorista - seu José - já fungava ouvindo tudo. Era, pra mim, sinal evidente de que vovó se fazia presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pra não perder o fio da meada do texto que escrevi hoje pela manhã, vamos lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirão os céticos: trata-se de apenas uma coincidência. Pois sim! São mais de 35 mil táxis circulando no Rio de Janeiro, e cerca de 5 mil irregulares, num total de 40 mil veículos amarelinhos rodando por aí. E aí, no dia de hoje, véspera do aniversário da dona Mathilde, na tarde do dia em que escrevi, pela manhã, verdadeiro chamamento e prece quase pagã em sua intenção, um táxi justo da cooperativa da qual ela fazia uso freqüente, conduzido por um motorista que a conhecia &lt;em&gt;("baixinha"&lt;/em&gt;, "&lt;em&gt;cheirosa"&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;"vaidosa"&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;"serelepe"&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;"elegante"&lt;/em&gt;...) e que mora na esquina da rua de vovó dá de me resgatar em Copacabana rumo ao Centro. Tá bom, então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero é me emocionar, pombas!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-5403912964649192434?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/5403912964649192434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=5403912964649192434&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/5403912964649192434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/5403912964649192434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/04/vovo-faz-anos-amanha.html' title='VOVÓ FAZ ANOS AMANHÃ'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-8ImRJUYZkcw/TZxSgRYkFYI/AAAAAAAADlk/nKFNDnmaqd0/s72-c/IMG_2291.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-8049093113420226750</id><published>2011-04-05T12:00:00.006-03:00</published><updated>2011-04-05T12:20:14.033-03:00</updated><title type='text'>FAZ UM 12, BRIZOLA!!!!!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No dia 18 de agosto de 2006 expus, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2006/08/furando-o-bloqueio.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, o vídeo no qual apareço gritando &lt;em&gt;"Faz um 12, Brizola!"&lt;/em&gt;, ao vivo, na TV Globo, durante a final de um dos festivais de música promovidos pela Vênus Platinada. Ontem, depois de descobrir a conta no twitter de Serginho Groisman e Renata Ceribelli - os dois jornalistas que trabalhavam naquela noite de 16 de setembro de 2000, há quase 11 anos! -, expus novamente o meu feito na grande rede, e deu-se a bulha. Muita gente repicando o vídeo, muita gente me dando os parabéns pela coragem, muita gente achando muita graça e me perguntando sobre os detalhes que envolveram a ação que ganhou contornos de subversão (o que muito me orgulha, diga-se).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu sou preciso do início ao fim, vamos aos detalhes do troço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corria, como já lhes disse, o ano 2000. E é preciso contextualizar para que tudo ganhe os contornos de emoção que a noite teve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2000 eu e Moacyr Luz, que faz anos hoje, éramos quase-siameses (digo "éramos" porque não trocamos mais palavra). E o Moacyr, que concorrera com o samba "Eu só quero beber água", chegara à grande final, em São Paulo, que aconteceria no Credicard Hall. Na época, um de nossos &lt;em&gt;bunkers&lt;/em&gt; era o Bar da Dona Maria, hoje um triste arremedo de botequim na rua Garibaldi, na Tijuca, onde morava o Moacyr (no mesmo prédio onde até hoje mora Aldir Blanc). Pois o povo do Bar da Dona Maria armou animadíssima torcida pra comparecer, em peso, à finalíssima. Mandamos fazer camisas com o nome do samba, pintamos faixas, cartazes, o escambau a quatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigamos contextualizando: corria o ano 2000 e meu saudoso e eterno governador, Leonel de Moura Brizola, era candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro. Mantendo uma tradição, a sambista Beth Carvalho emprestou a voz para o principal &lt;em&gt;jingle&lt;/em&gt; da campanha: &lt;em&gt;"Faz um 12 aí! Faz um 12 aí! Com Brizola o Rio vai voltar a sorrir!"&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2000, Brizola ainda era um palavrão segundo os manuais de redação da TV Globo. Seu nome era proibido, vetado, terminantemente censurado. E quem - vão tomando nota dos desenhos... - era a cantora convidada para fazer o show de encerramento do festival da Globo? Ela, Beth Carvalho. O convite, é claro, havia sido feito antes de deflagrada a campanha eleitoral, antes da voz inconfundível da Beth ecoar, aos quatro ventos, nas TVs, nas rádios, nas ruas, exaltando a candidatura de Leonel Brizola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fez a TV Globo? Desconvidou Beth Carvalho e em seu lugar chamou o também sambista Jorge Aragão. Prova disso, como se não bastasse o telefonema que recebi da cantora, era o convite para o festival. Constava lá: show de encerramento com Beth Carvalho. E sobre o nome da Beth, um carimbo, vermelho, onde se lia: Jorge Aragão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a Beth me ligou - brizolista roxa! - indignada, eu disse num sem-pulo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Querida, fica tranqüila. Eu vou te vingar! - e mais não disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso a vocês, quase 11 anos depois, que eu não tinha a menor idéia do que faria: mas eu faria alguma coisa (e os que bem me conhecem podem atestar como se dá, em mim, essa centelha).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parti na véspera levando na bagagem um boné vermelho com o nome Brizola em letras brancas, enormes. E disse, de mim para mim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou levar dobrado no bolso da calça. Lá eu vejo o que faço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um encontro, no Pirajá, horas antes do festival, já em São Paulo, é claro. Só duas pessoas sabiam, àquela altura, de minhas intenções: minha menina e meu irmãozinho, Fernando Szegeri. Mas nem eu mesmo sabia, ainda, o que é que eu aprontaria. Mas eu aprontaria!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partimos pro Credicard Hall. Teve início o festival, transmitido ao vivo para todo o Brasil. Percebi que durante os intervalos o apresentador Serginho Groisman chamava a repórter Renata Ceribelli, no meio da platéia, para entrevistar a assistência. Num desses intervalos, a abordei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu vim do Rio... Posso falar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode! Pode! Fica aqui, fica aqui... Daqui a pouco eu entro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi, num átimo, que a idéia me veio à cabeça. Ao se dirigir a mim, a repórter, eu meteria o boné na cabeça e daria o grito de guerra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Faz um 12, Brizola!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atentem para a dinâmica dos fatos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;01) segundos após meu grito estrilou meu celular. E eu só ouvia as gargalhadas da minha querida Beth Carvalho;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02) fui cercado, logo depois, por 8 seguranças, todos de terno, que diziam coisas como &lt;em&gt;"fora daqui"&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;"vem conosco, vamos dar uma volta lá fora"&lt;/em&gt;, e eu resistindo. Um deles, pelo rádio, gritou &lt;em&gt;"o Talma quer esse cara fora do teatro!"&lt;/em&gt;, por aí;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;03) estrila de novo meu celular. É meu pai, aflito: &lt;em&gt;"Você enlouqueceu? Já são mais de cinco minutos de comerciais, eles pararam a transmissão do festival! O que está acontecendo?"&lt;/em&gt;;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;04) minha menina pula, como um coala, na minha cintura e começa: &lt;em&gt;"Ninguém toca nele, ninguém toca nele!"&lt;/em&gt;, a essa altura os caras já estavam me empurrando pro lado de fora. Chegam Fernando Szegeri e Marcus Gramegna, amigo de São Paulo, o bravo Marcão, ambos advogados, e passam a exigir uma explicação para aquela truculência;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;05) um homem, mais velho, apresentou-se como o Chefe da Segurança e me perguntou, calmamente, o que eu havia feito. Exibi o boné e disse: &lt;em&gt;"Gritei o nome do Brizola com esse boné na cabeça. Eis minha arma, eis meu crime..."&lt;/em&gt;. O homem riu, disfaraçadamente, e disse: &lt;em&gt;"Você não fez isso... diz que não fez..."&lt;/em&gt;, e passou a negociar uma saída pacífica;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;06) eu soube, tempos depois, que o Moacyr Luz, que entraria em seguida no palco, estava sendo abordado, também por seguranças, na coxia, já que eu vestia a camisa com o nome de seu samba. Queriam saber, a todo custo, quem eu era,&amp;nbsp;onde morava, detalhes;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;07) uns minutos mais tarde, graças à intervenção do Chefe da&amp;nbsp;Segurança, graças à atuação do Szegeri e do Marcão, e de minha menina, chegamos a um consenso: nós continuaríamos no teatro, afastados da platéia, numa espécie de camarote vip. E vigiados de perto. A cada ida minha ao banheiro, lá iam dois, três seguranças!;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;08) terminado o festival o Chefe da Segurança me pediu, encarecidamente, que eu lhe entregasse o boné &lt;em&gt;"para perícia"&lt;/em&gt;. Ri tanto daquilo que não me opus;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;09) voltamos todos ao Pirajá. E o Moacyr Luz não me dirigiu palavra, atribuindo a mim sua derrota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No domingo seguinte, a revista Veja exibiu minha imagem com a frase: &lt;em&gt;"Eduardo Goldenberg, advogado carioca, no auditório do Credicard Hall durante a final do festival de MPB da Globo, colocando a repórter Renata Ceribelli numa saia-justa"&lt;/em&gt;. Tal texto foi escrito por um jornalista amigo meu, razão pela qual meu nome aparecia na matéria&amp;nbsp;(abaixo).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-xqkJHBBl6PA/TZsl-n7ZEAI/AAAAAAAADlg/u5-qH_QOKCM/s1600/faz+um+12+brizola.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="133" r6="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-xqkJHBBl6PA/TZsl-n7ZEAI/AAAAAAAADlg/u5-qH_QOKCM/s320/faz+um+12+brizola.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Quando eu cheguei de volta ao Rio, a página do PDT na internet exibia o vídeo com uma tarja enorme: "Deu 12 na Globo", e seguia um texto exaltando um &lt;em&gt;"homem que pôs o nome de Brizola, depois de anos de censura, no horário nobre da TV Globo"&lt;/em&gt;. Escrevi para o partido. Identifiquei-me. Disse que minha imagem estava à disposição da candidatura de Brizola. E isso me rendeu um telefonema, que durou 40 minutos, do próprio, poucas horas depois do envio da mensagem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dali em diante, sempre que eu encontrava Brizola (e nosso último encontro foi em 2002 na casa do Martinho da Vila, como lhes contei &lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2010/08/entrevista-com-beth-carvalho.html" target="_blank"&gt;&lt;strong&gt;aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;), ele fazia referência ao episódio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/uRadXwe5lDU?rel=0" title="YouTube video player" width="425"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tenho um orgulho danado de ter feito o que fiz. Era o que eu queria lhes contar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-8049093113420226750?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/8049093113420226750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=8049093113420226750&amp;isPopup=true' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/8049093113420226750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/8049093113420226750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/04/faz-um-12-brizola.html' title='FAZ UM 12, BRIZOLA!!!!!'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-xqkJHBBl6PA/TZsl-n7ZEAI/AAAAAAAADlg/u5-qH_QOKCM/s72-c/faz+um+12+brizola.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-7724540883451278962</id><published>2011-04-04T17:15:00.000-03:00</published><updated>2011-04-04T17:19:17.751-03:00</updated><title type='text'>OS BOLSONARO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde que Jair Bolsonaro, o inacreditável Jair Bolsonaro, deputado federal pelo Rio de Janeiro, eleito pelo PP (Partido Progressista) - e aí já reside uma das maiores ironias da política brasileira! - deu as declarações que deu ao programa CQC (de tão baixo nível quanto o congressista em tela) recentemente, deu-se a bulha no seio da sociedade. Isso só se deve, creio eu, ao fato de que a principal agressão foi em direção à Preta Gil, filho do ex-ministro Gilberto Gil, expoente da música brasileira. Será que não bastou, para a mais aguda indigação com relação&amp;nbsp;a Jair Bolsonaro, o vídeo no qual o deputado diz, com todas as letras, que o erro do governo militar foi torturar e não matar? Não bastou quando ele incitou os pais a usarem da violência diante&amp;nbsp;dos indícios apontando para a homossexualidade de seus filhos? Não bastou quando referiu-se à Presidenta Dilma Rousseff, diversas vezes, como ladra, terrorista, assassina? Acho, franca e sinceramente, que esse homúnculo já foi longe demais. E fiquei satisfeito com o envolvimento da Preta Gil no rol dos insultos do sujeito: se foi essa a gota d´água, melhor assim. Torço para que sigam adiante os feitos distribuídos contra Jair Bolsonaro a fim de que possamos tê-lo, o quanto antes, longe&amp;nbsp;do Congresso Nacional. Feito o breve intróito, vamos aos que quero lhes contar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho tido, desde então, diversos pensamentos (delírios, eu diria) que me levam a imaginar o dia-a-dia dessa família, a dos Bolsonaro. Deve ser, meus poucos mas fiéis leitores, um ambiente de tanta leveza, de tanta harmonia, de tanta tranqüilidade...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;01) Acorda o vereador Bolsonaro. Encontra, à mesa, o pai (ainda de pijamas). Ao lado do pai, o deputado estadual Bolsonaro (notem que, como metástase, espalham-se os Bolsonaro nas esferas de poder). Senta-se o verador. Diz:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pai, me passa a manteiga?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O irmão mal disfarça. E ri. Ergue-se o federal:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Macho come pão seco! Estenda a mão! Estenda a mão!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E com a palmatória, guardada na gaveta dos talheres, castiga o filhote.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;02) Ainda um menino, o hoje vereador chega do colégio cantando: &lt;em&gt;"Atirei o pau no gato-to, mas o gato-to, não morreu-reu-reu..."&lt;/em&gt;. O pai, de pijama, ergue-se da poltrona e urra:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Junto!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cabisbaixo, o vereador obedece.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Filho, vá buscar o porrete do papai no quarto da escrava! - diz em direção ao estadual, que o obedece. A empregada, a tudo assistindo, chora por dentro ao ouvir, de novo, que é uma escrava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Volta o estadual. Entrega o porrete ao federal. Este, sentando a borduna no bumbum do vereador, grita:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Aprenda como se atira o pau no gato, seu frouxo! Macho tem de saber matar um gato na base da porrada!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;03) O estadual, certo dia, comenta durante&amp;nbsp;o jantar:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pai, quero entrar pra natação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ouve-se um soco, seco, no tampo da mesa. Saltam os copos, os talheres, os pratos quicam. O vereador, achando que aquilo era um sinal de satisfação paterna, emenda:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu também...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ergue-se o pai, de pijama. Olha, com ódio, pra esposa. Espuma. Limpa a baba que escorre pelo canto da boca com a manga do pijama. E vocifera:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Natação? Querem usar touquinha, suas bichas! Já pro sofá! Os dois! Os dois! De quatro no sofá!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vai à cozinha, entrega uma nota de dinheiro à empregada (a quem ele chama de escrava) e sussura alguma coisa em seu ouvido. Passam-se 10 minutos. Ele volta à cozinha e vem à sala. Dirige-se aos meninos, ainda de quatro. Ordena que eles se sentem. E enterra, na cabeça do vereador e depois na do estadual, a touca de borracha até a altura do queixo. Balança suas cabeças com raiva e descontrolado, enquanto grita:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Natação é coisa de viado, seus imbecis! Entenderam?! Entenderam?!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meia-hora depois, os meninos tontos, assentem e desistem, para sempre, do esporte aquático.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;04) Está chegando a Páscoa. O vereador chega, depois de um dia de trabalho na Câmara, trazendo consigo uma sacola da Kopenhagen. O pai ergue a vista sobre o jornal O Globo e pergunta:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que porra é essa?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ovo de Páscoa para a minha secretária...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ergue-se o federal, de pijama:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ovo de Páscoa? Secretária? Desde quando uma serviçal é chamada de secretária? Desde quando macho compra ovinho de Páscoa, seu imbecil! Me dê isso, agora!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O vereador não titubeia. Entrega a sacolinha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ajoelhe, verme! Agora! Abra a boca!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E enterra&amp;nbsp;o ovo, pedaço por pedaço, na boca do filhote.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o passar do tempo, divido mais com vocês sobre meus delírios com essa harmoniosa família Bolsonaro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-7724540883451278962?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/7724540883451278962/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=7724540883451278962&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/7724540883451278962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/7724540883451278962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/04/os-bolsonaro.html' title='OS BOLSONARO'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-7922921128288344950</id><published>2011-03-30T17:20:00.001-03:00</published><updated>2011-03-30T17:24:32.286-03:00</updated><title type='text'>BRUNO RIBEIRO, CORREIO POPULAR, 30 DE MARÇO DE 2011</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho um tremendo orgulho da amizade que nutro - e que é, sei, recíproca - pelo brasileiro maiúsculo que é Bruno Ribeiro, jornalista carioca residente em Campinas. Um menino, se comparado aos meus quase 42 anos (que serão completados, se eu chegar lá, no próximo dia 27 de abril). Duro, quando necessário, sem&amp;nbsp;jamais perder a ternura - esse é um bom resumo do que é e como age esse meu irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. Feito o brevíssimo intróito vamos ao que quero lhes dizer hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito já se falou sobre um certo tipo, o leitor que escreve cartas para os jornais. Trata-se, geralmente, de um chato. Quase sempre sem ter o quê fazer (ou sem amigos, ou sem mulher, ou sem filhos, ou sem&amp;nbsp;vícios - são fundamentais, os vícios!) regozija-se (quase goza) quando lê um de seus arrazoados publicados nos jornalões brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se o cidadão de quem vou lhes falar hoje é parte disso, é tudo isso ou (e ele seria uma exceção) não é nada disso - faço a ressalva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de Renato Luis C. Gagliardi (é como ele se apresenta). Como exemplos - loas ao Google! - vejam &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110118/not_imp667571,0.php" targe="_blank"&gt;esta&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; carta publicada em 18 de janeiro de 2011 (na qual escorraça o Estado do Rio de Janeiro) e &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110204/not_imp675132,0.php" target="_blank"&gt;esta&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; outra, publicada em 04 de fevereiro de 2011 (na qual escorraça o presidente do Corinthians). Em ambas, o que faz Renato Luis C. Gagliardi? Esperneia. Reclama. Sapateia. &lt;strong&gt;&lt;a href="http://por1brasilmelhor.blogspot.com/2009/02/reedicao-2-do-manifesto-do-grupo-por-um.html" target="_blank"&gt;Aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; (loas ao Google!), brada ao STF contra a decisão do então presidente Luis Inácio Lula da Silva no sentido de conceder asilo político a Cesare Battisti. E são muitos - incontáveis! - os &lt;em&gt;links&lt;/em&gt; indicados pelo Google que apontam para "manifestações" de Renato Luis C. Gagliardi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem: este cidadão escreveu, recentemente,&amp;nbsp;longo e-mail dirigido ao jornal Correio Popular, jornal campineiro que tem, justo em Bruno Ribeiro, um de seus mais sérios e dedicados profissionais. E como o jornal é sério, e como o Bruno é grande (e corajoso!), publicou-se hoje, na edição deste 30 de março de 2011, véspera de mais um aniversário do nefasto golpe militar que mergulhou o Brasil em mais de duas décadas de obscurantismo, arbítrio e covardia, uma bela resposta ao redator de cartas para os jornais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um tapa (duro!) com luva de pelica - bem à moda do meu mano Bruno Ribeiro (clicando na imagem, você lerá com perfeição o brilhante artigo).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-nA2MLEEbaLU/TZODSgRFIzI/AAAAAAAADlY/o5BiWVn0470/s1600/bruno+correio+popular+30+de+mar%25C3%25A7o+de+2011.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="205" r6="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-nA2MLEEbaLU/TZODSgRFIzI/AAAAAAAADlY/o5BiWVn0470/s320/bruno+correio+popular+30+de+mar%25C3%25A7o+de+2011.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu prefiro dar nome aos bois, sempre. Em nome da verdade e da precisão que me acompanha como sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A página, na íntegra, pode ser lida também &lt;strong&gt;&lt;a href="http://pt.scribd.com/doc/51924731/3003CPCC02" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-7922921128288344950?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/7922921128288344950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=7922921128288344950&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/7922921128288344950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/7922921128288344950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/03/bruno-ribeiro-correio-popular-30-de.html' title='BRUNO RIBEIRO, CORREIO POPULAR, 30 DE MARÇO DE 2011'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-nA2MLEEbaLU/TZODSgRFIzI/AAAAAAAADlY/o5BiWVn0470/s72-c/bruno+correio+popular+30+de+mar%25C3%25A7o+de+2011.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-7805044976013057124</id><published>2011-03-28T12:40:00.002-03:00</published><updated>2011-03-28T12:53:02.854-03:00</updated><title type='text'>MINHAS AVENTURAS NUM TÁXI</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois bem: como lhes contei &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2011/03/um-sonho-de-infancia-realizado.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, na sexta-feira, realizei ontem, no domingo, um de meus sonhos de infância. Assumi, às 14h30min, a direção de um táxi, oferecimento do incrível e gentilíssimo Júnior, um tremendo boa-praça (o trocadilho é de propósito, ele que é um taxista dedicado). Às 20h30min estacionei o Zafira, tinindo de novo (lavado na manhã de domingo), na garagem de meu prédio. Subi o elevador com os olhos cheio d´água e disse à minha menina, que me esperava ansiosa na poltrona da sala:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi gratificante demais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, que sou preciso do início ao fim, farei - conforme o prometido - o mais amplo e&amp;nbsp;abrangente relato dos fatos passados durante as 06 horas de percurso. Fiz 12 corridas, percorri diversos bairros, transportei 34 passageiros, rodei 145km gastando R$ 24,30 de gás e voltei pra casa com R$ 181,70&amp;nbsp;limpinhos&amp;nbsp;no bolso (o Júnior, que não cabe em si de tanta gentileza, não me cobrou um centavo por isso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, quero lhes contar uma (apenas uma) passagem envolvendo o Júnior. E vocês me dirão se ele é ou não é o maior motorista de táxi do planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que foi em 2006. Eu ainda tinha um Tipo 1.6, ano 1992, quando decidi viajar, na Semana Santa, para Visconde de Mauá. Eu dirigindo, minha menina no banco do carona, e Alex Justo, um amigo nosso, no banco de trás com o Pepperoni. No começo da Via Dutra, na altura da Casa do Alemão, o carro apagou. Um mecânico chamado às pressas deu o diagnóstico: alternador pifado. Já passava das oito da noite, o que significava ser impossível solucionar o problema na hora. Liguei pra minha oficina de confiança, na Penha, e em 40 minutos estávamos sendo rebocados para lá. No trajeto, liguei pro Júnior. Pedi que fosse, se possível, nos buscar na oficina para nos levar de volta pra casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos na oficina e lá estava, já, o Júnior. Ao perceber que tínhamos bagagem, disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ué, vocês iam pra onde? Pra quê essas malas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumo da opereta: Júnior nos deixou, passava da meia-noite, em Visconde de Mauá, na casa de nossa prima, que nos esperava. E não nos cobrou - eis o que eu queria lhes dizer - um mísero centavo pela corrida de mais de 150km, o que inclui a brutal serra que liga Penedo à cidadezinha na serra. Não quis dormir na casa (&lt;em&gt;"Amanhã eu pego cedo!"&lt;/em&gt;) e creio que isso basta para desenhar-lhe o perfil. Vamos ao domingo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou - além de preciso - obsessivo. Minhas manhãs de domingo são iguais há sei lá quantos anos! Por isso estava às 07h30min na porta do Mundial, para as compras da semana. Do Mundial, pra feira. E da feira, fui ao Aconchego Carioca, da minha mui-amada Kátia. Lá chegando, encontrei o Russo, seu irmão, que tem uma chácara e um horto, montando o jardim da área externa do Aconchego, um canto bacana demais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ZIbjAIkvfIw/TZCZ7oidCfI/AAAAAAAADk8/DqGreV3AwEs/s1600/IMG_1991.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="320" r6="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-ZIbjAIkvfIw/TZCZ7oidCfI/AAAAAAAADk8/DqGreV3AwEs/s320/IMG_1991.JPG" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ficamos ali - o quê?! - umas duas horas de papo. É quando gosto de ir ao Aconchego. Antes mesmo da casa abrir. Bebendo cerveja estupidamente gelada, pondo as conversas em dia com essa craque que é a Kátia, evitando, assim, enfrentar o mais que merecido sucesso que a casa alcançou, sempre cheia e com muita fila na porta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-5W0F2O61m8g/TZCaBD1iJ_I/AAAAAAAADlA/LSK0Hgt5i1M/s1600/IMG_1992.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="320" r6="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-5W0F2O61m8g/TZCaBD1iJ_I/AAAAAAAADlA/LSK0Hgt5i1M/s320/IMG_1992.JPG" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voltei pra casa - estava ansiosíssimo, sentia-me com 12 anos de idade a caminho do parque de diversão - guardei as compras, tomei banho, escolhi e pus a roupa (&lt;em&gt;"Tá bom assim, amada?"&lt;/em&gt;), abri uma Cerpa Tijuca e pus-me a esperar, com a paciência de um menino de 12 anos de idade, o bom Júnior chegar (havíamos marcado às 14h).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 14h20min toca o interfone e eu desço, aos atropelos, de escada mesmo.&amp;nbsp;Lá estavam o Júnior, Viviane, sua mulher, e a pequena Giovanna, com menos de um mês de vida. Trocamos as chaves (ele ficou com meu carro), recebi pequeno curso (como ligar e desligar o taxímetro, como emitir recibo, como perceber que o gás está acabando etc.).&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-JZanKAd6PQo/TZCanlZ0KbI/AAAAAAAADlQ/1MTYi9_mNPw/s1600/IMG_1995.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="320" r6="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-JZanKAd6PQo/TZCanlZ0KbI/AAAAAAAADlQ/1MTYi9_mNPw/s320/IMG_1995.JPG" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faço a confissão: ao sentar-me à direção, pus-me a chorar. A vista turva, as mãos trêmulas, as memórias que me vinham em torrente, as pernas bambeando - &lt;em&gt;"Coragem, balofo!"&lt;/em&gt;, disse de mim para mim. E se o amor só é bom se doer a saudade só dói de forma bonita se provocada. Tomei a direção da rua São Francisco Xavier 84, e embiquei o carro diante do portão de ferro da vila onde moravam meus avós, minha bisavó, o seu Mário. Achei que se entrasse pra falar com a dona Isaurinda eu sucumbiria. Dei ré e ganhei o asfalto da Tijuca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira corrida: peguei 5 passageiros na Conde de Bonfim, quase em frente ao Morro do Borel. Todos negros, duas senhoras, um homem e duas crianças. &lt;em&gt;"Vamos prum pagode no Clube Garnier, no Rocha, sabe chegar lá?"&lt;/em&gt;. Eu sabia. Desci a Conde de Bonfim, peguei a Maracanã, Vila Isabel, a Mangueira, o viaduto de Benfica, dobrei pro Rocha e cheguei na Ana Néri. No caminho, uma das senhoras ia dizendo pros filhos prestarem atenção ao trajeto. Disse-me à certa altura:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os dois querem ter um táxi, como o pai deles...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei-os, R$ 18,00.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda corrida havia sido tratada por telefone. Fui buscar mamãe no Alto da Boa Vista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ZAsJ_lgfAqQ/TZCaKRoi5_I/AAAAAAAADlI/Va3sfDOAeKc/s1600/IMG_1996.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="320" r6="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-ZAsJ_lgfAqQ/TZCaKRoi5_I/AAAAAAAADlI/Va3sfDOAeKc/s320/IMG_1996.JPG" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esperei-a na garagem do prédio e tomamos a direção da Praça da Bandeira. O valor da corrida foi de R$ 16,00. Assim que deixei mamãe avistei o sinal de um casal em frente ao Rampinha. Ele de camisa do Flamengo, nordestino, e ela vestindo um short minúsculo, mini-blusa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa a gente na passarela da Rocinha, moço? Pelo Rebouças, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa corrida foi hilariante: o sujeito foi&amp;nbsp;pelo caminho contando que na quarta-feira também começa a trabalhar na praça (mas atentem para o detalhe):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem uns PMs lá no morro que alugam&amp;nbsp;táxis apreendidos pelo DETRO, por&amp;nbsp;trinta&amp;nbsp;reais, da meia-noite às seis. Dá pra ganhar algum, e eles dão cobertura pra qualquer problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravesssei o Rebouças, peguei a Lagoa-Barra, o túnel&amp;nbsp;Zuzu Angel e deixei-os na passarela, recebendo R$ 26,00 pela corrida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei num posto mais à frente para fumar um cigarro e decidir o que fazer, já que em São Conrado ninguém toma táxi no meio da rua.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-i7l9ks1tLz8/TZCaPZUH5oI/AAAAAAAADlM/VcFwQC3EMh0/s1600/IMG_1997.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="320" r6="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-i7l9ks1tLz8/TZCaPZUH5oI/AAAAAAAADlM/VcFwQC3EMh0/s320/IMG_1997.JPG" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiz o retorno, caí no Leblon. Em frente ao Jobi peguei um casal com um casal de filhos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Praça General Osório, por favor, em frente ao Carretão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho, a família discutia sobre um apartamento que provavelmente haviam acabado de visitar. O pai dizia que estava bom o preço pedido, de 2 milhões de reais. O&amp;nbsp;menino reclamou a falta de um cômodo para um escritório. A mulher sugeriu que fizessem uma contraproposta de 1,750 milhão. A corrida foi uma reta, curta, custou R$ 8,80 e o homem deu-me uma nota de R$ 10,00 dispensando o troco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que as corridas curtas são infinitamente mais vantajosas que as mais longas. Vão tomando nota!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que saí da General Osório e entrei em Copacabana, um casal de gaúchos entrou no carro. Iam pro Leme, pra um hotel. Uma vez mais, uma única&amp;nbsp;reta. Corrida de R$11,00 - deu dez e pouco, fiquei com o troco. Quando dobrei a Gustavo Sampaio e entrei na Atlântica, três mulheres, uma delas em cadeira de rodas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Graças a Deus, meu filho! Com essa cadeira, só mesmo carro grande. Pode ser?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ajudei a pôr a cadeira no porta-malas e tomei a direção do Humaitá, pouco depois da Casa de Espanha. Cruzei a Real Grandeza, corrida curta também, R$ 15,00. Deu treze e pouco, a senhora dispensou o troco e só faltou me beijar por ter ajudado com a cadeira de rodas. Entrei no Rebouças, desci o Cosme Velho. Em frente à estação do Corcovado, um casal. Americanos. Com a língua enrolada, disseram:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por favor, Sushi Leblon. Do you know?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Yes! - sou um poliglota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei-os na Dias Ferreira em frente ao restaurante, corrida de R$ 29,00. Durante o trajeto o homem tentou me vender um iPhone 3GS. Exibi o meu e agradeci. Eu estava - incontestavelmente - com sorte. No final da Dias Ferreira, em frente a um apart-hotel, um casal de paulistas fez sinal. Estavam indo parta o Santos Dumont.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor&amp;nbsp;sabe se o Aterro já está aberto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já, sim senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos por lá, então. E pegue a Atlântica, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a corrida mais longa, custou R$ 33,00 ao casal. No trajeto eles foram me perguntando se o trânsito era sempre daquele jeito no Rio, esculhambaram o trânsito de São Paulo,&amp;nbsp;me pediram que mostrasse o hotel no qual hospedou-se o Obama. Saí do aeroporto e fui pro Centro. Inacreditavelmente cinco jovens fizeram sinal em frente à Maison de France. Três ingleses e duas moças francesas. Uma delas disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Glórrrrria, porrrrr favorrrrr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corridinha curta, R$ 9,00. Tudo pago em moeda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era hora de abastecer. R$ 24,30 por pouco mais de 15 metros cúbicos de GNV, num posto da rua do Matoso. Na esquina da Matoso com a Haddock Lobo peguei um rapaz, 15 anos no máximo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pro Tijuca Tênis Clube!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem jogo lá? - perguntei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada! Tem é festa. Mulher pacas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntou se eu era casado e mandou uma hilariante:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pô, que azar! Até tu, que é tio, pode ser dar bem lá. A mulherada tá louca, tio! Louca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A corrida custou R$ 7,00. Desci a Conde de Bonfim. Na esquina da rua do Bispo com a Haddock Lobo, cinco jovens. Dois rapazes e três meninas (belíssimas, diga-se).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Shopping Tijuca, tio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais R$ 10,00. Na porta do próprio shopping, mãe e filha pra Santa Alexandrina, meiúca entre o Rio Comprido e a Tijuca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui ouvindo elogios às UPPs, às melhores condições de segurança do bairro, deixei mãe e filha na porta de casa por R$ 12,00.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirigir um táxi é uma cachaça. Uma adrenalina permanente (vem mais passageiro?, corrida curta?, corrida longa?) e decidir a hora de parar é bastante difícil. Constatações evidentes nessa primeira experiência: todos foram muito gentis comigo, todos. Todos cumprimentaram ao entrar e sair do táxi. Todos arredondaram para cima o valor da corrida. Poucos puxaram conversa, e senti que não é exatamente oportuno o motorista fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem mesmo, durante a narrativa do dia pelo twitter, meu mano Bruno Ribeiro, de Campinas, vaticinou: &lt;em&gt;"Se eu conheço o Edu, ele vai querer repetir a experiência"&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estava certíssimo. Se tudo der certo e se assim os deuses permitirem no dia 10 de abril,&amp;nbsp;dia do batizado da filha do Júnior, pela manhã, assumo a direção do táxi mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pra fechar: os quase duzentos reais que faturei, ontem, não pagam, nem de perto, o prazer, ainda que tardio, da realização de um sonho de infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-7805044976013057124?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/7805044976013057124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=7805044976013057124&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/7805044976013057124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/7805044976013057124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/03/minhas-aventuras-num-taxi.html' title='MINHAS AVENTURAS NUM TÁXI'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-ZIbjAIkvfIw/TZCZ7oidCfI/AAAAAAAADk8/DqGreV3AwEs/s72-c/IMG_1991.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-1668974572857990039</id><published>2011-03-25T16:20:00.002-03:00</published><updated>2011-03-25T16:28:44.353-03:00</updated><title type='text'>UM SONHO DE INFÂNCIA REALIZADO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em agosto de 2008, durante um de meus tantos&amp;nbsp;arremessos ao passado, &lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2008/08/dona-lucrcia.html" target="_blank"&gt;&lt;strong&gt;aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, falei sobre a dona Isaurinda e seu marido, o seu Mário, já falecido. O seu Mário, descendente de italianos, dividia-se entre a função de taxista (função que, em priscas eras, era exercida quase que exclusivamente por portugueses) e a de jornaleiro (função até hoje exercida por italianos). Tinha um TL (e eu posso jurar que era vinho e não amarelo, como os táxis de hoje) e sua banca ficava na Conde de Bonfim, entre a Praça Saens Peña e&amp;nbsp;o Largo da Segunda-Feira, na Tijuca. Era pai de quatro filhos e morava na mesma casa em que até hoje reside a viúva, dona Isaurinda, que fica numa vila na&amp;nbsp;rua São Francisco Xavier 84, onde moravam também, no tempo de minha infância, meus avós e minha bisavó. E faço a primeira confissão: de vez em quando saio vagando a pé e estaco diante do portão da vila,&amp;nbsp;porque até hoje está plantado ali o&amp;nbsp;menino de calças curtas e camisas listradas que insiste em viver dentro de mim. Abro o portão que tantas&amp;nbsp;vezes me viu indo e vindo e vou tomar a benção da dona Isaurinda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feito o intróito, vamos ao que quero lhes dizer: eu tinha verdadeiro fascínio pela rotina do seu Mário, um carcamano&amp;nbsp;torcedor do Fluminense. Ele&amp;nbsp;ocupava, naquela vila (e vilas são pequenas cidades), uma posição importante, quase que de patriarca da molecada. Além disso, provia a casa de meus avós de toda a sorte de revistas, semana após semana. Voltava, à noitinha,&amp;nbsp;chegando da banca de jornal que mantinha na Conde de Bonfim, trazendo jornais e revistas - e para a molecada, sempre, toda a sorte de revistas de sacanagem (que naquela&amp;nbsp;época mostravam um pedaço do peito, um pedaço da bunda e olhe lá!). E mais fascínio, ainda, eu tinha pelo táxi. Um TL, sempre tinindo, e o taxímetro - hoje vendido a peso de ouro nas feiras de antigüidades - Capelinha no painel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diversas vezes o seu Mário deixou a garotada - eu, inclusive - atravessar a vila dirigindo&amp;nbsp;seu&amp;nbsp;táxi. Ele ficava no banco do carona e dava a marcha-ré para que outro, e depois outro, e depois outro, experimentasse o prazer de dirigir.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh3.googleusercontent.com/-0YCmq9qd-Ds/TYzd5G-2MmI/AAAAAAAADk4/oUkW9JYhOd8/s1600/capelinha.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" r6="true" src="https://lh3.googleusercontent.com/-0YCmq9qd-Ds/TYzd5G-2MmI/AAAAAAAADk4/oUkW9JYhOd8/s1600/capelinha.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei quando foi, em que dia, em que momento - por mais que eu tenha me esforçado antes de sentar-me aqui para lhes dizer isso - estacou-se dentro de mim o sonho de ter um táxi - ou um lotação, que era como minha bisavó se referia&amp;nbsp;a táxi até morrer, em 1982. Era a profissão que eu almejava ter. E vamos a mais uma confissão: papai, um homem que anda com centenas de frases prontas no bolso&amp;nbsp;da calça, sempre nos dizia, a mim e a meus irmãos, quando éramos pequenos (diz até hoje, diga-se a verdade):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando&amp;nbsp;eu era da idade de vocês eu&amp;nbsp;queria ser caminhoneiro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vá entender - me permitam fazer a blague - essa obsessão rodoviária da família!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis então que domingo, depois de amanhã, mais de 30 anos depois, realizarei, ainda que por um dia, o velho sonho da infância. Graças ao Junior, o melhor, mais competente e prestativo motorista de táxi do mundo, queridíssimo meu, estarei a bordo de um Zafira, rasgando a cidade à espera de mãos e braços aflitos em busca de condução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas&amp;nbsp;o tempo se dobra, meus poucos mas fiéis leitores. Embarco nessa, a bem da verdade, não em busca de mãos e braços aflitos&amp;nbsp;à espera de uma condução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentar-me-ei no táxi - e antevejo uma cena de novela mexicana... - vinho (a tal pátina do tempo, como nos ensinou Blanc, transformará o amarelo em vinho) em busca do menino de calças curtas e camisas listradas, do Capelinha no painel no lugar dos taxímetros de hoje, em busca de meus avós, de minha bisavó, do seu Mário, da minha infância, repositório imortal e permanente de meus afetos duradouros e perenes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-1668974572857990039?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/1668974572857990039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=1668974572857990039&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/1668974572857990039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/1668974572857990039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/03/um-sonho-de-infancia-realizado.html' title='UM SONHO DE INFÂNCIA REALIZADO'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh3.googleusercontent.com/-0YCmq9qd-Ds/TYzd5G-2MmI/AAAAAAAADk4/oUkW9JYhOd8/s72-c/capelinha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-6220271078136595036</id><published>2011-03-24T14:20:00.005-03:00</published><updated>2011-03-24T14:23:46.938-03:00</updated><title type='text'>TOCOLOGIA NA TIJUCA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(dedicado a Benjamin D´Angelo Carneiro Simas)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis-me aqui, de volta, depois de dez dias de afastamento - necessários em razão da lufa-lufa do cotidiano (notem, pelo uso da palavra "lufa-lufa", que voltei ainda mais velho, mais antigo, mais múmia). Quero lhes contar hoje sobre a experiência que vivi no último domingo, 20 de março, dentro de minha própria casa. E como sou preciso do início ao fim farei minuciosa exposição dos fatos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estava eu, no sábado, a caminho da casa de meu irmão para um churrasco para o qual havíamos sido convidados, eu e minha menina. Estrilou meu celular. Era uma mensagem SMS. O autor? Luiz Antonio Simas, meu irmão, brasileiro máximo, tijucano de escol:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;"Alguma boa para hoje?"&lt;/em&gt; - foi sua mensagem, curta e direta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Disquei para ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Candinha, mulher do caboclo, acordara disposta e a fim de um encontro, um almoço, algo assim. Vamos a uma breve pausa para construção do cenário fático.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Candinha estava, já no sábado, com o ciclo da&amp;nbsp;gestação completo. O que significa dizer que, a qualquer momento, poderia dar à luz o menino Benjamin. Voltemos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contei sobre o churrasco e a impossibilidade do encontro naquele dia. Atendendo sugestão de minha menina, excitadíssima com a gravidez da amiga, fiz o convite:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que tal&amp;nbsp;vocês almoçarem&amp;nbsp;lá em casa amanhã? Faço a feira cedo, compro camarões...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele me interrompeu:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Camarões?! Claro! Claro! A que horas?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E marcamos. O Simas tem,&amp;nbsp;pelo camarão, uma atração dionisíaca. É o agudo oposto, por exemplo, de meu compadre Leonardo Boechat, que sofre de uma alergia&amp;nbsp;terrível a crustáceos, frutos-do-mar e outros bichos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiz a feira cedíssimo no domingo. Comprei dois quilos de camarão, uma massa italiana, bastante alho, vinho branco português e às 13h30min - a hora exata marcada, tijucano é implacável! - explodiu a campainha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entram pela porta da sala (aberta pela primeira vez desde que moramos lá, há 12 anos, todos entram pela porta da cozinha por questões de praticidade, foi uma singela homanegem sugerida pela minha garota) Luiz Antonio Simas e Candinha, redonda, plena, deslumbrante de tão bonita (a maternidade ilumina a mãe desde a concepção). Houve, naquele momento, uma festa. Minha menina emocionada com a presença deles e antes mesmo de terminados os cumprimentos percebi o gesto de Luiz Antonio que, com o polegar da mão direita num vai-e-vem em direção à própria boca, implorava por algo para beber.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até que recebemos relativamente pouco, mas temos o hábito de oferecer faustos ágapes a nossos convidados. Deixei gelando doze garrafas de Cerpa Tijuca, ouro líquido, e o Simas não escondia a ansiedade. As moças tricotando na sala e eu fiz a pergunta de praxe para o momento:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ansioso, velho?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deu-se o seguinte: Luiz Antonio pôs metade da garrafa dentro da boca, bebeu tudo num só gole, pediu outra e disse:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Evidente! Acho que estourou a bolsa! Estourou a bolsa!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Estourou?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Arrã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Candinha, atenta, da sala:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Luiz Antonio, calma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estava estranho, o professor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como uma piorra, zanzava entre a cozinha e a sala. Diversas vezes dirigiu-se à Candinha:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Liga pro doutor! Liga! - e dizia isso gemendo, coçando a cabeça árida de pelos, roendo as unhas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A certa altura Candinha disse um simples "vou ao banheiro". Parecia ter deflagrado uma guerra. Foi trancar-se no toalete e Luiz Antonio começar:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E aí, querida?! Tudo bem?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Luiz Antonio estava de quatro farejando por baixo da porta:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Isso não é cheiro&amp;nbsp;de xixi, Cândida! Abre essa porta!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vem a Candinha pelo corredor, Luiz Antonio a seguindo de joelhos depois de cheirar o vaso sanitário com o apuro de um pastor-alemão. Senta-se na melhor poltrona da casa, alisa a barriga e diz:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tudo em ordem...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Servi o almoço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Senti algo respingando em meus pés. Luiz Antonio estava urinando, de nervoso. Fez-se uma poça sob a mesa, meu vira-latas, honrando a raça, lambia aquilo com intenso prazer.&amp;nbsp;Simas&amp;nbsp;mastigava os camarões chorando. E dizia, de boca cheia:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Liga pro doutor, liga pro doutor... Desculpe a mijada, Edu, mas tá foda...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Terminado o almoço, ligaram pro doutor. Enquanto Candinha falava, docemente, ao telefone, Luiz Antonio rezava, de joelhos e mãos postas, diante da mulher. Ela desligou, pediu um copo d´água e ouviu os apelos do marido:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E aí, meu amor... O que ele disse?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Recomendou que nós fôssemos agora pro hosp...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só&amp;nbsp;voltei a ter notícias a 01h37min da madruga de segunda-feira, por telefone. Foi quando veio ao mundo o primogênito de Luiz Antonio Simas. Ontem, no meio da tarde, nova mensagem no celular:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;"Benjamin já se encontra em terras tijucanas. No caminho, demonstrou especial interesse pela região da Praça da Bandeira"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minutos depois - e eu infelizmente não pude atender ao&amp;nbsp;convite - ligou-me o pai, o felizardo, não cabendo em si de tanta euforia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mãe e filho em casa, e o pai - imerso na euforia mágica da paternidade que eu não pude experimentar&amp;nbsp;- no Salete, comprando o almoço e brindando à vida com um chope bem tirado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-6220271078136595036?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/6220271078136595036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=6220271078136595036&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/6220271078136595036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/6220271078136595036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/03/tocologia-na-tijuca.html' title='TOCOLOGIA NA TIJUCA'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-4559432239385639628</id><published>2011-03-14T12:35:00.002-03:00</published><updated>2011-03-14T12:40:04.319-03:00</updated><title type='text'>ALDIR BLANC EM O GLOBO DE 13 DE MARÇO DE 2011</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh3.googleusercontent.com/-SPQKW1Oi3xA/TX41tnkCfqI/AAAAAAAADkc/45LhA5puz68/s1600/parte+1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="320" q6="true" src="https://lh3.googleusercontent.com/-SPQKW1Oi3xA/TX41tnkCfqI/AAAAAAAADkc/45LhA5puz68/s320/parte+1.jpg" width="191" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh6.googleusercontent.com/-ZXGLoIt7Hls/TX41u2w8QCI/AAAAAAAADkg/so4IgrLx8ck/s1600/parte+2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="320" q6="true" src="https://lh6.googleusercontent.com/-ZXGLoIt7Hls/TX41u2w8QCI/AAAAAAAADkg/so4IgrLx8ck/s320/parte+2.jpg" width="186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh6.googleusercontent.com/-Gl5x_ANKF4A/TX41w2D46YI/AAAAAAAADkk/RBROcO-mb4E/s1600/parte+3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="320" q6="true" src="https://lh6.googleusercontent.com/-Gl5x_ANKF4A/TX41w2D46YI/AAAAAAAADkk/RBROcO-mb4E/s320/parte+3.jpg" width="159" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-QCpRBN8JESk/TX41x5ZHUTI/AAAAAAAADko/CUHjGAPNAYA/s1600/parte+4.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="320" q6="true" src="https://lh5.googleusercontent.com/-QCpRBN8JESk/TX41x5ZHUTI/AAAAAAAADko/CUHjGAPNAYA/s320/parte+4.jpg" width="195" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-ke8r7zvKUAE/TX41yspkdBI/AAAAAAAADks/pFNUdq3eY_8/s1600/parte+5.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="320" q6="true" src="https://lh5.googleusercontent.com/-ke8r7zvKUAE/TX41yspkdBI/AAAAAAAADks/pFNUdq3eY_8/s320/parte+5.jpg" width="215" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-4559432239385639628?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/4559432239385639628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=4559432239385639628&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/4559432239385639628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/4559432239385639628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/03/aldir-blanc-em-o-globo-de-13-de-marco.html' title='ALDIR BLANC EM O GLOBO DE 13 DE MARÇO DE 2011'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh3.googleusercontent.com/-SPQKW1Oi3xA/TX41tnkCfqI/AAAAAAAADkc/45LhA5puz68/s72-c/parte+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-708655253188370354</id><published>2011-03-10T16:00:00.000-03:00</published><updated>2011-03-10T16:15:41.657-03:00</updated><title type='text'>DO DOSADOR - BALANÇO DO CARNAVAL 2011</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red; font-size: x-large;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Eis que chegamos ao final de mais um Carnaval. Quero, pois, dose por dose, fazer o balanço do que vi e do que ouvi durante o tríduo momesco.&amp;nbsp;Quatro dias em Cabo Frio - da manhã de sábado à manhã de terça-feira - atento às notícias (vi, do começo ao fim, todos os desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro) me permitem, penso eu, falar com alguma propriedade sobre tudo. Vamos por partes;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red; font-size: x-large;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; uma vez mais a Rede Globo estraçalhou, de forma abjeta, o prazer do telespectador, chamado por uma repetitiva Ana Paula Araújo (apresentadora do RJ TV) de &lt;em&gt;"pessoal de casa"&lt;/em&gt;. Poucas coisas são mais simples do que transmitir o desfile das Escolas de Samba pela televisão: uma meia-dúzia de câmeras espalhadas ao longo da avenida, um único apresentador para dizer o mais-simples e um ou dois comentaristas entendedores do riscado para comentários entre uma escola e outra. E o que a Globo nos ofereceu? Na &lt;em&gt;"ancoragem"&lt;/em&gt; - termo estúpido que eles usaram diversas vezes - Luis Roberto e Glenda Kozlowski, egressos do mundo do futebol. Ele, narrando os desfiles como quem narra uma partida de futebol. Ela, que em seu twitter pessoal mandou um bloco de rua do Jardim Botânico pra PQP - está &lt;strong&gt;&lt;a href="http://twitter.com/glendakozlowski/status/44393069839257600" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, pra quem duvidar, prova efetiva do quanto gosta de carnaval, a moça&amp;nbsp;- deu um show de histeria durante todo o desfile, tanto o de domingo quanto o de segunda-feira. Ria, gargalhava, dava gritinhos, fazia ohs e ahs capazes de irritar, profundamente, o telespectador. E as imagens? Tenham em mente uma coisa: os carnavalescos pensam um enredo e os colocam na avenida numa determinada ordem lógica a fim de que se tornem compreensíveis para quem assiste. O que faz a abjeta Rede Globo? Exibe tudo na ordem que a ela convém. Daí você é obrigado a ver o terceiro carro antes do primeiro porque naquele está um astro da emissora. Outro troço irritante, de dar nojo: Luis Roberto e Glenda Kozlowski conversavam o tempo inteiro e&amp;nbsp;foi simplesmente impossível para quem assistia de casa ouvir o canto da escola, a bateria da escola. Mais grave: tirando a Mangueira e a Beija-Flor, todas as outras escolas não foram mostradas durante um dos momentos cruciais, o grito de guerra, o canto que dá início ao desfile. Eu, salgueirense de quatro costados, não pude ver a saída da escola... Graças à transmissão da Rede Globo. Tem mais, tem mais: no chamado "estúdio Globoleza", Ana Paula Araújo comandava o quadro de comentaristas. Quais comentaristas? Chico Pinheiro (sabe bastante, falou pouquíssimo), Teresa Cristina (triste ver a cantora fazendo aquele papel modorrento durante os desfiles), Haroldo Costa (sabe muito, falou pouquíssimo) e, como destaques negativos, Fernanda Abreu (que entende tanto de samba quanto eu, de física quântica)&amp;nbsp;e Hélio de La Peña (que não conseguiu acertar uma só piada). Vai daí que os desfiles eram interrompidos para que ouvíssemos as besteiras que esses caras diziam... Uma outra repórter, Mariana Gross, destratava o povo no Setor 1 do Sambódromo, sempre com intervenções desnecessárias. Renata Capucci, outra repórter que trabalhava na avenida, disse, pelo twitter - vejam &lt;strong&gt;&lt;a href="http://twitter.com/renata_capucci/status/44628420038098944" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; - que um componente da Unidos da Tijuca havia caído do alto de um carro alegórico. O telespectador soube? Não, é evidente. E se eu fosse ficar aqui listando as barbaridades da transmissão, não faria outra coisa pelas próximas 24 horas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red; font-size: x-large;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; ah, sim, outra barbaridade. Luis Roberto e Glenda Kozlowski interrompiam as transmissões, muitas vezes a cada escola, incentivando o telespectador a enviar, por SMS, mensagens para a emissora (nunca anunciando o custo da ligação, é claro). E éramos obrigados a ler, na tela (com direito a narração nojenta dos dois), as babaquices que os babacas mandavam pra lá. Além disso, fomos obrigados a assistir vídeos enviados por idiotas do exterior. Pergunto eu a vocês: a quem interessa saber que o babaca A está assistindo ao desfile diretamente do Alasca? Ou que o babaca B está super feliz em Portugal vendo o desfile pela Globo Internacional? Tudo um repugnante e agudo nojo. A Globo, que trata futebol e Carnaval como entretenimento, que detém o monopólio dessas transmissões, presta - o que não é nenhuma novidade - um desserviço ao amante do futebol e do Carnaval. E faz - também não é novidade - um jornalismo abaixo da crítica;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;*&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; a prefeitura exibe, com orgulho, os quase 700 detidos durante o Carnaval por conta de xixi fora dos banheiros químicos disponibilizados pelo Poder Público. Ontem ouvi, na CBN, entrevista concedida por Alex Costa, Secretário Municipal de Ordem Pública, sobre o tema. Devo dizer, estarrecido, que esse sujeito não seria contratado por mim nem para engraxar meus sapatos. Não respondeu sequer a uma pergunta durante a entrevista.&amp;nbsp;Falou muito, não disse nada. Usou, durante a entrevista (que durou pouco mais de 5min), centenas de vezes a palavra "questão". Era um tal de &lt;em&gt;"a questão da urina"&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;"a questão da educação da população"&lt;/em&gt;, a &lt;em&gt;"questão dos banheiros químicos"&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;"a questão da fiscalização"&lt;/em&gt;, por aí. Soquei o volante do carro de tanto ódio. A Prefeitura, que nada em dinheiro (graças à parceria com o Governo do Estado, com o Governo Federal, e no Carnaval graças à parceria com uma marca de cerveja), que o desvia diante do nariz do cidadão incapaz de uma reação à altura, agora deu de punir, punir, punir. O incompetente disse que está estudando a possibilidade de, no ano que vem, multar os mijões, que é necessário, sim, haver paciência para esperar uma fila de meia-hora diante dos banheiros, e que não mais autorizará o desfile dos blocos que não cumpriram as regras estabelecidas pela Prefeitura. E a Prefeitura cumpre as mínimas regras de governar com decência a cidade? Haja paciência;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;*&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; vamos ao resultado da apuração aqui no Rio de Janeiro. Sabemos todos que há, sempre, armação para determinada escola e chororô por parte dos perdedores. O que quero lhes dizer é que foi simplesmente vergonhoso ver uma nota 9 dada à bateria da Estação Primeira de Mangueira. O que fez a bateria da Mangueira durante o desfile (veja um trecho &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=dZLFkKuSUNM" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;) foi um absurdo de tanta boniteza. Foi a única escola capaz de me fazer chorar diante da tela (chorei outras vezes, mas de raiva), mas isso não vem ao caso. Anseio, muito, para ver a justificativa que a besta-quadrada deu, no boletim de apuração, para explicar tanta obtusidade;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;*&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; foi muito bacana&amp;nbsp;ver a Beth Carvalho de volta à Mangueira. Sentadinha ao lado de Sérgio Cabral, o pai, foi outra que fez valer a pena as duas noites viradas diante da televisão;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;*&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; os desfiles da Portela, da União da Ilha e da Grande Rio mostraram o erro que foi a LIESA decidir por não avaliá-las. O incêndio, embora trágico, faz parte do jogo. As três escolas mostraram capacidade de recuperação e podiam, principalmente a União da Ilha, fazer bonito na classificação final;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red; font-size: x-large;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; só vi uma vantagem na vitória da Beija-Flor, que talvez tenha feito seu mais feio desfile de todos os tempos. A derrota da Unidos da Tijuca e do queridinho da Rede Globo, Paulo Barros. Se vencesse, estaria assinado o atestado de óbito da brasilidade do Carnaval das Escolas de Samba. Todas as alas da Tijuca - todas! - eram coreografadas (nem sombra de samba). Os carros, fazendo alusão ao cinema americano. Um lixo, um absoluto e desprezível lixo, como o cu do King-Kong do Salgueiro piscando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que era isso o que eu queria lhes dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-708655253188370354?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/708655253188370354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=708655253188370354&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/708655253188370354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/708655253188370354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/03/do-dosador-balanco-do-carnaval-2011.html' title='DO DOSADOR - BALANÇO DO CARNAVAL 2011'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-7301389214937437335</id><published>2011-03-03T10:30:00.001-03:00</published><updated>2011-03-03T10:31:48.801-03:00</updated><title type='text'>CARNAVAL - EXORTAÇÃO À MORTE POR 3 DIAS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o Salgueiro pisar na avenida na segunda-feira de Carnaval, por volta das 22h, estarei, como nos anos anteriores, e desde que me entendo por gente, diante da tela da TV assistindo, comovido, passar a vermelho-e-branco da minha aldeia, a vermelho-e-branco da minha Tijuca. Eu, devoto confesso da anti-festa - e já explico o porquê do "anti-festa" - pela primeira vez em muitos anos estarei quieto, no meu canto, durante os dias em que a magnífica esbórnia varre o Brasil de norte a sul, e varre meu Rio de Janeiro principalmente, centro nervoso da festa de Momo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há de ser assim, é preciso que seja assim. Os tempos pedem e meus deuses clamam,&amp;nbsp;dentro de mim, por esse afastamento. Eis aí a primeira prova efetiva, que experimento na carne&amp;nbsp;e na alma, de que o Carnaval é inversão, precipuamente é inversão.&amp;nbsp;São os deuses, nesse momento,&amp;nbsp;a quem tanto tenho me dirigido, que me pedem o afastamento. E eu me afastarei, que eu não sou besta de desobedecer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nasci em 69, filho de mãe salgueirense até a alma,&amp;nbsp;como lhes contei &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2006/12/salgueiro-uma-raiz.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, e &lt;em&gt;"o que importa é que eu sempre soube que mamãe, quando menina, morando na Rua dos Araújos, na Tijuca, evidentemente, teve uma babá, negra, que desfilava na ala das baianas da Acadêmicos do Salgueiro. Tem, ainda hoje, minha mãe, memórias vivíssimas da tal babá. Eu, quando menino, morando na Rua São Francisco Xavier, na Tijuca, evidentemente, lembro-me, com a mesmíssima nitidez com que minha mãe lembra da negra baiana, de assistir pela TV aos longos desfiles das escolas de samba, sempre ao lado de minha mãe, e lembro-me de vê-la sempre chorando, emocionada, quando a vermelho e branco pisava a passarela. Lembro-me, mais nitidamente ainda - sinto as mesmas dores agora - de suas unhas cravadas na palma da minha mão, soluçando, comovidíssima com aquilo tudo. Talvez visse, na telinha da TV, sua babá. Talvez fosse uma quimera e a negra já estivesse morta, talvez fosse saudade, não sei, nunca perguntei nada. Eu atribuía tudo ao amor pela escola."&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse mesmo texto, de dezembro de 2006, escrevi que &lt;em&gt;"quando o Salgueiro pisar a avenida em 2007, evocando as Candaces, mulheres guerreiras, cantando um samba que se alinha à tradição dos mais belos sambas do Salgueiro - saudando os orixás, a África, os negros e suas heranças que encontram na vermelho e branco o mais bonito terreiro - eu vou ter, de novo, calças curtas, camisa listrada, pouquíssimos anos, e chorar de saudade - sabe-se lá - da babá de minha mãe."&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ocorre que agora, meus poucos mas fiéis leitores, há uma necessidade mais urgente. Preciso, e como preciso!, morrer na madrugada do sábado para renascer, renovado, na quarta-feira de cinzas. E se meus deuses têm me feito tantos apelos (a tal primeira inversão), é um apelo público, desavergonhado,&amp;nbsp;sem resquício de qualquer pudor, que quero fazer aos meus mais chegados, eles que entendem e entenderão a razão pela qual preciso desse afastamento, desse arremesso em direção ao passado e ao invisível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu já vivi, em 2007, a experiência da morte, por amor a um amigo, a um irmão. Corria o ano de 2007, véspera do Carnaval, quando anunciei, de pé, na livraria Folha Seca, na sexta-feira, véspera do desfile do Bola Preta, diante de minha menina e de amigos meus que acompanharam, assombrados, o anúncio:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;"- Morro agora, amigos meus, morro agora, amor da minha vida, para somente renascer amanhã à tarde, depois do desfile do Bola Preta, eis que cederei meu corpo, que não mais me pertencerá a partir da agora, para meu irmão Fernando José Szegeri, que desfilará, assim, pela décima nona vez, pelo portentoso Cordão!"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E fui - vejam com seus próprio olhos! - Fernando Szegeri durante o sábado de Carnaval, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2007/02/e-quem-disse-que-ele-no-viria.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2007/02/szegeri-e-betinha-sua-musa.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, ele que não pôde vir ao Rio por conta do nascimento do filho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É chegada, pois, a hora de mais uma subversão da lógica e da ordem, é chegada a hora da imortal vitória da ilusão, &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; Aldir Blanc.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Permitam-me o desabafo, a prece dita aos prantos, a exortação feita em ritmo de samba bem marcado pelo surdo de marcação imaginário que há de me ecoar nos ouvidos, durante três dias, como o coração acelerado de um feto à espera da luz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Afastar-me-ei das ruas do meu Rio mas hei de estar, em algum momento, ao lado de meu mano de fé, Fernando Szegeri, de quem já fui cavalo, nas ladeiras de Olinda, nas ruas do Recife, ao som da&amp;nbsp;triste melodia de um frevo qualquer. Chame por mim, mano!, uma vez que seja. Hei de estar, durante um minuto que seja, bebendo com outro de fé, Luiz Antonio Simas, num bloco qualquer que há de sair no Rio de Janeiro, abraçado à Candinha e afagando a barriga que guarda o menino por vir. Chame por mim, mano, uma vez que seja! Hei de estar com Julio Vellozo, com Arthur Tirone, meu mano Favela, com o Felipinho, com meu do peito, Bruno Ribeiro:&amp;nbsp;ergam um brinde à minha ausência-morte, chamem por mim, amigos meus,&amp;nbsp;uma vez que seja! Hei de estar segurando Helena no colo, uma vez que seja, vendo passar o arlequim de mãos dadas com a colombina - chame por mim, Leo Boechat, uma vez que seja! Hei de estar com minha comadre, Mariana Blanc, tendo a Milena por perto, minha borboleta. Chame por mim, comadre, uma vez que seja! Hei de estar com a Betinha na Rio Branco, hei de estar com o Flavinho e hei de ver o Felipe tonto de rir diante de uma guerra de confetes - chamem por mim, queridos meus, uma vez que seja! Hei de estar de porre, trôpego, esbarrando na minha irmãzinha, a Marcela, que há de ser mais Manguaça que nunca durante o tríduo momesco, e hei de receber o abraço da Sonia ao chegar em casa pela manhã, trocando as pernas. Chamem por mim, minhas amadas, uma vez que seja! Hei de estar nos fios do talabarte junto do Buba, no coração da bateria da Vila Isabel, e hei de estar também na cabeça da baqueta que vai surrar o couro do surdo, serei eu, também,&amp;nbsp;gritando. Chame por mim, malandro, durante o desfile! Hei de estar brincando com Rosa e com Chico antes de sair&amp;nbsp;pra rua,&amp;nbsp;hei de estar -&amp;nbsp;hei de estar! - com minha comadre Stefania, misturado à turba de um bloco qualquer - chame por mim, maninha, uma vez que seja! Hei de estar&amp;nbsp;vendo Iara, moça bonita de olhos negros como jabuticaba, afilhada que amo tanto, e hei de estar nas mãos e na voz da Railídia, que a Railídia há de cantar durante o Carnaval. Gritem por mim, queridas, gritem que eu me farei presente! Hei de estar ao lado de minha anã preferida, Flavinha Calé, e ao lado de Fernando Borgonovi, bebendo industrialmente e dormindo nas&amp;nbsp;sarjetas da Tijuca. Chamem por mim, queridos, uma&amp;nbsp;vez que seja!&amp;nbsp;Hei de estar bordejando pela cidade com Fabinho Calé, serão seus os meus olhos a cada flerte furtivo durante a festa. Chame por mim, caboclo, chame que estarei presente. Uma vez que seja!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E quero estar, como quero e preciso estar!, experimentando de novo - eis o milagre da fé foliona - no instante exato em que o Salgueiro pisar na avenida, o calor do útero de minha mãe, longe das agruras e das dores do mundo, pronto pra apoteose da vida quando a escola acabar de atravessar, gloriosa, a avenida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 69, quando nasci, pouco mais de dois meses antes de eu vir ao mundo - e eu cheguei pela Tijuca, é claro! - o Salgueiro desfilou cantando a Bahia de todos os deuses. Tenho, vá entender, absoluta certeza de que ouvi, ao vivo, a vermelho-e-branco desfilando naquele ano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São os milagres do Carnaval. E quem há de duvidar deles?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/o2RZPgLfSa8?rel=0" title="YouTube video player" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-7301389214937437335?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/7301389214937437335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=7301389214937437335&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/7301389214937437335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/7301389214937437335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/03/carnaval-exortacao-morte-por-3-dias.html' title='CARNAVAL - EXORTAÇÃO À MORTE POR 3 DIAS'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/o2RZPgLfSa8/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-633868477049600723</id><published>2011-02-28T15:30:00.000-03:00</published><updated>2011-02-28T15:31:50.977-03:00</updated><title type='text'>COMIDA DI BUTECO 2011 VEM AÍ</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis que estamos às vésperas do Carnaval e, mantendo uma tradição já de muitos anos, o malfadado festival Comida di Buteco começa a pôr as mangas e a maionese de fora. E quem me lê sabe o quanto eu, desde sempre, sentei a borduna na iniciativa: basta uma clicada &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.google.com.br/#hl=pt-BR&amp;amp;source=hp&amp;amp;biw=1280&amp;amp;bih=752&amp;amp;q=%22comida+di+buteco%22+butecodoedu&amp;amp;aq=f&amp;amp;aqi=&amp;amp;aql=&amp;amp;oq=&amp;amp;fp=b550e81da59a882a" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; e o Google abrirá diversas possibilidades para que você, que nunca leu nada meu a respeito do troço, entenda o porquê de minha aguda implicância com o projeto (escrevi "projeto" e tive ânsia de vômito). Mas vamos em frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de continuar a escrever, dêem uma olhada no &lt;em&gt;slogan&lt;/em&gt; (nova pausa para&amp;nbsp;nova ânsia) do festival em 2011:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh6.googleusercontent.com/-6vPVZVkHDDE/TWvicxADjyI/AAAAAAAADkE/ZyUXPFbtsOg/s1600/slogan.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="320" l6="true" src="https://lh6.googleusercontent.com/-6vPVZVkHDDE/TWvicxADjyI/AAAAAAAADkE/ZyUXPFbtsOg/s320/slogan.jpg" width="311" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou escrever para que o nojo emerja (leiam em voz alta e sintam a boçalidade da idéia): &lt;em&gt;"Eu boteco, tu botecas, nós comida di buteco"&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 28 de maio de 2010 escrevi uma carta aberta dirigida aos&amp;nbsp;pilotos do trator de botequins, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2010/05/carta-aberta-aos-organizadores-do.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;. O fiz porque - a leitura do texto deixa isso claro - uma das organizadoras do negócio, Sra. Eulália, ligou-me indignada, no dia 13 de maio de 2010, com minhas críticas (todas sempre muito bem fundamentadas, modéstia à parte), ficou de marcar uma conversa olho no olho para que ela expusesse suas razões e nada aconteceu. Ou seja, agiu como agem quase todos os que são criticados: tratam de desqualificar o crítico, as críticas. Não suportam experimentar a não-adulação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ano, em 2011, vai ser mais divertido expôr para vocês o quão maléfico é o festival que se orgulha disso que segue abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Em 2008, o concurso entrou no conceituado Guia 4 Rodas (Editora Abril) e passou a ser realizado em diversas cidades do interior de Minas Gerais e em outros estados. Neste ano também, dois novos sócios se uniram ao projeto: Ronaldo Perri e Flávia Rocha, com a missão de expandir o conceito a outras praças."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notem bem: o Comida di Buteco é um "conceito", e isso já diz muito sobre o nascedouro da idéia e seus objetivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Os números atuais do Comida di Buteco impressionam, o evento está presente em 11 cidades e, só em Belo Horizonte, o público participante é estimado em cerca de 800 mil pessoas por edição, com mais de 160 mil votos nos pratos participantes (Vox Populi / 2010)."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os números do Big Brother Brasil, o maior lixo da recente história da TV brasileira, também impressionam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"A festa "A Saideira" – que tradicionalmente marca o encerramento e a premiação do concurso – se tornou um dos eventos mais esperados da cidade e recebe mais de 26.500 botequeiros nos dias em que é realizado."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa "A Saideira", no ano passado, trouxe o Bob´s para servir os otários que conjugam o verbo proposto pelo festival em 2011.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O Comida di Buteco se tornou também um fenômeno de comunicação. Em 2010, a mídia espontânea do projeto superou o valor de 16 milhões de reais, tendo o Comida di Buteco figurado nos principais veículos da mídia nacional e importantes publicações internacionais, como o NYTimes e La Nacion."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal de contas, buteco e New York Times, buteco e La Nación, têm tudo a ver...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria cômico se não fosse trágico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto - é claro - ao tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-633868477049600723?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/633868477049600723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=633868477049600723&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/633868477049600723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/633868477049600723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/02/comida-di-buteco-2011-vem-ai.html' title='COMIDA DI BUTECO 2011 VEM AÍ'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh6.googleusercontent.com/-6vPVZVkHDDE/TWvicxADjyI/AAAAAAAADkE/ZyUXPFbtsOg/s72-c/slogan.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-5774362611301694908</id><published>2011-02-24T14:15:00.000-03:00</published><updated>2011-02-24T14:19:06.913-03:00</updated><title type='text'>AINDA SOBRE A DEMONSTRAÇÃO DE LENINISMO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ontem, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2011/02/demonstracao-de-leninismo.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;,﻿ escrevi sobre o choque que senti, ontem mesmo, ao ouvir um jovem comunista dizer, ao telefone, para seu interlocutor (ou interlocutora, ele só dizia "cara" ao se dirigir ao pobre-diabo de outro&amp;nbsp;lado da linha):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cara, ela ontem deu uma demonstração de leninismo impressionante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedi a opinião de meus poucos mas fiéis leitores a fim de que eu pudesse, eu que sou um beócio de antolhos nas questões vermelhas, compreender que diabos era aquilo. Fui pouquíssimo atendido, eis que apenas três leitores se dispuseram a me prestar auxílio (sou, e isso me dói, um fracasso de audiência). Mas dentre os três, e sem depreciar um deles (que apenas corroborou o comentário esclarecedor do primeiro), dois monstros por quem guardo intenso e agudo respeito: o jornalista velho-de-guerra, com passagem por todos os grandes jornais do Brasil, meu dileto amigo, José Sergio Rocha, e meu irmão de fé, historiador e brasileiro máximo, Luiz Antonio Simas (recomendo vivamente a leitura de seus comentários).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que quero lhes contar outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma comunista (e não lhe direi jamais o nome, nem à fórceps) escreveu-me ontem sobre o ocorrido - eis um fato espantoso! Dizia, ela também assombrada, que lera - confessou-se minha leitora contumaz - meu texto e que se reconhecera. Disse - e eu cheguei a me coçar enquanto lia - que foi pra ela o telefonema do jovem comunista infestado de lêndeas. E passou a me explicar - pobre coitada - o que havia sido a tal "demonstração de leninismo". Tirem as crianças da sala antes de seguirem em frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em apertada síntese para que a náusea seja pouca (tudo o que estiver entre aspas terá sido integralmente copiado de seu e-mail): disse-me a jovem, também comunista, que havia uma "manifestação" em determinada universidade. E que ela, e mais alguns "quadros da base do partido", por absoluto acaso, estavam também na tal universidade. Segundo ela a "manifestação" não contava com mais do que 10, 15 "manifestantes". Foi quando, então, ela e seus amigos (os tais "quadros da base do partido"), passaram a "intervir" na tal "manifestação" (e ela não me contou do que se tratava a "manifestação").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue o relato: em poucos minutos, mais de 500 alunos desceram, como ratos, das escadarias da universidade ("uma coisa linda", disse-me a utópica). Os "quadros da base do partido", então, diante do êxito&amp;nbsp;numérico da assistência,&amp;nbsp;"injetaram forte teor político e orgânico à manifestação".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela valeu-se da expressão "foi uma coisa linda" muitas vezes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eis o que eu preciso lhes dizer sobre isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam como caminha nossa juventude vermelha! O jovem das lêndeas encantou-se com o que ele chamou de "manifestação de leninismo". A jovem rubriplúmea, então, explicou-me (ou tentou explicar) o que havia acontecido na "universidade" - o que seria, afinal, a tal "demonstração de leninismo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendi patavina!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que pude concluir do que li,&amp;nbsp;foi o seguinte: a ala "jovem" do PCdoB (formada, quero crer, pelos "quadros de base") faz um tremendo sucesso entre a juventude brasileira. Afinal, convenhamos, transformar uma fila-indiana de 10, 15 pessoas, numa turba de 500, não é pra qualquer um. O que me fez lembrar do PSOL, claro, uma de minhas obsessões que trago no bolso do paletó: sexta-feira após sexta-feira estão lá, em torno do caixote de madeira que cumpre o papel de palanque no Buraco do Lume para os debates políticos do partido (eles não usam palanques e nem fazem comícios, apenas promovem debates), não mais do que 5, 10 quadros do partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aulas de "demonstração de leninismo", é disso que o PSOL precisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-5774362611301694908?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/5774362611301694908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=5774362611301694908&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/5774362611301694908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/5774362611301694908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/02/ainda-sobre-demonstracao-de-leninismo.html' title='AINDA SOBRE A DEMONSTRAÇÃO DE LENINISMO'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-1204478789218088063</id><published>2011-02-23T18:10:00.003-03:00</published><updated>2011-02-23T18:12:44.389-03:00</updated><title type='text'>DEMONSTRAÇÃO DE LENINISMO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em mais de uma oportunidade vali-me, aqui, diante de vocês, da seguinte imagem (hoje serei mais detalhista): vou ao espelho, todas as manhãs, e verifico, com certa&amp;nbsp;dose de autocomiseração, o quão próximo da múmia eu estou. Sim, da múmia. Sinto-me velho, caquético, cada vez mais distante da juventude&amp;nbsp;com a qual esbarro nas minhas idas e&amp;nbsp;vindas e cada vez mais&amp;nbsp;admirado com a sapiência de Nelson Rodrigues que, sempre que indagado a respeito de um conselho para os jovens, dizia:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Envelheçam!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou explicar o porquê de voltar ao tema: hoje cedo, a caminho do trabalho, sentei-me ao lado de um jovem.&amp;nbsp;Não fosse a camiseta do PCdoB e eu juraria estar dividindo o banco do coletivo com um membro do PSOL. Escrevi "membro" mas queria mesmo era dizer "quadro", o PSOL não tem filiados, não tem simpatizantes, o PSOL tem quadros. Vamos em frente, com a descrição do jovem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O jovem era&amp;nbsp;metade cabelo. E com lêndeas que saltavam à vista de todos, como golfinhos na Baía de Guanabara de priscas eras. A camisa vermelhíssima do PCdoB, uma bermuda jeans que me pareceu rasgada de propósito e chinelos. Assim que me sentei estrilou o celular do jovem. Não era um toque qualquer, um trinado, era o&amp;nbsp;Hino da Une, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes. Foi efusivo, o jovem:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fala, companheiro!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muitas gírias, muitas vezes&amp;nbsp;mencionada a palavra "ocupação", "atividade", até que houve a frase que me fez quicar na poltrona do lotação:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Cara, ela ontem deu uma demonstração de leninismo impressionante!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Levantei-me, estava próximo o ponto. E saltei do ônibus carregando nos ombros o peso da mais absoluta ignorância.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atravessei a Nilo Peçanha e fui ao balcão do café Capital, na passagem para a Erasmo Braga. Dona Luiza serviu-me o café de todos os dias, viu-me mexendo o café num exercício de pura obsessão (não uso açúcar e nem adoçante), batendo a colherinha no pires e disse, observadora:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Aconteceu alguma coisa, doutor?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiz que não com a cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiquei ali - o quê?! - uns 5 minutos com cara de parvo. O quê seria, meu Deus?!, uma "demonstração de leninismo"?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São 18h10min, e estou aqui fazendo este tolíssimo relato com o intuito único e talvez egoísta de buscar ajuda. O que é uma "demonstração de leninismo"?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem puder me dar uma pista, por favor, deixe um comentário ou me envie&amp;nbsp;um &lt;strong&gt;&lt;a href="mailto:butecodoedu@gmail.com"&gt;e-mail&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Serei, prometo, eternamente grato.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-1204478789218088063?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/1204478789218088063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=1204478789218088063&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/1204478789218088063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/1204478789218088063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/02/demonstracao-de-leninismo.html' title='DEMONSTRAÇÃO DE LENINISMO'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-6553340864818578361</id><published>2011-02-14T16:00:00.000-02:00</published><updated>2011-02-14T16:03:01.921-02:00</updated><title type='text'>DEVASSANDO A VIDA DO BALOFO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Arrumei mais sarna pra me coçar. Desde hoje estou respondendo às perguntas de quem me lê através deste endereço, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.formspring.me/butecodoedu" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-6553340864818578361?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/6553340864818578361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=6553340864818578361&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/6553340864818578361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/6553340864818578361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/02/devassando-vida-do-balofo.html' title='DEVASSANDO A VIDA DO BALOFO'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-3541308281757156765</id><published>2011-02-14T15:50:00.002-02:00</published><updated>2012-01-24T23:03:12.627-02:00</updated><title type='text'>BAR DA BOA, NA LAPA, RJ</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ESTE TEXTO AGORA PODE SER LIDO &lt;b&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.wordpress.com/2011/02/14/bar-da-boa-na-lapa-rj/" target="_blank"&gt;AQUI&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-3541308281757156765?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/3541308281757156765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=3541308281757156765&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/3541308281757156765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/3541308281757156765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/02/bar-da-boa-na-lapa-rj.html' title='BAR DA BOA, NA LAPA, RJ'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-2143494633689493351</id><published>2011-02-08T08:00:00.004-02:00</published><updated>2011-02-08T14:40:04.608-02:00</updated><title type='text'>HOJE É DIA DE MARIANA BLANC</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Hoje﻿ é dia de Mariana Blanc, minha comadre de fato e de direito, a quem carinhosamente chamo de Greta Garbo da Tijuca - nasceu pra ser estrela e guarda mistérios insondáveis por trás dos olhos ligeiramente estrábicos que ela, sempre muito elegante, prefere dizer que são como são por conta da presbiopia. Filha mais velha&amp;nbsp;de um grande amigo, um ídolo, um de meus orixás vivos, é mãe da dona dos cílios mais lindos que meus olhos com ptose (também tenho minhas manias, pô!) jamais viram. Foi a ela - &lt;em&gt;"Pra Mariana"&lt;/em&gt; - que Aldir dedicou seu "Rua dos Artistas e Arredores", de 1978. E a ela - &lt;em&gt;"Pra Mariana, de novo"&lt;/em&gt; - também que dedicou "Porta de Tinturaria", de 1981, duas obras-primas das letras cariocas - como ela, de certo modo.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Devo à Mariana, mais que a Milena, minha afilhada mais velha, o suporte de minhas noites de terror entre março e junho (algo asssim) de 1999, quando o Capela me assistia perdido em busca do norte depois de uma turbulenta separação. O que não deixa de ser irônico. Ela, furiosa que só ela, piscando aqueles olhos estrábicos (são estrábicos, pô!) e me acalmando com sua doçura indizível que poucos&amp;nbsp;vêem (porque ela, sábia, pouco mostra de sua doçura).&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Teve Milena cedo, ainda moça, e a Milena é o retrato e o atestado da grandeza de minha comadre. Minha menina não se cansa de dizer - ontem mesmo disse! - o quanto é impressionante&amp;nbsp;a doçura da moça dos cílios mais lindos - e é assim porque foi gerada, criada, mimada, educada e protegida pela minha comadre.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;A Mariana é branca e samba feito preta. Mora na Tijuca e é uma vizinha de subúrbio. Adora, por diletantismo, uma grossa pancadaria - puro teatro. Prefere dizer que bebe "breja" - cerveja todo mundo bebe. Manda "bicos" em vez de "beijos" - comum demais. Emite sinais, permanentes, de seus dotes, de&amp;nbsp;seus motes, e&amp;nbsp;o que já apanhou da vida - como apanhamos todos nós - não é brinquedo. Escreve&amp;nbsp;que é uma beleza - seu blog, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://cartasdehades.blogspot.com/" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; - e ler o que minha comadre escreve é como ler a bula do que lhe vai na alma.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Nesses mais de 20 anos de convívio já perdemos amigos a quem considerávamos irmãos. Dividimos as dores - Marco Aurélio e Fernando Toledo ainda doem - mas fomos sempre capazes de, seguindo a lição de seu pai, erguer nosso copo ao humor. Cantamos juntos, formamos uma dupla fadada ao fracasso, mas somos um sucesso nas mesas de botequim que, vez por outra, dividimos por aí.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Pois na manhã desse 08 de fevereiro, diante da xícara de café preto (como a alma de minha comadre, preta como a mais preta baiana do nosso Salgueiro), ergo bem alto o copo imaginário da "breja" mais gelada em sua homenagem. Mirando os olhos da menina nos ombros do pai, crava-se em mim uma certeza: são, até hoje, os mesmos olhos. Os mesmos olhos que, sombreados na&amp;nbsp;fotografia, escondem o estrabismo (é estrabismo, pô!). Só não escondem - muito&amp;nbsp;pelo contrário - a gaiatice da mulher que faz anos hoje. São os mesmos olhos. E o mesmo sorriso, diga-se.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Beijo, minha comadre. Amo você.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TVEV7DX566I/AAAAAAAADj8/RVPBGxctW0I/s1600/mariana+com+aldir.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" h5="true" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TVEV7DX566I/AAAAAAAADj8/RVPBGxctW0I/s320/mariana+com+aldir.jpg" width="215" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;﻿Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-2143494633689493351?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/2143494633689493351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=2143494633689493351&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/2143494633689493351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/2143494633689493351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/02/hoje-e-dia-de-mariana-blanc.html' title='HOJE É DIA DE MARIANA BLANC'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TVEV7DX566I/AAAAAAAADj8/RVPBGxctW0I/s72-c/mariana+com+aldir.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-9213862351692941242</id><published>2011-02-04T17:30:00.002-02:00</published><updated>2011-02-04T17:31:08.077-02:00</updated><title type='text'>O EDSON - CONFISSÕES</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse exercício que faço constantemente aqui no &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt;, de voltar ao passado pelas espirais da memória,&amp;nbsp;me é duríssimo - e explico. Em primeiro lugar porque ele me joga na cara o peso de meus 41, quase 42 anos: é cada vez mais doído voltar à infância, cada vez mais emocionante reviver os cenários e os personagens que compõem minhas histórias. Em segundo lugar porque os efeitos colaterais do arremesso ao passado são muitos e difíceis de administrar: dá-me como se fora uma epidemia, e eu começo a acreditar (eis um prato cheio para um psicanalista) de verdade que estão todos vivos, que ainda uso calças curtas, camisa de listras e mais um sem fim de pequenos problemas. Vamos em frente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu não sei se vocês repararam, mas quando escrevi o texto do dia 02 de fevereiro - &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2011/02/dia-dois-de-fevereiro-pequenas.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; - citei, de passagem, o nome de uma das professoras de mamãe. Pois&amp;nbsp;seu nome ficou&amp;nbsp;ecoando em torno de mim e eis que saltou, num átimo, também diante de mim, o Edson. Eu acabo de escrever "Edson" e já começo a rir. O Edson, que foi padrinho de casamento de meus pais - meu Deus, o Edson ainda está vivo? Não sei. - foi protagonista, ao longo da vida, das mais inacreditáveis histórias que eu jamais ouvi. Era sempre assim: papai chegava do trabalho. Mamãe, ainda da cozinha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meudi, sabe a última do Edson? - Meudi é como mamãe chama o papai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele, excitado, largando a pasta sobre a mesa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Conta, conta, conta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero mais lhes contar do Edson. Vou lhes contar sobre meu pai - ele é um personagem e tanto. O Edson fica para outra altura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês todos que me lêem sabem que vovó, mãe de mamãe, morreu em dezembro - lhes contei &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2010/12/vovo-1924-2010.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;. O que quero lhes contar aconteceu durante o período em que vovó ficou hospitalizada. Vamos porém, antes, a alguns detalhes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papai é um homenzarrão, altíssimo, forte, e ainda assim é um poltrão olímpico. Não pode ver sangue, que desmaia. Não agüenta visitar ninguém no hospital - e a palavra "hospital" já lhe dá náuseas. Não suporta - por fobia - os trancos mais violentos, digamos assim. Mamãe, por quem papai é completamente apaixonado, vive cercada de cuidados por parte do velho, e sabendo disso vamos em frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É evidente que papai não foi, dia nenhum, visitar vovó. Ia, diga-se, até o corredor do quarto fazendo companhia para mamãe. Mas não entrava. Vovó, uma mulher iluminadíssima e compreensível, disse, dia após dia (foram poucos, graças aos deuses), a mamãe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tadinho do Isaac, eu sei que ele não suporta hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu entrava, mudava pouco:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tadinho do seu pai, eu sei que ele não suporta hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. Vovó não estava bem, tínhamos pouco tempo para a visita, e decidimos sair para almoçar no primeiro dia em que as notícias não foram muito boas - eu, papai e mamãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À mesa, já mais relaxados, papai disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha filha... - o "minha filha" era a certeza de que vinha emoção pelo caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alisando as mãos de mamãe, olhos ligeiramente marejados, ele soltou o petardo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ... você não se preocupe, viu? No dia em que sua mãe... é... no dia em que sua mãe... hum... Minha filha, no dia em que sua mãe bater as botas, eu cuido de tu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele pronunciou "bater as botas" eu e mamãe explodimos numa gargalhada que o deixou constrangido. Éramos nós, mãe e filho, diante daquele gigante tentando fazer poesia. Mudamos o rumo da prosa e deu-se o mesmo roteiro no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pediu sua dose de Red Label, pigarreou, piscou os olhos numa velocidade absurda - outro sinal de que lá vinha emoção - e disse, com as mãos de mamãe entre as suas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha filha, eu já te disse... Quando sua mãe... é... Bem... Quando sua mãe... Minha filha, quando sua mãe descansar em definitivo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra explosão. O mesmo constrangimento. Mudamos o rumo da prosa e deu-se tudo como dantes no dia do terceiro almoço. Papai, escolado pelas falas dos dias anteriores, inspirou muito fundo, pôs as mãos nas orelhas da mamãe, diante dele, e disse, de sopetão (ali eu tive a certeza de que ele ensaiara a nova performance):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha filha, quando sua mãe atravessar para o outro lado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conseguiu, pela terceira vez, completar a frase. Nesse dia ele reagiu. Explodiu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês querem que eu fale o quê?! Quando ela morrer?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu e mamãe rolando no chão do restaurante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram-se mais uns dias e eis que vovó foi oló.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisa de umas semanas depois fomos todos jantar na casa de meus pais - eu e meus irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E durante o jantar, o momento solene depois de um pigarro circunspecto de meu pai:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gente... Tenho uma coisa pra contar pra vocês...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um burburinho de risos contidos. Minutos antes, abrindo os trabalhos à mesa, mamãe havia&amp;nbsp;proposto um brinde à memória de vovó, estávamos todos emocionados. E meu pai, sério:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Prrrrr...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pequena pausa. "Prrrrr" é o som que ele emite quando quer dizer "porra". Mas como papai não fala palavrão na frente de mamãe, sai "prrrrr" mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Prrrrr... Como se não bastasse a morte da dona Mathilde...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um entrelaçar alucinante de olhos. O que vem por aí?, era a pergunta em neon na testa de cada um à mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu perdi a eleição ontem. Não fui reeleito síndico... - disse, sorumbático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu-se uma explosão de risos, soquinhos&amp;nbsp;sobre a mesa, uivos de tanto que se ria, e papai ali, tadinho, achando que ninguém compartilhava sua decepção com a derrota da véspera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-9213862351692941242?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/9213862351692941242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=9213862351692941242&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/9213862351692941242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/9213862351692941242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/02/o-edson-confissoes.html' title='O EDSON - CONFISSÕES'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-1807729065287696419</id><published>2011-02-03T14:00:00.003-02:00</published><updated>2011-02-03T14:19:14.134-02:00</updated><title type='text'>ARREMESSO AO PASSADO - MAIS CONFISSÕES</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde anteontem que estou para lhes contar sobre as expressões que minha bisavó usava e que tanto marcaram minha infância. Era minha intenção fazê-lo quando comecei a escrever no dia primeiro -&amp;nbsp;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2011/02/expressoes-de-minha-bisavo.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; - mas fui sendo sugado pelo ciclone da memória e acabei contando a história de meu encontro com Adele Fátima mais de 30 anos depois de tê-la visto, arrebatadora, nas páginas de uma revista Amiga que encontrei na casa de meus avós - quando eu era um menino de calças curtas, camisa de listras e conheci os encantos da quiromania. Ontem, dia de festa no mar - &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2011/02/dia-dois-de-fevereiro-pequenas.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; - mais uma vez não consegui. Fui enredado pelos encantos de Janaína e me perdi nas profundezas das emoções que me moldaram. Vamos a elas, hoje. Estou, confesso, excitadíssimo com a possibilidade de lhes contar sobre isso, muito mais - é evidente - por conta do que isso provoca em mim do que pelo simples agrado a cada um dos meus poucos mas féis leitores. Não são expressões, exatamente, mas isso é o que menos importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha bisavó morava numa vila - isso eu já lhes disse. Morava com meus avós e com sua irmã, tia Idinha. Ela passava - se é ou não a verdade, nada interessa, vale o que tenho em&amp;nbsp;mim - grande parte do dia na janela. Bastava passar uma gostosa (dou-me conta, hoje muito mais, do quanto eram gostosas algumas das moças que iam e vinham) e ela dizia em direção à irmã:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lá vem aquela sirigaita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu lhes pergunto: quem ainda usa a palavra "sirigaita"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem a cena à minha mente: minha bisavó e sua irmã usavam leque (ninguém mais usa leque). Podia estar quente, chovendo, um frio dos diabos, lá estavam as duas de rede&amp;nbsp;no cabelo e leque numa das mãos. O leque gerava uma série de códigos que eu ia pescando aos poucos. A situação era grave? Fechava-se o leque num átimo de segundo e dava-se uma pancadinha na palma da outra mão. Fofocavam as duas? O abanar era frenético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as refeições?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vovó tinha uma mesa muito antiga, dessas que têm a possibilidade de serem abertas no meio. De dentro da fenda aberta saltava outro tanto de madeira e a mesa crescia. Pois se havia balbúrdia&amp;nbsp;à mesa - e sempre havia balbúrdia à mesa - vinha o grito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Silêncio no tribunal! Silêncio no tribunal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acaba de me ocorrer que talvez, por isso, eu tenha seguido a carreira de advogado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noutras ocasiões, a blague era diferente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calma no Brasil!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tia Idinha completava, ensaiadíssima:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ... que a Europa está em guerra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha bisavó não me dava bronca, não me dava esporro: os verbos conjugados eram outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou ser obrigada a ralhar contigo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou então:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou te passar um pito, menino!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis uma das provas de meu evidente desequilíbrio: estou aqui escrevendo e ouço, com direito a eco, a voz da minha bisavó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Mathilde, minha bisavó, era torcedora do Botafogo. Mantinha na cozinha de casa&amp;nbsp;um escudo com a estrela solitária desenhada com palitos de fósforo. Era dia de jogo do Botafogo. Se caía num domingo, lá estava também o tio Hique (que recebia o caboclo Tupiara, como lhes contei ontem), botafoguense também. E o jogo era ouvido no radinho de pilha. Gol contra o Botafogo? Ela era implacável:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Papagaio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem: deu-se em mim a guinada do tempo, o arremesso violento em direção ao passado e quero lhes contar uma das mais inacreditáveis&amp;nbsp;histórias envolvendo a família (as expressões de minha bisavó foram apenas o pavimento pra que eu voltasse pra bem longe). Omitirei os nomes, todos trocados. Mas a história é 100% verdadeira e&amp;nbsp;parte do anedotário coletivo dos Monteiro de Barros, dos Montenegro Braga, dos Goldenberg, todos unidos pela mágica da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Angelina tinha uma irmã surda-muda. Ativíssima, ativíssima! Tinha, é verdade, muitos outros irmãos, e como Paulina - a surda-muda - era uma pedra no sapato, vivia sendo arremessada pra lá e pra cá. Passava uma semana na casa de um irmão diferente. Dava-se o rodízio. O troço era sempre assim: chegava na casa de um no domingo à noite e lá ficava até o domingo seguinte. E quando chegava o domingo seguinte era uma festa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Graças a Deus! Paulina agora só daqui a um mês e meio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois num certo domingo desembarcou a Paulina na casa de Angelina. O domingo já foi um inferno. Na segunda-feira pela manhã - a casa estava em obras e&amp;nbsp;Angelina não contou com a compreensão de nenhum dos irmãos - "sai pra lá, segura que a batata é tua!" - a surda-muda acordou perto do meio-dia. E acordou, como se diz, com a macaca. "Mmmmmmmmmm" pra cá, "mmmmmmmmmm" pra lá, aqueles gestos que ninguém fazia muita questão de entender e a paciência de Angelina no limite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando teve a idéia que reputou brilhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou-se pro pintor, um homem de meia-idade, e foi franca, sincera, direta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor pode me fazer um favor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois não, dona Angelina. Pode dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Será que o senhor se importa de comer a minha irmã? Ela está impossível!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E esfregando as mãos, com os olhos semi-cerrados, completou o assédio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dá um sossega-leão nela, dá? Passa-lhe o rodo! Crava esse pincel nela!&amp;nbsp;- e deu de gargalhar feito uma louca, dando tapinhas no ombro do pobre-diabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu Onofre, o pintor, não achou má-idéia. Já havia comentado com o eletricista que a surda-muda "dá um caldo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Angelina saiu pra almoçar piscando o olho em direção ao seu Onofre:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Conto com o senhor, hein! E prometo uma gorjeta gorda se o senhor acalmar a Paulina!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas depois voltou pra casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu Onofre, em pé na escada, fez que "sim" com a cabeça. E&amp;nbsp;ela, aflita:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cadê ela? Cadê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele apontou pro corredor e disse&amp;nbsp;lixando&amp;nbsp;a parede:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No quarto. Dormindo. Parece morta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá estava Paulina. Dormia - esse detalhe é importante - com um sorriso nos lábios. Braços abertos, pernas à vontade, e assim ficou até umas sete da noite. Jantou em silêncio, o sorriso fixo nos lábios, como uma máscara. E foi assim até o domingo seguinte, quando foi despachada para a casa de outro irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos ao final da bulha (outra expressão de minha bisavó).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nove meses depois nasceu um menino saudabilíssimo, vendo, ouvindo e falando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Investiga daqui, investiga dali, chegou-se à verdade dos fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulina hoje mora com Angelina - os irmãos não perdoaram a irmã por conta da insanidade - e com Roberto Carlos, o filho do pintor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na escola, em tenra idade, o menino contou, é claro, a história pros amiguinhos de classe (sabem como é criança...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O duro mesmo é o apelido que ele carrega até hoje, já burro velho: Suvinil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-1807729065287696419?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/1807729065287696419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=1807729065287696419&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/1807729065287696419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/1807729065287696419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/02/arremesso-ao-passado-mais-confissoes.html' title='ARREMESSO AO PASSADO - MAIS CONFISSÕES'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-3620820593845669034</id><published>2011-02-02T07:00:00.004-02:00</published><updated>2011-02-02T11:19:53.865-02:00</updated><title type='text'>DIA DOIS DE FEVEREIRO - PEQUENAS CONFISSÕES</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu acho que já lhes contei isso algumas vezes, mas como sou um homem obsessivo, orgulhoso de minhas idéias fixas, não me importo de lhes contar mais uma vez, tudo de novo (acho que dessa vez com mais detalhes). É que hoje é dia dois de fevereiro, dia de festa no mar, e nesse dia - sempre! - quero ser o primeiro a salvar Iemanjá (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Dorival Caymmi&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;). E é isso - o por quê disso - que quero lhes contar hoje.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou o filho mais velho de um casal tijucaníssimo, da sola dos sapatos ao ponto mais alto da cabeça. Responsáveis diretos pelo barro que me molda,&amp;nbsp;é a eles que atribuo o que tenho de bom. O que tenho de ruim, bem, devo à tumultuada trajetória&amp;nbsp;pela qual passa todo ser humano: e só os canalhas mais sórdidos são inteiramente bons - se é que me faço entender. Um casal tijucaníssimo mesmo, inclusive se tomarmos os estereótipos como parâmetros. Ela, torcedora do America, ex-aluna do Instituto de Educação, na rua Mariz e Barros, salgueirense,&amp;nbsp;normalista, recitava quando menina&amp;nbsp;- foi aluna de sua madrinha, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Dalila Geraldo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Ele, vascaíno, ex-aluno do Instituto La-Fayette, na rua Haddock Lobo, freqüentava o Divino, na esquina da mesma Haddock Lobo com Matoso, e a Petrobras foi seu único emprego. Avô materno rubro-negro, ex-servidor do DNER, nunca mais foi ao Maracanã depois da tragédia de 1950. Avó materna, dona-de-casa, vendedora da Avon, da Jafra, eles também moradores da Tijuca. Avô paterno vascaíno, romeno ou russo (nunca se soube ao certo), chegou ao Brasil fugindo de Odessa, trabalhou com vendas a vida inteira, casado com minha avó&amp;nbsp;paterna, ambos judeus, também tijucanos. Vovô &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Milton&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, católico não-praticante. Vovó &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Mathilde&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, católica até certa altura&amp;nbsp;e espírita&amp;nbsp;convicta a partir de meados dos anos 50. Vovô &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Oizer&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; freqüentava a sinagoga&amp;nbsp;e reunia-se, todas as tardes, com velhinhos judeus na praça Afonso Pena, quando gastava o verbo, em&amp;nbsp;ídiche. Vovó &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Elisa&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, judia. Quando morreu, numa casa de repouso destinada às damas israelitas,&amp;nbsp;descobrimos que freqüentava um centro espírita, às escondidas, na Praça da Bandeira, com a anuência das enfermeiras que acobertavam seus passeios pelas aléias de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Kardec&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Papai nunca gostou de judeus - a razão é o menos importante. Sentia-se fora d´água entre os que&amp;nbsp;diziam&amp;nbsp;"seus". Apaixonou-se por mamãe, uma &lt;em&gt;goy&lt;/em&gt;, e encantou-se pela umbanda quando viu tio &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Hique&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, irmão de vovó &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Mathilde&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, recebendo o caboclo Tupiara numa sessão, na Tijuca. Disse-lhe o caboclo, dando-lhe tapas muito firmes no peito:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ainda vamos trabalhar juntos, filho!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Anos depois, papai&amp;nbsp;saiu dançando, sem mais nem menos, riscando ponto&amp;nbsp;no tapete arrancado com fúria com os próprios pés,&amp;nbsp;dentro de casa: era o caboclo Tupinambá, camarada de Tupiara,&amp;nbsp;o mesmo que no dia 26 de abril de 1969 apareceu pra ele, na cabeceira da cama, avisando que eu, esperado para o final de maio,&amp;nbsp;chegaria no dia seguinte. Como de fato cheguei.&amp;nbsp;Mamãe nasceu com vovó já espírita, foi presidente da Juventude Espírita do Rio de Janeiro, inclusive, mas rendeu-se também aos encantos do caboclo e dos tambores. Ele só a chama de "formosa". E ela recebeu avisos também, em forma de sonhos recorrentes, durante a gravidez, como lhes contei &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2010/02/dia-dois-de-fevereiro.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, em 02 de fevereiro do ano passado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Consta que mamãe, grávida de mim, seu filho mais velho, tinha um sonho recorrente. Na praia, na areia, diante do mar revolto, mamãe chorava angustiada olhando pro mais alto, onde nuvens carregadas davam cores mais trágicas a seu medo e seu temor. Das águas do mar, emergia uma moça bonita, com olhos doces e feição amorosa, trazendo uma criança no colo que era oferecida à minha mãe. Mamãe chorava - e chorava muito. Negava o presente das águas, e a moça bonita mantinha os braços estendidos em sua direção com expressão ligeiramente autoritária e impositiva. Passado um tempo, rendida à insistência daquela mulher, mamãe caminhava pro mar. E quando seus pés tocavam a espuma das ondas que arrebentavam na areia, o céu se abria, o mar acalmava e a moça desaparecia nas profundezas das águas. Era quando mamãe me punha no colo, os olhos lavados de lágrimas e maresia. Hoje, dia de festa no mar, dia de Yemanjá, dedico à minha mãe minha mais profunda gratidão por ter me criado como me criou. Agradeço aos deuses que me emocionam a cada dia mais pelo fato de eu ter vindo ao mundo através dela, a mais doce das mulheres, rigorosa, impetuosa, generosa acima de tudo, imagem e semelhança da moça do mar."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse caldeirão, vim ao mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De nada me lembro do que contam meus pais, do que contava minha avó: eu, em tenra idade, tinha diálogos intermináveis com o mar. Não havia pai, mãe, avó, não havia santo ou demônio que me tirasse da beira d´água quando eu ia à praia. Gritava palavras ininteligíveis, brandia os braços, fazia saltar as veias do&amp;nbsp;pescoço, e invariavelmente só voltava pra&amp;nbsp;barraca, com um sorriso no rosto, depois de encerrado o bate-papo com o invisível.&amp;nbsp;E em casa, era comum a cena:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dudu? Vem, filho. Tá na mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Péra. Tô brincando de arco-e-flecha com os índios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei grande parte da infância no clube Monte Sinai, clube tijucano que ficava ao lado do prédio em que morávamos. Namorei uma judia e quase fui fuzilado por meu pai. A primeira mulher que conheci biblicamente era uma mulata, e justo em Volta Redonda, durante um torneio de natação, a mesma terra que viu nascer a mulher que me ensinou a sorrir, minha menina.&amp;nbsp;Tenho dezenas de Bar-Mitzvah no currículo, recito trechos inteiros da Torá, de cabeça (para desespero de meu velho), me amarro em conversar com Tupinambá quando ele baixa no terreiro de papai, tenho vaga lembrança das idéias que troquei com Tupiara na pele de meu tio &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Hique&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, não perco por nada a missa no dia de São Sebastião, no dia de São Jorge, no dia de São Judas Tadeu, virei devoto de São Peregrino, tomo remédios fitoterápicos recomendados pelo espírito de um médico curitibano, gosto de&amp;nbsp;tomar passe em centro espírita, fico impactado e emocionado num terreiro de candomblé, travo a garganta com os tambores e os cantos da umbanda e já conversei com&amp;nbsp;preto velho, com seu Zé, com Maria Padilha, com o povo da rua.&amp;nbsp;Minha religião, definitivamente,&amp;nbsp;é o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogar flores no mar no dia 31 de dezembro é um ritual que acompanho desde que nasci. Papai, quando morava com eles, saía de casa antes das seis da manhã carregando maços e maços de palmas brancas. Sempre na Praia Vermelha, na Urca, e ele sempre me mostrava o morro que, visto do calçadão,&amp;nbsp;se&amp;nbsp;parece com o perfil de um índio velho. Eu o imitava, cheio de orgulho. Ia ao mar, molhava os pés, entrava um pouquinho na água com as palmas nas mãos, dizia uma coisa ou outra, conversava com Iemanjá e fazia minha oferenda na expectativa de que fosse bem aceita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De uns anos pra cá, me foi dito que sou filho de Ogum. Ganhei das mãos generosas de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Luiz Antonio Simas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; seu &lt;em&gt;ileke&lt;/em&gt; de contas vermelhas, pretas e azuis. Somos filhos do mesmo pai. E Exu sopra, diuturnamente, no meu ouvido - fui duas vezes consultar Ifá, e foi batata. Depois, o mesmo &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Simas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; deu-me um de seus tesouros (entregou-me, comovidíssimo, no dia de meus 40 anos): a imagem de São Jorge Guerreiro, meu pai Ogum, que guardava o congá do terreiro de xambá comandado por sua avó - e que hoje guarda minha casa. Há anos que vou ao mar no dia dois de fevereiro. Ninguém mandou, ninguém pediu, ninguém sequer me sugeriu. Vou - simplesmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como fui hoje. Pra rezar, pra cantar baixinho, pra render minhas homenagens.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;object height="28" width="335"&gt;&lt;param value="http://www.divshare.com/flash/audio_embed?data=YTo2OntzOjU6ImFwaUlkIjtzOjE6IjQiO3M6NjoiZmlsZUlkIjtpOjEzOTM3Mjg0O3M6NDoiY29kZSI7czoxMjoiMTM5MzcyODQtZjRmIjtzOjY6InVzZXJJZCI7aToxODEyODE7czoxMjoiZXh0ZXJuYWxDYWxsIjtpOjE7czo0OiJ0aW1lIjtpOjEyOTY1ODU1MTU7fQ==&amp;autoplay=default" name="movie"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed wmode="transparent" height="28" width="335" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" src="http://www.divshare.com/flash/audio_embed?data=YTo2OntzOjU6ImFwaUlkIjtzOjE6IjQiO3M6NjoiZmlsZUlkIjtpOjEzOTM3Mjg0O3M6NDoiY29kZSI7czoxMjoiMTM5MzcyODQtZjRmIjtzOjY6InVzZXJJZCI7aToxODEyODE7czoxMjoiZXh0ZXJuYWxDYWxsIjtpOjE7czo0OiJ0aW1lIjtpOjEyOTY1ODU1MTU7fQ==&amp;autoplay=default"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Axé.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-3620820593845669034?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/3620820593845669034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=3620820593845669034&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/3620820593845669034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/3620820593845669034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/02/dia-dois-de-fevereiro-pequenas.html' title='DIA DOIS DE FEVEREIRO - PEQUENAS CONFISSÕES'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-4986494292682565630</id><published>2011-02-01T09:45:00.003-02:00</published><updated>2011-02-01T10:08:06.531-02:00</updated><title type='text'>EXPRESSÕES DE MINHA BISAVÓ</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha bisavó, minha saudosa bisavó - e como já falei sobre ela aqui - era uma mulher que trazia no bolso do vestido uma enciclopédia de expressões que marcaram, como a marca do ferro em brasa, minha infância. E minha bisavó vive, pra mim, em três cenários: na primeira vila que conheci, na Professor Gabizo, perto da Heitor Beltrão; depois, na vila da São Francisco Xavier, entre o Orsina da Fonseca e a Igreja de São Francisco Xavier do Engenho Velho; e por último, no Lins, seu último endereço. As lembranças da primeira vila são vagas, muito vagas, e dela guardo esparsas passagens. Uma me marcou tremendamente e seria, tenho certeza, prato cheio para um psicanalista. Tinha eu - o quê? - não mais do que&amp;nbsp;cinco anos de idade. Mamãe tinha uma empregada, creio que minha babá (o nome, não lembro). Pois a preta um dia me pôs, certo dia,&amp;nbsp;diante da TV. Na tela, aquelas listras coloridas na horizontal, expediente usado durante anos pelas TVs antes ou após a programação regular. Eu devia estar pintando e bordando, é o que penso hoje. Disse-me a babá:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Dudu, senta aqui! - e apontou-me o sofá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre fui obediente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mostrou-me a telinha e disse:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Olha a cortina do circo, olha! Já,&amp;nbsp;já, vão levantar a cortina. E você vai ver palhaços, engolidores de fogo, elefantes, leões...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro-me vagamente desse dia. Mas uma certeza me assola: esperei durante horas pelo circo que, é claro, não veio. E a preta retinta, dulcíssima:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O adestrador está atrasado. Espere! Espere!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o palhaço era eu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da casa da vila da São Francisco Xavier as memórias são mais sólidas, palpáveis, o cheiro daquela casa, daquela vila, tudo está vivíssimo em mim. Foi ali, e eu nem sei quantos anos tinha, que pus álcool na boca pela primeira vez. Moravam ali minha avó, meu&amp;nbsp;avô, minha bisavó e sua irmã,&amp;nbsp;tia &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Idinha&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Vovô mantinha um bar suntuoso na sala e eu sempre me encantava com a&amp;nbsp;licoreira de cristal verde: era licor de menta. Diversas vezes, quando sozinho, mandava um cálice pra dentro. Era pastilha Garoto líquida! Ali, também,&amp;nbsp;conheci a quiromania. Folheando uma revista&amp;nbsp;&lt;strong&gt;AMIGA &lt;/strong&gt;deparei-me com&amp;nbsp;uma foto da &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Adele Fátima&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; vestindo um biquini amarelo. Senti uma novidade entre as pernas e uma aguda vontade de ficar escondido. Voei pro banheiro de azulejos amarelos e saí de lá vendo estrelas: a vida mudou dali em diante. Anos depois, muitos anos depois - desconfio que eu já tenha lhes contado essa história&amp;nbsp;aqui - encontrei &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Adele Fátima&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, por acaso, infelizmente, num restaurante no Leblon. Corria o ano de 1999 e eu estava saindo da estréia do espetáculo &lt;strong&gt;ALDIR BLANC, UM CARA BACANA&lt;/strong&gt;, no Teatro da Lagoa. Para piorar - no melhor dos sentidos - eu estava na companhia do bardo tijucano. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Aldir&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que sabia da história, disse-me comovido:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah, mas você não pode perder essa oportunidade...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de algumas doses de Jack Daniel´s, ele voltou à carga:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vai&amp;nbsp;lá, vai lá!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aproximei-me dela. A cada passo, um retrocesso no tempo. A cada passo, a transformação. E quando me cheguei ela já estava de biquini amarelo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Com licença...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sorriso mais absurdo de tão bonito, um arremesso agudo em direção&amp;nbsp;ao passado, a voz que eu &lt;strong&gt;NUNCA&lt;/strong&gt; (com a ênfase szegeriana) vou esquecer:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pois não, querido...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu preciso te contar uma coisa...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro sorriso, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Aldir&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; batia palmas da mesa, pus sua mão entre as minhas e disse (o agudo do vexame é que brotavam lágrimas de um menino de tenra idade dos meus olhos às vésperas dos 30 anos):&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Minha primeira punheta foi pra você...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vejam&amp;nbsp;bem: ela poderia, e&amp;nbsp;não sem razão, lançar o Dry Martini que bebia no meu focinho de inconveniente. Poderia, ainda,&amp;nbsp;clamar por socorro diante daquele imbecil. Dar-me um tapa na cara, fazer o diabo. Nada disso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;À feição da Branca de Neve do inesquecível &lt;strong&gt;A HISTÓRIA QUE AS NOSSAS BABÁS NÃO CONTAVAM&lt;/strong&gt;, &lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;Adele Fátima&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;pôs a mão direita em minha nuca e levou-me até seu ombro (e que colo!, que colo!, que colo!). E disse (estou aqui escrevendo e ouço com uma nitidez impressionante sua voz):&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ô, meu querido... Que bonitinho!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu ia lhes contar sobre as expressões que minha bisavó usava. Vai ter de ficar pra amanhã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Choro de esguichar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-4986494292682565630?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/4986494292682565630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=4986494292682565630&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/4986494292682565630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/4986494292682565630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/02/expressoes-de-minha-bisavo.html' title='EXPRESSÕES DE MINHA BISAVÓ'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-6177429966975190271</id><published>2011-01-31T19:45:00.001-02:00</published><updated>2011-01-31T20:00:27.169-02:00</updated><title type='text'>O ASCÂNIO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ascânio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; sofre - é como ele sente o troço - desde que se entende por gente. Desde o colégio que é sempre a mesma lenha. Basta ele dizer o nome - "Meu nome é Ascânio" - e dá-se, até hoje, uma cena: o interlocutor ri, faz uma máscara de espanto, repete o nome em tom de indagação, e isso - é ele mesmo que conta - fez dele um homem reprimidíssimo, vá entender. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ascânio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; tem 52 anos de idade e herdou do pai a tinturaria que mantém a pleno vapor na região da Praça da Bandeira. Tem&amp;nbsp;seis funcionários, sendo que dois fazem o serviço de coleta e entrega do material a ser lavado. É casado com a &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Dorotéia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, e ele acha, quando pensa no assunto, que escolheu a mulher pelo nome. Queria, vá entender, uma mulher com um nome tão estranho quanto o dele. E o que faz a &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Dorotéia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Porra nenhuma! - é a resposta de sempre, dada a quem pergunta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Semana passada, voltando da tinturaria, deparou-se com a seguinte cena: a mulher desmaiada no chão. Era, além de tudo, epiléptica. Pensou alto:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Daqui a pouco a vaca levanta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Verificou, com nojo, abrindo sem cuidado a boca da coitada,&amp;nbsp;a língua da mulher. Normal. Havia um pouco de baba no tapete, e ele pensou, alto de novo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que nojo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi ao banho. Ligou o radinho de pilha, ouviu a resenha esportiva, vestiu o pijama e voltou&amp;nbsp;à sala. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Dorotéia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; na mesma posição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Será que morreu? - perguntou em direção ao espelho sobre o bufê.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deu um chute, de leve, nas pernas da mulher.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela grunhiu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Levanta, mulher. Tô com fome.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era mentira que ela não fazia "porra nenhuma", como ele espalhava aos quatro ventos&amp;nbsp;nas&amp;nbsp;dezenas de bares que freqüentava, todos ali na região. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Dorotéia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; cozinhava bem pra burro. E mantinha uma rotina, com a intenção de agradar o marido por quem tinha - eis a verdade que o sujeito jamais reconhecera - verdadeira adoração: assistia a todos os programas de culinária ao longo da manhã e da tarde a fim de escolher o cardápio do marido, que&amp;nbsp;almoçava e jantava em casa todo santo dia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela grunhiu de novo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobre a mesa ele viu o caderno de receitas mantido pela mulher - um deles - e os ingredientes do suflê de bacalhau que, foi o que ele imaginou, seria feito para o jantar. Foi à cozinha, mandou o louro calar-se - tinham um louro - e viu, sobre a pia, a peça de bacalhau dessalgando. Ficou com a boca cheia d´água. Espiou pela porta, a mulher na mesma posição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Chamo ou não chamo a ambulância, louro? - em tom de blague.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O louro, mudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pôs o dedo indicador na água e lambeu o dedo. Pensou&amp;nbsp;no quanto de ódio sentia pela vida modorrenta que levava. Transtornou-se, e&amp;nbsp;nem ele mesmo entendia o porquê de sua inércia diante do corpo inerte da mulher. Foi ao quarto dos fundos. Pegou um do cabides de arame, dos antigos, antes da aquisição das&amp;nbsp;centenas de cabides plásticos, mais modernos, para o próprio negócio. Foi à sala. Olhou bem nos olhos da mulher, abertos, e ela arfava e gemia o nome do marido provocando nele uma sensação inacreditável, entre o prazer e o medo, entre o ódio e&amp;nbsp;a piedade, entre o trauma e a superação. Enforcou a mulher com o arame do cabide e a viu enrubescendo, esbugalhando os olhos, mordendo a própria língua, que foi inchando, e deu tantas voltas no arame do cabide que sentiu ficar por um fio o ato de cortar-lhe o pescoço. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Dorotéia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; morta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi ao quarto. Tirou o pijama e escolher a melhor roupa. Vestido, procurou na gaveta a fotografia que mantinha guardada, de seus pais. Sempre ouvira do pai:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tua mãe que escolheu teu nome, Ascânio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentou-se no sofá diante do corpo da mulher. Ficou ali, uns bons minutos, olhando para os pais. Rasgou a fotografia ao meio, a mãe separada do pai depois do gesto do filho. Fez um cone com a metade que trazia o pai. Enterrou a fotografia, enrolada, na boca babada da mulher morta. Achou graça. Gargalhou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi à cozinha. Abriu a geladeira. Serviu-se de uma dose de vinho tinto, desses de garrafão, bebida de todas as refeições, recomendações médicas. Arrotou, foi à sala e arrancou uma folha em branco do caderno de receitas da mulher. Escreveu, sem pressa: &lt;em&gt;"Ascânio é a puta que te pariu"&lt;/em&gt;, e meteu o papel no bolso do paletó (estava de paletó).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voltou&amp;nbsp;à sala e atirou-se, sem titubear, da janela do sexto andar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Morreu, é evidente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas morreu nos garfos do portão de ferro da portaria. Caiu de bruços, rasgado por quatro dos garfos do portão, perfurado - &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ascânio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; foi ao chão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bombeiros serraram o portão, e foi varado por quatro barras de ferro que &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ascânio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; foi pro IML.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A primeira coisa que o legista fez foi verificar os bolsos do infeliz. Leu, em voz alta, o que nem poderia ser chamado de bilhete&amp;nbsp;que estava sujo de sangue no bolso do paletó. Quando leu &lt;em&gt;"Ascânio é a puta que te pariu"&lt;/em&gt; teve a impressão, nítida, de que vira o cadáver sorrir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-6177429966975190271?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/6177429966975190271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=6177429966975190271&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/6177429966975190271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/6177429966975190271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/01/o-ascanio.html' title='O ASCÂNIO'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-6372452864301850134</id><published>2011-01-29T09:40:00.004-02:00</published><updated>2011-01-29T09:49:58.585-02:00</updated><title type='text'>VARANDÃO SONORO DOS SÁBADOS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muito suíngue na manhã desse sábado de sol, arrombando a retina de quem está no Rio. Fala-se em Rio de Janeiro, fala-se em sol, pensa-se em praia. Nada contra a praia, mas eu, do alto de meus 41 anos, acho mais graça, hoje, em curtir um sábado desses na Tijuca, minha aldeia. Cachoeira pra poucos, brotando da Floresta da Tijuca, é sempre minha pedida. E eu, que moro na Haddock Lobo, quase na esquina da Matoso, rasgo a Conde de Bonfim em direção ao alto da Tijuca com &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Tim Maia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, no máximo volume, cantando uma das mais famosas esquinas do bairro onde nasci, onde fui criado e que há de me ver morrer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" class="youtube-player" frameborder="0" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/ojRP_LGVEd4?rel=0" title="YouTube video player" type="text/html" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/center&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-6372452864301850134?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/6372452864301850134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=6372452864301850134&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/6372452864301850134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/6372452864301850134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/01/varandao-sonoro-dos-sabados.html' title='VARANDÃO SONORO DOS SÁBADOS'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/ojRP_LGVEd4/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-1197173572533221422</id><published>2011-01-28T10:00:00.001-02:00</published><updated>2011-01-28T14:32:03.063-02:00</updated><title type='text'>O VASCO NÃO PODE EURICAR</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(pra meu pai, Isaac, pra Aldir Blanc, Mariana Blanc e Milena Blanc)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou, vocês estão cansados de saber, Flamengo há não sei quantas encarnações. Nasci, dessa vez, em 69, em ninho de vascaínos. Vô paterno vascaíno, o velho &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Oizer&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2006/02/ventos-em-meu-corao.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;), pai vascaíno, o velho &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Isaac&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (que passou pela tristeza de assistir, &lt;em&gt;in loco&lt;/em&gt;, à minha conversão, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2009/06/digressoes-mais-digressoes.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;), um&amp;nbsp;irmão que seguiu pela trilha cruzmaltina, amigos mais-que-queridos que&amp;nbsp;dividem a mesma crença, uma comadre que tem ataques apopléticos a cada jogo do time da colina e uma afilhada que tem surtos de ai-meu-Deus a cada derrota. Como se não bastasse, tenho pelo Vasco (e me é evidente que a raiz disso tudo está nas incansáveis tentativas&amp;nbsp;empreitadas por meu pai para me ver vascaíno como ele), intensa admiração (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2007/12/sobre-o-vasco-da-gama.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, falo sobre isso). Sou - e já disse isso reiteradas vezes - um homem em estado de profunda admiração diante da torcida cruzmaltina. É, de longe, a mais carioca de todas. A mais cafona - e tenho, pela cafonice, uma atração indizível. E a fase pela qual passa o clube de São Januário (eis o que quero lhes dizer) tem me deixado, saquem a ironia, em estado de profunda preocupação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dividi, durante anos, com meus mais-chegados, a indignação por conta da direção do clube, nas mãos sujas do sujo &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Eurico Miranda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Trocava telefonemas extensos com o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Aldir&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, por exemplo, que tinha ataques de cólera por conta do &lt;em&gt;modus operandi&lt;/em&gt; do canalha. Até que, muitos anos depois, muitos anos depois de intenso locupletamento, assume o clube o ídolo &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Roberto Dinamite&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por não ser vascaíno, desconheço o que se passa em São Januário. Não sei a quê atribuir a má-fase do Vasco, que ainda não pontuou no Campeonato Carioca de 2011. Sinto, entretanto, o cheiro do enxofre,&amp;nbsp;a proximidade do dedo sujo do ex-dirigente que - quem duvida? - gargalha, com um de seus fétidos charutos entre os dedos, a cada derrota do Vasco da Gama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que queria lhes dizer: solidarizo-me com os vascaínos. Torço pela recuperação do clube, desde que ela não comece no próximo domingo, quando teremos o primeiro Flamengo e Vasco do ano! Torço para ver de novo a cafonalhada em festa, a portuguesada eufórica, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Dulce Rosalina&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; balançando suas pulseiras no Orum, meu avô &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Oizer&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; podendo dizer de novo que o Vasco é "o melhor time do mundo", e o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Roberto Dinamite&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; tendo êxito na condução dessa virada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-1197173572533221422?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/1197173572533221422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=1197173572533221422&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/1197173572533221422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/1197173572533221422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/01/o-vasco-nao-pode-euricar.html' title='O VASCO NÃO PODE EURICAR'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-8566832277289817975</id><published>2011-01-27T16:10:00.002-02:00</published><updated>2011-01-27T16:18:04.622-02:00</updated><title type='text'>AS COISAS MAIS SIMPLES DESSA VIDA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje acordei com o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Buba&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; na cabeça, sabe-se lá o por quê. Conheci o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Buba&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; em meados do ano 2000, quando eu era sócio de um bar em Vila Isabel e resolvi fazer acontecer um bloco de carnaval - foi quando nasceu o &lt;strong&gt;SEGURA PRA NÃO CAIR&lt;/strong&gt;, que desfilou em 2001 homenageando &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Noel Rosa&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, em 2002 com &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Beth Carvalho&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, em 2003 com &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Martinho da Vila&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;,&amp;nbsp;em 2004 com &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Aldir Blanc&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e em 2005 com &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;João Bosco&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Todos, inclusive o saudoso poeta da Vila, presentes - diga-se. A bateria do bloco era, digo sem modéstia, a melhor dentre todos os blocos&amp;nbsp;da cidade: simplesmente&amp;nbsp;a bateria da &lt;strong&gt;G.R.E.S. Unidos de Vila Isabel&lt;/strong&gt;, sempre&amp;nbsp;sob o comando dos mestres &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Mug&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Mariozinho&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Era um troço de maluco aqueles 50, 60, 70 componentes da escola fazendo a cadência daquele modestíssimo bloco de esquina. Pois bem. Logo em 2000 conheci o caboclo (abaixo, na foto comigo, tirada em 15 de novembro de 2010 durante roda de samba no &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;ESTUDANTIL&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;).&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TUGwTqL0dGI/AAAAAAAADj0/osLkv5yK2p0/s1600/IMG_0359.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="320" s5="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TUGwTqL0dGI/AAAAAAAADj0/osLkv5yK2p0/s320/IMG_0359.JPG" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um garoto simples, cativante, ficávamos de papo durante os ensaios (do bloco e da escola), dividíamos cerveja, conheci sua mulher - a &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Lu&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; -, fomos ao longo do tempo costurando os laços que mantêm&amp;nbsp;as pessoas unidas e em 2003, em dezembro, uma surpresa: &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Buba&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; aparece no bar com a mulher&amp;nbsp;- o finado &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;ESTEPHANIO´S&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; - e eles dão a notícia de que seríamos, eu e minha menina, padrinhos da filhota que estava pra nascer (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2005/01/famlia-vila-isabel.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, em janeiro de 2005, nós quatro, em nossa casa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio 2004 e a &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Dhaffiny&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; nasceu em pleno Carnaval. Isso são outros quinhentos, não é o que quero lhes contar hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um certo dia, era um sábado, estrila meu telefone e era o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Buba&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, convocando a mim e&amp;nbsp;à minha menina para uma cerveja, um almoço, em sua casa. Corria o ano de 2004, ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles moravam numa casa, logo na subida&amp;nbsp;do Morro dos Macacos, hoje moram num apartamento em Vila Isabel. Chegamos lá, aquela festa de sempre (depois do&amp;nbsp;quase-perrengue de sempre pra atravessar a "cancela" dos olheiros do tráfico), a festa com as meninas, meu compadre me chama pros fundos do quintal. Carregava&amp;nbsp;uma garrafa de cerveja e dois copos. Serviu a mim, serviu-se, pôs a garrafa no chão e me disse de olhos marejados:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Compadre, passei na prova da&amp;nbsp;COMLURB, cara! - ele tinha feito, semanas antes, prova para o cargo de gari.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei-lhe um abraço, dividi com ele a alegria da conquista e disse, em seguida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos brindar com as moças lá na sala, rapaz! É uma grande notícia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele me&amp;nbsp;segurou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não! Não! Ainda não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E disse a frase que me fez quase-morrer, ali (lembro-me que, imediatemente, liguei pra meu mano &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Szegeri&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, em São Paulo, pra tomar ar, eis que o homem da barba amazônica é dos que me acalmam quando o bicho da emoção me&amp;nbsp;pega):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não! Vou buscar minhas roupas só&amp;nbsp;na segunda-feira. Eu quero chegar em casa vestido, compadre, à caráter! - e danou de rir, de olhos cheios d´água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-8566832277289817975?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/8566832277289817975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=8566832277289817975&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/8566832277289817975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/8566832277289817975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/01/as-coisas-mais-simples-dessa-vida.html' title='AS COISAS MAIS SIMPLES DESSA VIDA'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TUGwTqL0dGI/AAAAAAAADj0/osLkv5yK2p0/s72-c/IMG_0359.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-5767750513234029604</id><published>2011-01-25T16:00:00.001-02:00</published><updated>2011-01-25T16:21:04.182-02:00</updated><title type='text'>UM GESTO DE REBELDIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu, que à certa altura recebi na testa o carimbo de &lt;em&gt;"polemista"&lt;/em&gt;, cravado por ninguém mais, ninguém menos, que &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Aldir Blanc&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (e olha que o homem entende de polêmica) - complementado por um &lt;em&gt;"dissidente de si mesmo"&lt;/em&gt; - acho que fui mais&amp;nbsp;polemista que nunca quando, em setembro de 2000, deixei uma repórter da &lt;strong&gt;TV GLOBO&lt;/strong&gt; com cara de bunda, ao vivo,&amp;nbsp;depois de&amp;nbsp;gritar o nome de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Leonel Brizola&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; em resposta a uma pergunta qualquer (revejam o lance &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2006/08/furando-o-bloqueio.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois na madrugada de segunda-feira, em São Paulo, exerci, de novo, minhas habilidades para criar tumulto. Estava eu na casa de amigos, no domingo,&amp;nbsp;quando desabou uma chuva torrencial sobre a cidade que comemora hoje, ao lado de meu velho pai, seu aniversário. Um de meus anfitriões foi taxativo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A que horas é teu ônibus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meia-noite e vinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tente trocar por uma passagem de navio! - fez a blague.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 23h30min partimos em direção à rodoviária (ele, gentilíssimo, ofereceu-me a carona). O trajeto, em condições normais, seria feito em no máximo 20 minutos, mas depois da chuva...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marginal parada. Ruas cheias. Árvores derrubadas. Até que, depois de uma ginástica sobre quatro rodas, fui deixado na rodoviária faltando 10 minutos para o horário marcado para o embarque. Fui ao guichê da empresa, percebi o tumulto diante dele, e perguntei à funcionária sobre a partida do leito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ihhhhh... - foi só o que ela disse, coçando o ouvido com a tampa de uma caneta Bic.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Algum problema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O ônibus das sete ainda nem encostou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Previsão, senhora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sem previsão. Mas eu acho, pelo andar da carruagem, que não sai antes das três... - e checou o cerume na tampa da caneta, arrancado com a unha do polegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bufei. E ela disse, simpática:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor pode esperar em nossa sala vip... - e indicou-me a direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tal da sala vip nada mais é do que um salão gigantesco com muitas cadeiras e uma TV exibindo um troço qualquer, desinteressante. Fui à mocinha no balcão de mármore:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem algo para beber, senhora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para comer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bufei de novo. Estendi os olhos pro lado de fora e avistei um único quiosque aberto. Uma fila gigantesca diante do caixa. Desisti. Voltei à mocinha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vip a sala, hein?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que bom que o senhor gostou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxei um cigarro e o acendi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não pode fumar aqui, senhor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bafejei a fumaça para o alto, fazendo estilo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Encher a porra do rio Tietê, pode?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Atrasar a viagem do cliente, pode?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fumar é que não pode, senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas eu vou fumar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me e, quando apaguei o cigarro no chão (nem sombra de cinzeiro no ambiente), veio um segurança acompanhado da mocinha do balcão. Ele, um mulatão parrudo, disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor, é proibido fumar em ambiente fechado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei. É proibido também deixar um passageiro sem informações precisas sobre o serviço de transporte contratado. Proibido, também, não oferecer acomodações decentes para um atraso que se desenha gigantesco, sem comida, sem bebida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, senhor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acendi o segundo cigarro. O mulatão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor, vou ter de chamar a polícia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois não. Estou esperando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi um cara, perto de nós, sorrindo. Ele apontou pro maço que tinha nas mãos e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em coisa de 15, 20 minutos, mais ou menos uma dúzia de pessoas fumava dentro da sala vip (a bem da verdade, anti-vip).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem outro elemento em minha direção (mehor dizer em nossa direção, éramos muitos fumando àquela altura):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa noite, senhores. Sou o gerente da 1001... Os senhores não podem fumar aqui dentro, por favor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor sabe a que horas eu embarco? - eu disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda não, senhor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então... Algo para beber? Para comer? - outro que também fumava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Infelizmente não, senhor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então eu vou fumar de novo! - eu disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tinha gente gargalhando, e formávamos uma roda de fumantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abnegado saiu e voltou com um saquinho de pão-de-queijo, que passou a distribuir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns (poucos, na verdade) protestavam contra aquela fumaça, faziam das mãos leques abanando em direção ao próprio rosto, outros diziam "vamos chamar a polícia", uma histérica gritou "sou prima do Kassab!", e eu estava era gostando daquilo ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às duas da manhã, anunciaram meu ônibus. Parti em direção à plataforma. Fui ao balcão (fumando) e me despedi da mocinha. No caminho, cumprimentei e pedi desculpas ao mulatão (que até achou graça) e diante do ônibus o gerente ensaiou uma ameaça:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor, serei obrigado a comunicar à polícia que o senhor fumou na sala vip, temos os seus dados na passagem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu disse, já entrando no leito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se o senhor insistir com isso fumarei durante a viagem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei e nem mesmo vi o coletivo sair da rodoviária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei no Rio, franca e sinceramente, com a sensação do dever cumprido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-5767750513234029604?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/5767750513234029604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=5767750513234029604&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/5767750513234029604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/5767750513234029604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/01/um-gesto-de-rebeldia.html' title='UM GESTO DE REBELDIA'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-4531467083108422361</id><published>2011-01-24T10:00:00.000-02:00</published><updated>2011-01-24T10:14:44.631-02:00</updated><title type='text'>MARIA DE LOURDES E O DELEGADO - V (FINAL)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A conversa entre o delegado e &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; foi breve. E foi breve porque &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Uzeda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; foi prático. Contou, timtim por timtim, sobre o telefonema que recebera de &lt;em&gt;"uma vizinha"&lt;/em&gt;.&amp;nbsp;Disse, com todas as letras, que estava ali apenas para dar uma satisfação ao apelo da senhora que parecera em pânico diante do ocorrido naquela noite na qual os seus patéticos pedidos&amp;nbsp; - &lt;em&gt;"me chama de assassina!"&lt;/em&gt; - assombraram a vizinhança. Disse, mais, que o caso estava encerrado do ponto de vista policial; que não havia prova alguma capaz de fazê-lo reabrir as investigações; que, entretanto, já que ele estava ali, não custava procurar saber o porquê de tão estranho apelo durante a noite. Disse isso sem conseguir esconder o riso que escapava pelo canto da boca. Os olhos do delegado não desgrudavam do corpo de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Ela, por sua vez, deu de chorar. Enxugou a lágrima do olho direito com a mãozinha direita fechada, como se fora um bebê. Fungou. E disse:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não sei, delegado... Não sei o que foi que me deu...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E daí vocês todos ficam a pensar: e aí? E aí? E aí?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E aí que nem todo final de história é imprevisível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; continuou a chorar, ajoelhou-se diante do delegado e o delegado pensou "ajoelhou, tem que rezar".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi engolido pela menina. Ergueu-se, depois de uns 15 minutos, ergueu e abotoou a calça, ajeitou o cinto - recusou, com medo do barulho, o convite feito por ela, de boca cheia, "me bate com o cinto, me bate" - e pediu um copo d´água. Ela foi a cozinha, limpou a boca com&amp;nbsp;um pano de prato, e quando voltou à sala trazendo a água, perguntou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O senhor falou com o Alexandre sobre isso? Ele ficou muito assustado...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele fez um "arrã" durante um gole.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ele... ele... ele&amp;nbsp;me acusou de alguma coisa?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Negativo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fez força para disfarçar o alívio que varreu sua coluna.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele tomou a direção da porta. E disse, grave:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Juízo, menina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela piscou o olho, abriu a porta e acompanhou com os olhos o delegado dobrar o corredor&amp;nbsp;para descer as escadas. Foi para a janela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Viu quando &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Uzeda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; surgiu no jardim interno cercado pelas vizinhas em estado&amp;nbsp;de excitação agudíssima. Não conseguiu ouvir&amp;nbsp;nada mas ficou ali, com um sorriso escancarado acompanhando a cena. Ele tomou a direção da delegacia e quando sumiu, na esquina, gargalhou feito Exu Caveira chamando a atenção das condôminas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;À noite, subiu &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alexandre&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, aliviadíssimo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E é isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há mais, há muito mais para ser contado sobre &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o tempo, trago ela de volta pra cá.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-4531467083108422361?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/4531467083108422361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=4531467083108422361&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/4531467083108422361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/4531467083108422361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/01/maria-de-lourdes-e-o-delegado-v-final.html' title='MARIA DE LOURDES E O DELEGADO - V (FINAL)'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-6840792929627639603</id><published>2011-01-23T06:00:00.023-02:00</published><updated>2011-01-23T06:00:03.251-02:00</updated><title type='text'>MARIA DE LOURDES E O DELEGADO - IV</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;abriu os olhos&amp;nbsp;faltando pouco para o meio-dia e assustou-se - eis a verdade - com o cenário que lhe serviu de descanso. Passou a vista na Bíblia Sagrada e a fechou com fúria. Pôs o porta-retrato de&amp;nbsp;volta sobre a cômoda, fez festinha no rosto dos pais, e dirigiu-se ao banheiro para tomar banho. Dormiu&amp;nbsp;nua. Ainda enrolada na&amp;nbsp;toalha foi à sala, recolheu os copos da véspera, deu um jeitinho na casa - tinha horror&amp;nbsp;à idéia de ter uma empregada doméstica - e vestiu-se. "Vou almoçar no Salete...", pensou alto. Assim que abriu a porta deu de cara com dona &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Abigail&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. A imagem daquela moça de saia florida, camiseta de malha branca e&amp;nbsp;chinelos brancos, os cabelos soltos e sem sutiã, fez tremer a vizinha, que disse:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Parece que o Bigode tem um recado para você. - o tom era de ameça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de&amp;nbsp;Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, cheirando a alfazema, cabelos ainda molhados, desceu as escadas sem&amp;nbsp;uma resposta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao chegar à portaria - e ela passaria pelo porteiro sem dizer um "a" - &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Bigode&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; levantou-se. Entregou o cartão que guardava no bolso e disse, olhando para o chão:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O doutor delegado esteve aqui hoje cedo, dona Maria de Lourdes. Pediu que a senhora entre em contato com ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Obrigada, Bigode. O Alex está aí?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Foi à praia, dona Maria de Lourdes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Obrigada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tomou a calçada, virou à direita e, ao dobrar a esquina da Afonso Pena, carregou imaginariamente cerca de vinte cabeças que torceram o pescoço para acompanhá-la. Ela não anda, ela dança. Pernas perfeitas, um par de pés estonteantes, e aqueles cabelos molhados que&amp;nbsp;davam a ela uma aura ainda mais sensual, como se&amp;nbsp;isso fosse possível. Quadris igualmente perfeitos, seios firmes sob a blusa, ouviu mas fez que não ouviu:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas tá demais essa menina, puta que me pariu! - um coroa bebericando uma dose de uísque no Bar do Chico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos assentiram, ouviram-se pequenos ganidos e diversos "é verdade", até que&amp;nbsp;entrou no Salete. Sentou-se sozinha numa das primeiras mesas, pediu duas empadas e uma Coca-Cola. Houve um falatório de garçons e de fregueses, e um deles levou um tapa na orelha da mulher:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O que é que foi, Adalberto? Tem&amp;nbsp;idade pra ser tua filha, cachorro!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; sorriu o mais bonito dos sorrisos, ouviu a reprimenda. Iluminou o salão. Intimidou a nesga de sol que atravessava o&amp;nbsp;toldo. Ergueu o queixo, ajeitou o cabelo e quando deu a primeira mordida na empada, lenta, pensada, teatral,&amp;nbsp;o pobre&amp;nbsp;do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Adalberto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; soltou um "meu Deus!" que fez a mulher abandonar a mesa. O casal morava no quarto andar do mesmo edifício. Passou por ela e disse:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Já procurou o delegado, Maria de Lourdes? - e tomou o rumo de casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Adalberto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; foi atrás, deixando duas notas de 50 sobre a mesa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Desculpa, viu?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;riu feito Exu-Caveira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comeu as duas empadas, pediu um filé de frango com salada de tomate, outra garrafa de Coca-Cola, pagou a despesa e decidiu que iria dar uma caminhada&amp;nbsp;na Praça Afonso&amp;nbsp;Pena. De lá&amp;nbsp;mesmo ligou, do celular, para a delegacia. Tinha o telefone vermelho do delegado. Deu-se o diálogo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alô? Doutor Uzeda? É Maria de Lourdes, da Pardal Mallet... Aconteceu alguma coisa? Soube que o senhor esteve no prédio hoje pela manhã... - fazia voz de criança.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Isso é o que eu quero&amp;nbsp;perguntar a você, moça. Podemos trocar meia-dúzia de palavras? Pessoalmente?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O senhor está me deixando nervosa, delegado...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Rotina, Maria de Lourdes, rotina.&amp;nbsp;Posso vê-la hoje? Fico aqui até umas cinco da tarde...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela sabia que alguém - não sabia quem - tinha comentado com o delegado sobre a novidade sonora da véspera. Disse:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pode, claro. Mas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pois não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah, delegado... Não me sinto bem na delegacia, sabe...?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Posso voltar à sua casa, Maria de Lourdes. Pela manhã não consegui encontrá-la.&amp;nbsp;Toquei sua campainha durante&amp;nbsp;uns bons minutos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Estava dormindo, doutor. Pode ser, então. A que horas?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Cinco?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Cinco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Até às cinco, menina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Um beijo, delegado... - e ele começou&amp;nbsp;a suar do outro lado da linha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passeio foi de pouco mais de meia-hora. O bastante para enlouquecer os aposentados da pracinha, para tirar do prumo os&amp;nbsp;clientes do Boteco do America, do Salão America, de toda a assistência que viu a moça passar. Os passeios de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, importante que se diga,&amp;nbsp;são como os mais tenebrosos fenômenos naturais: há sempre vítimas, apaixonados repentinamente, neguinho&amp;nbsp;que jura largar mulher e filhos, batidas de carro, trombadas entre pedestres, um troço de louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar ao edifício, pouco antes das duas e meia, disse ao &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Bigode&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (e lá estavam as velhas, de plantão):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa tarde. Às cinco o delegado vem me ver, tá? Pode deixar ele subir. E diga ao Alex que mais tarde eu procuro por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subiu afrontando as idosas com aquela beleza torrencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às cinco em ponto, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Uzeda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; na área. Foi recebido com honras de Chefe de Estado. As três velhas, e outras e outros vizinhos se acotovelavam no pequeno jardim interno, o cheiro de curiosidade tomava conta da pacata rua. Deu um "boa tarde" geral, foi abrindo caminho com gentileza e ao avistar o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Bigode&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; recebeu o anúncio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&amp;nbsp;Ela avisou que o senhor viria, doutor. Pode subir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele agradeceu e&amp;nbsp;tomou o elevador. Ao aproximar-se da porta, a mesma se abriu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito prazer, delegado. Fique à vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;vestia um &lt;em&gt;short&lt;/em&gt; cor-de-rosa e uma blusinha de algodão, branca. Sem sutiã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com licença, Maria de Lourdes... - entrou pigarreando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversa não&amp;nbsp;levou mais do que 40 minutos.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-6840792929627639603?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/6840792929627639603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=6840792929627639603&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/6840792929627639603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/6840792929627639603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/01/maria-de-lourdes-e-o-delegado-iv.html' title='MARIA DE LOURDES E O DELEGADO - IV'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-7032619133050239381</id><published>2011-01-22T06:00:00.003-02:00</published><updated>2011-01-24T09:28:48.826-02:00</updated><title type='text'>NOVIDADES, A REVIRAVOLTA - III</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O menino &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alexandre&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; não pregou os olhos, a noite inteira. Estava, portanto,&amp;nbsp;acordado quando o pai acordou, o único porteiro daquele edifício. Moravam num pequeno apartamento no terreno dos fundos, e às 7 da manhã, enquanto preparava o café, seu &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Bigode&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; perguntou ao filho, em estado de choque num dos banquinhos à mesa:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que cara é esse, moleque? Parece que viu assombração. - de costas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pior que isso, pai.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Bigode&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; desligou o fogo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era um pai atencioso, preocupado, e sobretudo um empregado dedicadíssimo. Não gostava nada daquela história entre o filho e &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, a órfã, mas acatara, na condição de empregado, o aviso que lhe dera a condômina do 201 - "eu estou apaixonada pelo seu filho, algum problema?". De mais a mais, achava que o filho "estava bem grandinho" (expressão usada com freqüência).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O que houve, filho?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Maria de Lourdes, pai. Ontem, enquanto namorávamos, pediu para que eu a chamasse de "assassina".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O velho &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Bigode&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que no fundo tinha orgulho da performance do filho - os gritos da menina davam a ele a certeza de que o filho era um garanhão - perguntou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- A troco de quê?! - e fez o sinal da cruz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não sei, pai. Mas fiquei com medo daquilo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Efetivamente &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alexandre&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; não pregara o olho, assombrado com a cena que protagonizara. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, fora de si, implorando pelo grito inimaginável, depois ajoelhada diante da fotografia dos pais mortos, e aquilo deixou o surfista "com a pulga atrás da orelha", foi o que ele disse ao pai.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vá dormir, filho. A menina não bate mesmo muito bem. Você está impressionado... Ou você acha que...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não sei, pai. Não sei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às 07h30min, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Bigode&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; ancorou na portaria modestamente decorada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dona &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Leontina&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e dona &lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;Abigail&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, moradoras do segundo andar, estavam sentadas no banco de praça que havia no jardim interno. Saltaram, juntas, e estacaram diante do empregado:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Chamamos o delegado da 18a., seu Bigode! - disseram juntas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes que ele esboçasse reação, a mais velha disse, abanando-se com o leque:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ele precisa, ao menos, saber o que aconteceu. Ontem à noite a menina passou dos limites...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A outra assentiu, com a cabeça. E completou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Assumiu o crime! Assumiu! Eu nunca acreditei nesse trololó de suicídio!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Calma no Brasil! As senhoras estão exagerando... - tentou contornar, o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Bigode&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Chininha&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, da janela do primeiro andar, sem que lhe fosse pedido palpite, disse olhando para baixo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Exagerando? A demônia esperou um ano e fez a confissão! Aceitam um bolinho?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As duas, em estado de êxtase, disseram que sim. E em menos de 10 minutos eram três as velhotas esperando o delegado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele chegou a pé, da Visconde de Iguatemi, e flagrou as três mastigando o bolo. De boca cheia, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Abigail&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; ergueu as mãos céu:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Graças a Deus!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As outras duas:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Graças a Deus!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele tirou os óculos escuros, recusou um quadradinho do bolo, e sentou-se no banquinho:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E então? O que houve de tão grave? Qual a reviravolta no caso, dona &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Abigail&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;? - perguntou em nítido tom de deboche.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O delegado, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Uzeda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, até que achou divertido atravessar a&amp;nbsp;Barão de Iguatemi, beber uma cerveja gelada no Aconchego Carioca, atravessar a Vicente Licínio, dobrar à direita na Campos Sales e entrar, à esquerda, na aprazível Pardal Mallet, para ouvir a "novidade sobre o caso do suicídio do casal da Pardal Mallet" que aquela senhora, aflita, prometera por telefone.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As três, alternando as atuações, relataram ao delegado os fatos (auditivos)&amp;nbsp;da noite da véspera.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eis o fato:&amp;nbsp;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Uzeda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;fizera&amp;nbsp;um esforço tremendo para disfarçar os sentimentos que foram brotando: uma excitação imediata diante da lembrança da estrutura&amp;nbsp;física da menina, uma inveja profunda do filho do porteiro, e apenas o suor, que gotejava de sua testa,&amp;nbsp;denunciava algum efeito diante do relato das três. As três perguntaram em uníssono:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E aí, doutor?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele fechou os olhos, lambeu os beiços, e disse, em direção ao porteiro:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Seu filho está aí, seu Bigode? - ele fez questão de checar o nome do porteiro antes de sair da delegacia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Está sim, senhor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Posso vê-lo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pode sim, doutor. Venha comigo, por favor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O pai bateu à porta e deu de cara com o filho na mesma posição, no banquinho à mesa:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Bom dia, filho. O doutor delegado quer falar com você...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas, pai... você chamou o delegado?! - a expressão era de pânico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O próprio &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Uzeda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, depois de pedir licença e&amp;nbsp;entrar no pequeno imóvel, disse:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não, Alexandre. Foi a dona Abigail... Mas eu já&amp;nbsp;te explico tudo. O senhor pode nos deixar a sós, seu Bigode?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele sentou-se num banquinho ao lado do menino, contou sobre o telefonema, sobre o relato das três senhoras, e&amp;nbsp;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alexandre&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; foi lacônico:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É. Foi isso mesmo. Fiquei&amp;nbsp;com medo... Mas acho que foi maluquice dela, sabe? Não posso acreditar que...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Uzeda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; o interrompeu:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você gosta da moça, Alexandre?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Gosto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Apaixonado? Há quanto tempo vocês estão&amp;nbsp;juntos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele foi sincero. Não havia paixão, havia tesão - "e muito", ele emendou. Contou sobre a noite da véspera da morte dos pais - e as investigações não encontraram nem sombra de qualquer indício capaz de complicar a vida do menino -, sobre o afastamento de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; durante os meses em que esteve com o tio hospedado em sua casa, sobre o começo do que ele chamou de "transa entre nós", foi até detalhista&amp;nbsp;sobre o comportamente da órfã durante o&amp;nbsp;sexo&amp;nbsp;e &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Uzeda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, um homem na&amp;nbsp;casa dos 50 anos, afagou a cabeça do garoto assim que se levantou. Excitadíssimo - "que potranca, meu Deus!", pensou - disse, apenas:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vou falar com ela. Relaxe, viu? E nossa conversa morre aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Arrã. - foi só o que ele disse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Uzeda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; voltou à portaria. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Bigode&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; nervoso. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Abigail&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;Chininha&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; e &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Leontina&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; excitadíssimas. As três, ao mesmo tempo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E aí, doutor?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O porteiro, cabisbaixo, foi o eco:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E aí, doutor?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Uzeda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; nem se dirigiu a elas. Apoiando as duas mãos na mesa do porteiro, anunciou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vou subir pra conversar com a moça, O.K.?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele&amp;nbsp;fez que sim. Acompanhou o delegado até o elevador e perguntou baixinho, fora do alcance das três senhoras:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tudo&amp;nbsp;bem com o menino, doutor?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ótimo! Ótimo! - e deu dois tapinhas no ombro do empregado pouco antes de entrar no elevador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tocou a campainha e ajeitou-se. Estava - é um detalhe importante - excitadíssimo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; dormia em posição fetal abraçada ao porta-retrato dos pais. A seu lado, a Bíblia Sagrada, a tal de páginas em alta gramatura, douradas, aberta em Números, 35:30: &lt;em&gt;"Todo aquele que matar alguma pessoa, conforme depoimento de testemunhas, será morto; mas uma só testemunha não testemunhará contra alguém, para que morra."&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O delegado tocou exatas cinco vezes com intervalos de dois minutos entre um toque o outro. A moça não acordou. Ele desceu de escadas e&amp;nbsp;disse ao porteiro - as três velhotas cercando o empregado:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ela pode ter saído antes do senhor pegar no serviço, certo? Ou pode estar dormindo. Peça a ela que me procure. - e estendeu seu cartão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; só acordou ao meio-dia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-7032619133050239381?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/7032619133050239381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=7032619133050239381&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/7032619133050239381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/7032619133050239381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/01/novidades-reviravolta-iii.html' title='NOVIDADES, A REVIRAVOLTA - III'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-7364567381684648998</id><published>2011-01-21T07:43:00.000-02:00</published><updated>2011-01-21T07:43:09.936-02:00</updated><title type='text'>A CADA TRISTEZA, ERGUER NOSSO COPO AO HUMOR</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O título de hoje - a cada tristeza, erguer nosso copo ao humor - é um de meus &lt;em&gt;orikis&lt;/em&gt; preferidos. Da lavra de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Aldir Blanc&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, para música de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Moacyr Luz&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, se aplicado diuturnamente representa remédio valoroso contra as dores que nos assolam, a todos, dia após dia. Dito isso, parece-me desnecessário dizer que é evidente que a tragédia que se abateu sobre a população da região serrana do Rio de Janeiro - com mais de&amp;nbsp;600 mortos (por&amp;nbsp;enquanto) - não merece piada. Mas no seu entorno, soube de&amp;nbsp;uma, realíssima.&amp;nbsp;Preservando a identidade dos elementos envolvidos - e eu soube do ocorrido&amp;nbsp;na noite de quarta-feira - vamos aos fatos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Antonio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; estava preocupadíssimo com a situação na serra fluminense. Até que, ouvindo os noticiários, lembrou-se de que dona &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Iaiá&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, mãe de sua madrasta, dona &lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;Yoyô&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;,&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;morava em Nova Friburgo. Abateu-se sobre ele - um poltrão meteorológico - um terror de proporções de tromba d´água. Não que ele morresse de amores por dona &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Iaiá&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, com quem&amp;nbsp;trocara - o quê?! - duas ou três palavras&amp;nbsp;ao longo da vida. Não que ele morressse de amores por dona&amp;nbsp;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Yoyô&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, com quem mantinha a clássica relação de implicância entre enteados e madrastas. Ocorre que, instigado pelos&amp;nbsp;apelos de solidariedade, aterrado diante das imagens da tragédia, ele decidiu "fazer um bonito" - foi o que pensou em voz alta antes de tirar o telefone do gancho:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Alô? Yolanda? É o Toninho! - e ajeitava o próprio cabelo diante do espelho, sentindo-se o mais solidário dos parentes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;A madrasta derreteu-se. Não falava com o enteado havia muitos meses. Ela e o pai moram em Niterói, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Antonio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; no Grajaú (onde, inclusive, trabalha) e o lufa-lufa do dia-a-dia fazia com que os encontros fossem raríssimos, escassos. Ela foi - como sempre - dramática:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Oh, Toninho! Que saudade! Hoje mesmo comentei sobre você com seu pai! Como estão as coisas?&amp;nbsp;- mentiu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;E ele, mudando o tom de voz:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Mal, Yolanda... - e deu uma fungada sonora, artificial, para dar cores de choro à fala.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Do outro lado da Baía de Guanabara, do outro lado da linha,&amp;nbsp;o tom de preocupação:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Mas o que houve, meu filho? - e quando ela disse "meu filho" ele estendeu o dedo médio, esticado ao lado dos dobrados indicador e anelar,&amp;nbsp;em direção ao bocal do telefone, ele odiava essa intimidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Como o que houve, Yolanda?! Mais de&amp;nbsp;seiscentos mortos e você me pergunta o que houve?! - fingiu que se assoava.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Ela muxoxou do outro lado:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Tsc. É verdade... E fora isso, Toninho? - despreocupadíssima.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Aquela frieza da madrasta que punha por terra seu plano de fingir-se solidário começou a irritá-lo:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Fora isso?! Yolanda... - assoou o nariz mais forte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Você está chorando, Toninho? Desembucha, menino! O que aconteceu?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Ele achou que era a hora:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- É que...&amp;nbsp;ah, Yolanda, nem sei como fazer a indagação... Como está dona Iaiá&amp;nbsp;depois dos temporais? - sentou no banquinho ao lado do criado-mudo e abriu&amp;nbsp;um sorriso de dever cumprido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Um silêncio terrível do outro lado da linha angustiou o sujeito. Ele insistiu:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Yoyô? - foi dengoso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Sim, Antonio. - ela foi fria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Notícias de dona Iaiá?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Deu-se um suspiro e veio a resposta:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Antonio, mamãe morreu em 2008.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Ele, um homem de raciocínio rápido, ergueu-se novamente. E diante do espelho, mandou de voleio:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Morreu?! Morreu?!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;E ela:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Morreu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Ele, aos gritos:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Morreu pra você, filha ingrata! Morreu pra você! Pra mim, Yolanda, saiba disso, dona Iaiá está viva, está presente, dona Iaiá é imortal, Yolanda! Imortal!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;E desligou com fúria, batendo o telefone no gancho e do gancho o tirando novamente, segundos depois. A pobre da madrasta ainda insistiu, por uma meia-hora, mas só deu sinal de ocupado. Encontraria com o pai, e com a madrasta, sabe-se lá quando. Foi o que decidiu, entre envergonhado e orgulhoso de si mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Até.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-7364567381684648998?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/7364567381684648998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=7364567381684648998&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/7364567381684648998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/7364567381684648998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/01/cada-tristeza-erguer-nosso-copo-ao.html' title='A CADA TRISTEZA, ERGUER NOSSO COPO AO HUMOR'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-3613439069430896202</id><published>2011-01-19T06:00:00.038-02:00</published><updated>2011-01-21T12:17:23.685-02:00</updated><title type='text'>A SESSÃO DE DESCARREGO DE MARIA DE LOURDES - II</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Menos de&amp;nbsp;seis meses depois da morte de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Otília&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alonso&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, o delegado da 18a. Delegacia Policial, da Praça da Bandeira, deu o caso&amp;nbsp;por encerrado. Suícidio. A vizinhança, é verdade, custou a crer. Afinal, aquele casal religioso, temente a Deus,&amp;nbsp;de formação moral sólida, não combinava com a mais romântica das despedidas. E deu-se, de fato, por conta da suspeita de suicídio, um fuzuê danado na Pardal Mallet na manhã da tragédia. O IML recolheu os corpos, peritos vasculharam o apartamento, e a morte por conta do vazamento do gás não podia mesmo ser atribuída àquela menina, 21 anos de idade, pacatíssima,&amp;nbsp;a única que vivia naquele apertado dois quartos na Tijuca. Atônita, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; acompanhou, aos prantos, o recolhimento dos cadávares e deu, na medida do possível, seu depoimento (fora chamada outras duas vezes à delegacia)&amp;nbsp;comovido e convincente. Depuseram também o porteiro do edifício, o pastor da igreja freqüentada pelo casal, os vizinhos do&amp;nbsp;segundo andar, a diretora do colégio da&amp;nbsp;órfã, alguns funcionários das padarias de propriedade de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alonso&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;e a batata já estava mais que assada quando decretou-se: foi, mesmo, suicídio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um tio de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, irmão mais velho de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Otília&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Reginaldo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, viúvo e advogado aposentado, que vivia em Mar de Espanha, em Minas, chegou para o enterro e passou exatos seis meses com a sobrinha no Rio de Janeiro cuidando da papelada. Filha única, herdeira universal, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; herdou as três padarias do pai (mantidas em sociedade com&amp;nbsp;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Otília&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;), vendidas por um bom dinheiro para um consórcio que se formou&amp;nbsp;entre os gerentes das três unidades, coisa de quase um milhão de reais. Herdou, ainda, o apartamento da Pardal Mallet, uma casa de veraneio na Ilha do Governador (também vendida) e&amp;nbsp;o saldo bancário, polpudo, do suicida (que não mantinha conta conjunta com a esposa). Ultimado o inventário, que tramitou rapidíssimo em razão da simplicidade da sucessão,&amp;nbsp;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Reginaldo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; voltou para Mar de Espanha deixando a sobrinha à vontade para procurá-lo sempre que precisasse. Voltou, diga-se, extasiado com a beleza da menina (e sentindo-se ligeiramente incomodado com seus próprios pensamentos). Passou a ter uma frase-padrão com os amigos no botequim:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Minha sobrinha carioca... vou lhes contar... uma coisa! Uma coisa! - e dava-se a masturbação mental coletiva naquela cidade de moças sem-jeito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; passou os seis meses subseqüentes à tragédia ao lado do tio. Trocou - o quê?! - uma meia-dúzia de palavras com um, com outro, com uma&amp;nbsp;vizinha, com irmãos da igreja que foram fazer uma visitinha, e mesmo com &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alexandre&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, o filho do porteiro, permitiu-se apenas um "obrigada" diante do protocolar "meus pêsames" no final daquela tarde. Saiu para&amp;nbsp;fazer compras (mudou o guarda-roupas, antes recatadíssimo), para inteirar-se da rotina com os bancos, passeou bastante mostrando para o&amp;nbsp;tio&amp;nbsp;a cidade que, a bem da verdade, ela bem pouco conhecia também.&amp;nbsp;Passou, entretanto, os seis meses, fervendo por dentro. Não esquecera, nem por um minuto,&amp;nbsp;a volúpia insana&amp;nbsp;daquela manhã fatídica. Guardou-se, porém, com a resignação e com a máscara que apreendera naqueles 21 anos de cultos e cultos e cultos e cultos. O tio fora embora num domingo à noite. Já na segunda-feira - as notícias na Tijuca correm como água rio abaixo - &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; recebeu a visita do pastor da igreja que freqüentava&amp;nbsp;com seus pais. Queria, o canalha, convencer a menina a doar para a igreja o dízimo da herança. Foi posto pra correr por uma possessa. Disse atrocidades ao pastor enquanto o sujeito, de terno e gravata, pasta executiva na mão, aguardava o elevador. E bateu a porta com um ódio que os vizinhos, assombrados com o espetáculo,&amp;nbsp;nunca tinham visto&amp;nbsp;brotando daquela moça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na segunda à tarde, quase à noitinha,&amp;nbsp;postou-se na janela. Esperou &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alexandre&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; aparecer e repetiu o "psiu" de seis meses antes. O rapaz subiu. Deu uma desculpa qualquer ao pai - "vai ver ela precisa de ajuda" - e já chegou em ponto de bala diante da porta do apartamento. Aquela potranca - e mais potranca que nunca, uma égua de haras paulista - já o aguardava apenas com um camisão. Fechou a porta e abriu os lábios, que sugaram &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alexandre&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; de uma maneira que só os seis meses de hiato poderiam explicar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poucos minutos depois, bate à porta uma das vizinhas de corredor. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; abre apenas a portinhola, apenas o rosto à mostra:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tudo bem, filha? - disse a velha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Te chamei? O que é que tu quer? - e deu de rir, feito Exu-Caveira, batendo a portinhola com o mesmo ódio oferecido ao pastor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A cena deu-se, dia após dia, sem tirar nem pôr. Houve, é evidente, evoluções. E revoluções. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; disse, com todas as letras, "eu estou apaixonada pelo seu filho, algum problema?", e fez com que o porteiro nunca mais perguntasse nada ao filho. Adestrando suas fantasias como quem adestra um cão, a menina passou a fazer uso de serviços &lt;em&gt;delivery&lt;/em&gt;, para tudo: pizza aos domingos, galão de água duas vezes por semana, galeto, comida japonesa, comida chinesa, flores, e ela engolia, despudoradamente, os entregadores que satisfaziam seu apuro visual. "Só um boquetinho, coisa rápida", ela dizia. Não se sentia traindo o namorado desse jeito, ajoelhada e com pressa.&amp;nbsp;Diz-se até que na pizzaria da Doutor Satamini, aos domingos, havia grossa pancadaria entre os motoqueiros já que todos queriam servir a "boca do 201 da Pardal Mallet".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o pior deu-se quando &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; percebeu certo gosto pela dominação. Um dia pediu um tapa ao &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alexandre&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. O surfista já curtia o troço e sentou a mão na carinha linda da potranca. Mais à frente, pediu que ele a xingasse. A princípio o repertório era o trivial. Um "piranha" pra cá, um "puta" pra lá, um "cachorra" com o som do estalo do bofetão por trás, um "vadia", por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A agressão verbal, o xingamento (e ela exigia o tom de ódio na voz do rapaz), a purificava. A submissão, a exposição voluntária para a agressão ainda que teatral, a sacralizava. E assim seguia a rotina daqueles dois.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis que no dia&amp;nbsp;do primeiro aniversário de morte dos pais da menina, quando ela completaria 22 anos, quando sua fama de devassa subia e descia as escadas do edifício, ganhava as calçadas, as esquinas, o entorno, o bairro, deu-se o inesperado. Poder-se-ia dizer, até, que a vizinhança já estava habituada (ainda que horrorizada) com aquela trilha sonora, com aquela enxurrada de baixo calão. O choque maior, entretanto, veio naquele dia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alexandre&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; subira&amp;nbsp;para uma comemoração especial. A moça recusara o convite para um jantar - "faço questão que seja aqui". Após os salamaleques, após o presente que o garoto comprara, após a garrafa de espumante que beberam juntos, foram para a cama, ela já entrelaçada no tronco do surfista, que sentia o calor úmido da parceira na altura do abdomen, ele já sem camisa, ela praticamente nua. Deitaram, e pela primeira vez, na cama mantida no quarto do casal suicida. Sobre a cômoda, diante do pé da cama, um porta-retrato fazia com com que ambos, pai e mãe, testemunhassem a cena. Apoiado, diga-se, numa Bíblia Sagrada, dessas com páginas espessas e douradas. O troço pegava fogo. As janelas, mantidas abertas de propósito por &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, apenas a cortina impedindo o alcance dos olhos alheios. Começou o espetáculo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sua vaca! - e explodia um tapa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Trepavam, suavam, urravam, e ele mantendo a linha:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vagabunda! Cadela suja! - outro bofetão de cinema.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Prestes a gozar, olhos vidrados, unhas cravadas nas costas saradas do surfista, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; pediu aos gritos:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Me bate, Alexandre! Me bate! Na cara! Na cara!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele, fora de si, atendeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com mais força! Mais ódio! Me cospe! Me cospe! - tudo atendido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gozaram juntos. Ele uivava como um lobo dentro dela, e ela também. Tinha, é preciso que se diga, orgasmos múltiplos, a órfã. E enquanto gozava, gemia, mordia o bíceps de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alexandre&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, pediu com a voz mais rouca, transfigurada (ele quase não reconheceu):&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Me chama de assassina, Alexandre. De assassina! As-sas-si-na!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele livrou-se dela num sem-pulo. De pé, ao lado da cama, vendo &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; em estado de êxtase absoluto, os olhos revirados como os de uma boneca de pano em frangalhos, vestiu-se às pressas e pode perceber quando ela, de joelhos, sem parar de gritar, passou a olhar fixa e insanamente para o retrato dos pais. Foi descendo as escadas, aos atropelos, ouvindo "me chama de assassina!, de assassina!", até que cederam os apelos inéditos, que deram vez às gargalhadas mais agudas que ele jamais ouvira - feito Exu-Caveira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se falava noutro assunto naquele condomínio, na manhã seguinte.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-3613439069430896202?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/3613439069430896202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=3613439069430896202&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/3613439069430896202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/3613439069430896202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/01/sessao-de-descarrego-de-maria-de.html' title='A SESSÃO DE DESCARREGO DE MARIA DE LOURDES - II'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-7389800312589527302</id><published>2011-01-18T08:15:00.003-02:00</published><updated>2011-01-21T12:17:09.868-02:00</updated><title type='text'>MARIA DE LOURDES, A EVANGÉLICA - I</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rua Pardal Mallet, na Tijuca, pacatíssima rua entre as movimentadas Campos Sales e Afonso Pena. Ali nasceu, há 21 anos, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, filha de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Otília&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alonso&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Filha única, diga-se. Cresceu, a menina, com uma obrigação que durante um bom tempo representou praticamente um trauma em sua vidinha:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quando perguntarem seu nome, filha, diga Maria de Lourdes com "u", igualzinho ao nome da tua avó! - pregava o pai.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E a menina, coitada, foi uma cumpridora fiel da determinação paterna. Na escolinha, no ginásio, durante as brincadeiras com as meninas na calçada, bastava alguém perguntar-lhe o nome e a resposta vinha, quase-mediúnica, automática:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Maria de Lourdes, com "u".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já aos 15 anos a menina chamava a atenção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Uma potra! - dizia salivando, a vizinhança.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E era (e é), de fato, uma potranca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Morena, esguia, seios fartos e firmes a dispensar retoques ainda que imaginários, pernas (ah, as coxas...)&amp;nbsp;esculpidas à mão, uma batata reluzente, um quadril desejado por mil mãos, um rosto mais-que-perfeito, um sorriso estonteante, cabelos lisos, olhos levemente puxados&amp;nbsp;e pretos, o fato - em resumo - é que &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; era objeto de desejo até dos que não a conheciam. Era dessas que pareciam fabricadas pelo sonho coletivo - a mulher em estado bruto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Havia, entretanto, um empecilho a obstar a sanha dos homens do pedaço: &lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;Otília&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; e &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alonso&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; eram evangélicos. E sendo evangélicos, e tendo uma única filha, faziam da menina um bibelô privado evidentemente privado de tudo o que sugerisse desvio. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alonso&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; era dono de três padarias no bairro, trabalhava das 5 da manhã às 8 da noite. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Otília&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, dona de casa. A única obrigação do casal era a educação, rigorosa, de &lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;Maria de Lourdes&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. E a obediência à&amp;nbsp;igreja, é claro. Iam à igreja rigorosamente todos os dias - e lá ia &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, desde bebezinha, acompanhando os pais. A igreja era uma dessas facções ligadas a um pastor picareta, mas o casal&amp;nbsp;mantinha a vista&amp;nbsp;obnubilada para o noticiário policial. O casal mantinha, em casa, um &lt;em&gt;bunker&lt;/em&gt; cristão: bíblias espalhadas por todos os cômodos, a TV sintonizada sempre na estação ligada à máfia evangélica, o rádio que era ligado apenas no horário da benção da água, fotos de pastores, apóstolos, missionários, tudo espalhado pelos cômodos do apartamento,&amp;nbsp;e foi nessa meiúca que foi crescendo a diabólica &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu disse "diabólica" mas é claro que o adjetivo só&amp;nbsp;nasce e só faz sentido&amp;nbsp;através do prisma dos olhos com antolhos de seus pais. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; era normalíssima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais que normalíssima - eis o cerne do que quero lhes contar - era gostosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando completou 16 anos (tem aí o início do drama da menina) os pais a mandaram, cheios de um orgulho tremendo (e como os evangélicos usam e abusam da palavra "tremendo"), para uma colônia de férias cristã, em Campo Grande. Sessenta jovens (30 moças e 30 moços) guiados por 10 monitores passariam 30 dias num sítio de propriedade da igreja da qual faziam parte os pais de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi - está no diário da moça, mantido em segredo - um período modorrento. A agenda era a mesma: acordar às 06h, fazer a higiene,&amp;nbsp;fazer o desjejum, orar (evangélicos não rezam), assistir a uma palestra, almoçar, fazer a sesta, estudar a Bíblia Sagrada, lanchar, orar, fazer a higiene, orar, jantar, orar e dormir. E ao lado de 59 jovens fanáticos,&amp;nbsp;guiada por 10 monitores determinados, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; sentiu-se estranhíssima. Tinha pensamentos pagãos, não dormia à noite, e uma imagem a perseguia: a de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alexandre&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, o filho do porteiro de seu prédio. Surfista, corpo atlético, dois anos mais velho que ela - e só lá, em Campo Grande, deu-se conta de que sentia aguda falta da presença daquele menino na calçada do edifício, quase sempre de bermuda e sem camisa, o tórax de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Tarzan&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Nelson Rodrigues&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;) à mostra, o cabelo parafinado, os pés descalços, as mãos enormes, do qual sempre desviava a vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltaram, os jovens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Otília&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alonso&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;foram buscar a menina no Planetário, na Gávea, ponto de desembarque do ônibus da excursão. Era um domingo. A mãe foi efusiva ao abraçar a filha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gostou, Maria de Lourdes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que a menina respondesse o pai a puxou pelo braço e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aí, filha? Aproveitou? Vamos direto ao culto! Ao culto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, no banco de trás, sentia o coração badalando as amígdalas. Foi praticamente muda durante o trajeto até a Tijuca, dizendo apenas uma sucessão de "arrã" para cada pergunta dos pais. Foi saudada, a menina, ao chegar à igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pais estranharam muito quando &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; vomitou, em fortes golfadas, durante a pregação do pastor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desidratação, na certa... - resmungou a mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vomitara de nojo, entretanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi seguindo a vida da pequena família. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; não esqueceria jamais o instante da chegada no edifício depois daquele domingo. Teve um surto de umidade quando viu &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alexandre&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; no portão, pouco antes do carro entrar na garagem. Lançou, sobre ele, um olhar rápido (que a fez tremer no banco traseiro) - e percebeu o sorriso do garoto em sua direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia em que completou 21 anos - e &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; era, então, uma potra no auge da raça - deu-se a tragédia - ou o milagre. Durante a noite da véspera a menina entrara na suíte de seus pais. Sem ser notada, abriu a porta do pequeno banheiro, teve o zelo de fechar o basculante, e abriu o bico do gás do aquecedor. Fechou, com mais cuidado ainda, a porta do quarto de seus pais. Foi à cozinha, molhou dois panos de chão e vedou a porta do minúsculo quarto que dava para o pequeno corredor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às sete da manhã postou-se na janela que dava frente para a rua. Encharcou-se&amp;nbsp;quando viu &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alexandre&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; saindo com a prancha. Fez um "psiu" baixíssimo, o suficiente para chamar a atenção do garoto. Cruzaram os olhares. Ele, incrédulo, apontou pro próprio&amp;nbsp;peito estufado e disse "eu?". E ela fez sinal de "suba!" com o indicador da mão direita. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alexandre&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; encostou a prancha na parte interna do edifício e subiu, descalço, pela escada, em direção ao segundo andar. Excitadíssimo, diga-se. Há anos sonhava com a atenção de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;e dedicava horas ao próprio e solitário deleite com aquela potranca no pensamento. A moça o aguardava de portas abertas, com um sorriso no rosto ainda mais escancarado que a porta. Ele estacou aquele metro e oitenta de músculos diante dela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia, Alexandre... - quase sussurrando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem? E... cadê seus pais, Malu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela intimidade do "Malu" a fez sentir-se ainda mais suada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Saíram. - disse, cínica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não voltam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só no meio da tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; atracou-se com o cara que, àquela altura, não acreditava naquilo que vivia. Entraram e ela disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hoje é meu aniversário...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei! - ele disse, mentindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quero você de presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tirou o pijama (&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria de Lourdes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; dormia de pijama), e ficou nua, e abaixou a bermuda do rapaz, e foram horas de um sexo brutal feito no sofá da sala, na cama da menina, de pé, na cozinha, e a pujança dos 23 anos de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alexandre&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; premiaram a evangélica com um amor tremendo que a deixou tremendo por muito tempo, ainda depois de ele ter saído sob o pretexto da chegada iminente de &lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;Otília&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; e &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alonso&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ainda foi à janela, deu um adeus emoldurado por suspiros de ai-Jesus, viu &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alexandre&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; dobrar a esquina, vestiu-se, ajeitou os cabelos, retirou os panos de chão do vão da porta, entrou no quarto, certificou-se de que só mexera na maçaneta com as mãos cobertas pela malha do pijama, pôs os panos de volta e ligou pro 190. Deu as coordenadas à atendente, disse ter acordado e visto a porta do quarto dos pais fechada, os panos vedando a saída do ar, o cheiro de gás no corredor e esperou cerca de 20 minutos até a chegada da patrulha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu nome, menina! - disse o policial, já invadindo o apartamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Maria de Lourdes, moço. Maria de Lourdes, com "u".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-7389800312589527302?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/7389800312589527302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=7389800312589527302&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/7389800312589527302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/7389800312589527302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/01/maria-de-lourdes-evangelica.html' title='MARIA DE LOURDES, A EVANGÉLICA - I'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-1488136935493044080</id><published>2011-01-12T08:30:00.000-02:00</published><updated>2011-01-12T08:33:23.218-02:00</updated><title type='text'>O ÚLTIMO ADEUS DO ERNESTO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem&amp;nbsp;me lê sabe, conforme contei&amp;nbsp;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2011/01/o-ernesto.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, que na semana passada matou-se o&amp;nbsp;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ernesto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Foram - o texto é rico em detalhes - mais de 25 anos de um silêncio aterrador imposto pelo próprio pobre-diabo. Um silêncio que, e é isso que quero lhes contar, não compareceu ao velório-gurufim do sujeito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Providenciou-se, a pedido do &lt;em&gt;de cujus&lt;/em&gt;, um aparelho de som portátil que tocou, repetidas vezes, o samba-hino que fez ecoar &lt;em&gt;"envelheci mas continuo em exposição,&amp;nbsp;a ex-mulher me chama de sardinha de balcão"&lt;/em&gt; pelos corredores das capelas. A assistência do velório era composta pelos mesmos que freqüentavam o balcão que assistiu, durante anos, ao pobre-diabo beber (e sofrer) calado. E pela viúva (estado civil renegado pelo morto) que, a bem da verdade, não sabia bem o que fazia ali.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu cheguei ao Caju deparei-me com a seguinte cena: o&amp;nbsp;defunto cercado por bêbados inconsoláveis, diversos copos americanos apoiados nas bordas do caixão, enfeitadas com paninho de renda branca, o aparelho de som equilibrado na proa, sobre a cabeça do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ernesto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, e a &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Jurema&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, a &lt;em&gt;"ex-mulher"&lt;/em&gt; (estado civil requerido pelo morto), sentada sozinha num banquinho de madeira encarando um a um. Não recebeu, registre-se, um só cumprimento. Em compensação, uma saraivada de olhares de ódio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Danilo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, garçom do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;BAR DO MARRECO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, o bar de fé de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ernesto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, exercia o ofício mesmo no cemitério. Atravessava constantemente a rua para buscar cerveja no &lt;em&gt;trailler&lt;/em&gt; diante da última morada e servia, com competência,&amp;nbsp;os inconsoláveis que, por sua vez,&amp;nbsp;tinham uma sede de anteontem. Seu &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Brasil&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, síndico do buteco da Haddock Lobo com a Caruso, ficou responsável pelo pagamento da dolorosa. Mais que isso, organizava, com sua autoridade incontestável, o furdunço. Não permitia fotografias, a pedido de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Jurema&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (e diga-se que foi o único pedido da "ex-mulher" que foi atendido). Os demais - &lt;em&gt;"tirem essa música"&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;"respeitem o Ernesto"&lt;/em&gt; (este, de um cinismo agudo) e por aí - foram solenemente ignorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A certa altura chegou um mulato trazendo no ombro uma coroa gigantesca de flores (a primeira e única). A seu lado, um sujeito com vitiligo carregava o cavalete. Dezenas de pares de olhos acompanharam a operação. Montou-se o cavalete ao lado do caixão e o mulatão apoiou a coroa. Eis a inscrição da fita rôxa: &lt;em&gt;"Saudades eternas de tua filha Zafira e de teu genro Castilho"&lt;/em&gt;. Foi demais para a assistência. Como cães famintos diante de um naco de carne, partiram pra cima da última homenagem. Descontrolado - não consegui saber quem tomou a iniciativa -, alguém enterrou a coroa na cabeça de &lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;Jurema&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;. Eu só ouvia os gritos:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dança bambolê com essa porra, sua vaca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Toma a bóia pra não se afogar no mar de merda, vagabunda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E só seu &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Brasil&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, mais uma vez, conseguiu controlar a malta. Houve uma pequena reunião num dos cantos da capela e tomou-se a decisão: puseram de volta a coroa no cavalete sem a fita, que foi furiosamente arrancada. Improvisou-se, com papel higiênico, nova dedicatória: &lt;em&gt;"De teus amigos de balcão, a derradeira homenagem"&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Jurema&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; chorava e seu choro despertava as mais variadas reações. A grande maioria cochichava... &lt;em&gt;"são lágrimas de crocodilo"&lt;/em&gt;. Um outro, bêbado de forma aviltante - que se dizia kardecista -, tentava contornar a revolta coletiva&amp;nbsp;dizendo &lt;em&gt;"sempre chega a hora do arrependimento"&lt;/em&gt;. Tudo esfumou-se quando chegou seu &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Cláudio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, freguês assíduo do mesmo buteco, trazendo duas quentinhas numa sacolinha branca. Estacou diante da popa do caixão e disse, de&amp;nbsp;olhos marejados:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O torresmo e a moela...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a mais&amp;nbsp;impactante cena da cerimônia. Era mais um pedido de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ernesto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; que seria atendido pelos companheiros de botequim. Deu-se o surreal. A assistência discutia a melhor posição dos pratos no interior da urna funerária de madeira quando decidiram o inconcebível. Uma freqüentadora assídua do mesmo&amp;nbsp;balcão-confessionário abriu a boquinha do morto. Outro, com extremo e desnecessário cuidado,&amp;nbsp;pôs, com as mãos, um punhado de torresmo e outro de moela sob a língua do &lt;em&gt;de cujus&lt;/em&gt;. Neste momento - e me perdoem a franqueza em nome da precisão do início ao fim - &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Jurema&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; vomitou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém virou as duas palmas das mãos de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ernesto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; para cima. E, como um sacerdote pagão, pôs um dos pratos&amp;nbsp;sobre a mão esquerda, o outro sobre a direita. Explodiram as palmas no ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um funcionário da Santa Casa adentrou a capelinha e fez um sinal. Era o momento de fechar o caixão. Guinchos de choro, urros de saudade, e foi quando eu parti. Fui, confesso, o único. Sou um poltrão na hora de encarar esse momento. Ninguém arredou o pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mentira minha. Seu &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Brasil&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, aos prantos, deu a ordem em direção à &lt;em&gt;"ex-mulher"&lt;/em&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&amp;nbsp;Agora, fora! Chispa daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A massa considerou ofensivo à memória de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ernesto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; a presença de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Jurema&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; no instante do enterro propriamente dito. Eu estava fazendo sinal pro táxi quando ouvi a voz por trás de mim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor me dá uma carona, moço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri a porta, entrei no banco da frente e disse ao motorista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tijuca, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lancei um olhar de profundo desprezo em direção à &lt;em&gt;"ex-mulher"&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ernesto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; não me perdoaria a gentileza imerecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-1488136935493044080?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/1488136935493044080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=1488136935493044080&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/1488136935493044080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/1488136935493044080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/01/o-ultimo-adeus-do-ernesto.html' title='O ÚLTIMO ADEUS DO ERNESTO'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-1793609998597848816</id><published>2011-01-06T13:50:00.002-02:00</published><updated>2011-01-11T09:07:17.164-02:00</updated><title type='text'>O ERNESTO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ernesto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, coitado, é um personagem e tanto. Desses que, uma vez&amp;nbsp;descrito minuciosamente&amp;nbsp;para quem não o conhece, geram a inevitável frase dita pelo interlocutor às gargalhadas:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah!&amp;nbsp;Esse&amp;nbsp;sujeito não existe!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ernesto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; existe, coitado. Bebe, todos os dias pela manhã, no &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;BAR DO MARRECO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, na esquina da Haddock Lobo com a Caruso, na Tijuca:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Para me suportar... - diz o infeliz, com o olhar longe, ao final do primeiro gole.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A bossa é a seguinte: &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ernesto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; é casado com a &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Jurema&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; há mais de 40 anos. Sempre foi um duro, um pé-rapado, um pobre-diabo na melhor acepção da palavra. É tratado pela &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Jurema&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; - e desde o casamento - como um traste. O casal - o maior anti-casal da&amp;nbsp;paróquia - teve apenas uma filha, a &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Zafira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Esta, por sua vez, já está casada e mora&amp;nbsp;em Portugal. Quando vem ao Brasil, três vezes por ano, hospeda-se num hotel de luxo na orla de Copacabana e faz questão de receber, dia após dia, para o almoço, para o jantar, a mãe. Apenas a mãe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Como vai aquele traste, mamãe? - é sempre a primeira pergunta da filhota no primeiro instante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mãe, espetaculosa, é sustentada pela única filha, que casou-se, aos 21 anos, com um magnata português, o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Castilho&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;(e pensem bem no absurdo que é isso, nada mais anti-magnata que um português de bigodão). Manda, mês a mês, uma boa quantia para dona &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Jurema&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Esta, por sua vez, atendendo orientação de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Zafira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, repassa ao marido (um despachante em franca decadência há mais de 20 anos) uma mesada modestíssima que permite ao pobre-coitado passar o dia bebendo o que há de pior no botequim mais perto de casa. Outro naco da mesada que vem d´além-mar tem destino certo: custear o tratamento do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ernesto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando em 1982, logo após a tragédia do Sarriá, o sujeito ameaçou o suicídio por conta do choque com a eliminação do escrete, houve festa no modesto apartamento. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Jurema&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; não escondia a ansiedade. E todas as manhãs fazia a indagação:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vai ou não vai, criatura?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A filha, que soubera da novidade pela mãe - já morando em Setúbal - ligava todas as noites:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E aí, mãezinha? Cumpriu a promessa, o traste?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ernesto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; assistia àquela ansiedade pelo próprio suicídio com uma angústia nunca dantes vista. Até que em dezembro de&amp;nbsp;82, com o lançamento de &lt;strong&gt;THRILLER&lt;/strong&gt;, o álbum de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Michael Jackon&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, deu-se o inusitado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ernesto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; assistiu, impactado, na noite daquele longínquo domingo, ao &lt;em&gt;videoclip&lt;/em&gt; do astro americano. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Jurema&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; ficou boquiaberta com a cena: o pobre-diabo não desgrudava os olhos da TV,&amp;nbsp;suas mãos tremiam, e ela não perdeu a oportunidade quando os cadáveres começaram a sair das tumbas do cenário macabro:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vai ou não vai juntar-te a eles, infeliz?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde esse dia que &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ernesto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; não diz um "a". Sua&amp;nbsp;única frase é a matinal &lt;em&gt;"para me suportar"&lt;/em&gt;, dita após o primeiro gole de cachaça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em janeiro de 83 a filha veio com a novidade para a mãe:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mamãe, fique com este cartão. É de um psiquiatra que me foi recomendado. Encaminhe o traste para uma consulta. Castilho já tratou dos detalhes que nos interessam. Em questão de meses, anote!, papai leva adiante a idéia do suicídio! Mandarei, todos os meses, o valor dos honorários do doutor!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há exatos 27 anos, portanto, dá-se o seguinte: três vezes por semana despenca-se o pobre-diabo para Copacabana, para o consultório do doutor &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ribeira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. E há 27 anos a cena é a mesma. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ernesto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; entra mudo e sai calado. Como um sabujo, obedece à esposa, toma o 413, salta na avenida e toma a direção do suntuoso consultório. Doutor &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ribeira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, seguindo uma técnica pouco ortodoxa, passa o tal&amp;nbsp;&lt;em&gt;videoclip&lt;/em&gt; na TV diante do divã e a cena é a mesma desde a primeira consulta: olhos estacados pra fora da órbita, mãos que tremem de forma descompassada, suores tremendos. Ao final da exibição do filme, à moda de dona &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Jurema&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, já de pé, doutor &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ribeira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; faz a pergunta com a supressão do adjetivo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vai ou não vai juntar-te a eles?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eis o que eu queria lhes contar desde o início...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ernesto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; matou-se ontem à noite, horas depois do bar fechar as portas. Foi encontrado hoje cedo, por volta das 5h30min.&amp;nbsp;Junto com o copo americano cheio de cachaça, ingeriu dois vidrinhos de chumbinho. Deixou, no bolso da camisa, um bilhete, sua única manifestação inteligível desde 1983:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;"Meus amigos de bar, meus amigos de balcão, meus amigos de copo. Peço perdão pelo silêncio aterrador que impus a mim mesmo já se vão sei lá quantos anos. No bolso direito da minha bermuda tem algum dinheiro. Dá, e sobra, para pagar o pendura do mês de dezembro. Como última homenagem, se é que mereço alguma homenagem, peço&amp;nbsp;uma coisa muito simples. Não quero ouvir Thriller na última morada. Quero que alguém leve um portátil e deixe tocando, durante todo o meu velório, aquele que será meu hino fúnebre. Envelheci mas continuo em exposição, a ex-mulher me chama de sardinha de balcão, eu digo sempre que melhor que apodrecer ao lado dela é ir mofando entre o torresmo e a moela. O tal dinheiro que está no bolso direito compra, também, uma porção de torresmo e uma de moela. Peço que ponham dentro do meu caixão. E que cantem. E que cantem alto. Jurema, essa vaca, não ficará viúva. Ela é, desde que nos casamos, minha ex-mulher. Porque lá em casa a barra era violenta, eu padecia entre a mostarda e pimenta. Obrigado por tudo."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E graças à mágica que cerca todo e qualquer botequim, o bar e a assistência, hoje cedo, eram um só cenário de desolação. O velório está marcado para hoje, às 17h, depois de o corpo ser liberado pelo IML. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Jurema&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que nem deu por falta do marido à noite - dormiam em quartos separados há muitos anos - , foi comunicada hoje cedo do acontecido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Demorou, o filho da puta. - foi só o que disse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às 17h o bar fechará as portas. E&amp;nbsp;o gurufim blanquiano do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ernesto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; promete.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-1793609998597848816?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/1793609998597848816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=1793609998597848816&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/1793609998597848816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/1793609998597848816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/01/o-ernesto.html' title='O ERNESTO'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-8786659475812211884</id><published>2011-01-03T09:10:00.001-02:00</published><updated>2011-01-03T09:12:51.757-02:00</updated><title type='text'>A POSSE DA COMANDANTE ROUSSEFF</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No dia primeiro de janeiro desse 2011 que se inicia, a Mansão dos Zampronha abriu seus salões, em tarde de gala, para que assistíssemos, poucos e bons, à cerimônia da posse da presidenta eleita, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Dilma Rousseff&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.﻿ E é sobre a cerimônia de posse que quero lhes dizer hoje, neste primeiro texto do ano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Confirmando todas as previsões que apontavam para uma altíssima carga de emoção durante a cerimônia, a Mansão dos Zampronha foi praticamente alagada pelas lágrimas que correram de todos os olhos atentos à tela da TV.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O discurso de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Dilma Rousseff&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, feito logo após a posse formal, foi - tenham absoluta certeza disso - absolutamente histórico. Não apenas por ter sido o primeiro discurso de uma mulher eleita presidente do Brasil. Não apenas por ter sido feito por uma mulher que, há cerca de quarenta anos, estava presa nos porões da ditadura militar que afligiu o Brasil por longos vinte e um anos, tendo sido barbaramente&amp;nbsp;torturada pelo Exército durante&amp;nbsp;vinte e dois dias. Mas principalmente porque ela, a&amp;nbsp;Comandante &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Dilma Rousseff&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, já formalmente empossada - o que significa dizer que ali falava a Presidência da República Federativa do Brasil - rendeu homenagens&amp;nbsp;(com a voz visivelmente embargada) a todas as vítimas do regime covarde que fez sangrar o Brasil durante mais de duas décadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;"Queria dizer a vocês que eu dediquei minha toda a minha vida à causa do Brasil. Entreguei, com muitos aqui presentes, minha juventude ao sonho de um país justo e democrático. Suportei as adversidades mais extremas, infligidas a todos que ousamos enfrentar o arbítrio. Não tenho qualquer arrependimento, tampouco não tenho ressentimento ou rancor. (...).&amp;nbsp;Muitos da minha geração, que tombaram pelo caminho,&amp;nbsp;não podem compartilhar a alegria deste momento. Divido com eles esta conquista e rendo-lhes minha homenagem."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meus poucos mas fiéis leitores... Foi neste momento que a casa (a mansão) caiu. Foi impossível resistir ao choro que tomou de assalto as dezenas de olhos grudados na tela da televisão. Ver e ouvir &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Dilma Rousseff&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, orgulhosa, altiva e segura homenageando a todos os que lutaram contra a ditadura foi emocionante demais.&amp;nbsp;Profundamente significativo. E histórico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seguiu-se&amp;nbsp;o chororô durante a revista da tropa, quando os comandantes das Forças Armadas prestaram reverência a ela.&amp;nbsp;Estava ali, diante de nós, sendo virada&amp;nbsp;mais uma página da História do Brasil. A mesma mão que torturou e que matou, batia continência para a primeira mulher presidente do país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como me disse &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Aldir Blanc&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, segundos após o final da cerimônia, por telefone, &lt;em&gt;"se o governo de Dilma for dez por cento do que foi seu discurso, estamos feitos!"&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-8786659475812211884?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/8786659475812211884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=8786659475812211884&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/8786659475812211884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/8786659475812211884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2011/01/posse-da-comandante-rousseff.html' title='A POSSE DA COMANDANTE ROUSSEFF'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-1489060970699354983</id><published>2010-12-30T09:30:00.067-02:00</published><updated>2010-12-30T13:12:31.089-02:00</updated><title type='text'>FINAL DE ANO</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;E﻿is que chegamos ao final do ano de 2010. Para mim 2010 terá a marca da saudade deixada por minha avó, que foi oló há poucas semanas, nesse dezembro que termina amanhã. Terá, também, a marca da batalha que travamos em prol da eleição da primeira mulher presidente do Brasil e a marca do último dos oito anos de governo do primeiro operário presidente do Brasil, revolucionário por conta da inversão que siginificou a impressão de suas medidas. Passamos a pensar grande, deixamos de lado a visão elitista e acadêmica que nos regeu durante séculos e a despedida desse homem, no dia primeiro de janeiro, vai ser emocionante demais,&amp;nbsp;fazendo com&amp;nbsp;que 2011 comece sob a égide também da saudade e da esperança.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Mas o que quero lhes trazer hoje, nesse último texto de 2010, depois desse hiato gerado pela correria do final do ano - meu último texto foi publicado no dia 17 de dezembro - é uma homenagem com cara de cartão postal dirigido a todos vocês, meus poucos mas fiéis&amp;nbsp;leitores, que me lêem.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TRxp34l5KLI/AAAAAAAADjY/8eCqGMsVu2k/s1600/foto+077.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="212" n4="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TRxp34l5KLI/AAAAAAAADjY/8eCqGMsVu2k/s320/foto+077.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2010 não foi, como não tem sido a vida, um ano tranqüilo. A situação que enfrento intramuros é capaz de estabelecer um permanente desafio que - é como penso - exige de mim a exata medida entre o medo e a esperança, entre a angústia e o ânimo, entre o ateísmo e a fé, entre o branco e o preto, entre o fogo e a tempestade, entre a baunilha e o sal. Mais que nunca, e tem sido assim a cada dia que passo, valho-me da lição de um de meus mestres e a cada tristeza ergo o meu&amp;nbsp;copo ao humor - essa é a grandeza que o samba me ensinou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muita gente foi (e é) fundamental para que esse enfrentamento aconteça de forma a não me desestabilizar. E ainda que eu siga permanentemente em estado de visível desequilíbrio, como a esperança que dança na corda bamba de sombrinha,&amp;nbsp;acordo diariamente disposto a assistir, sorrindo, o show continuar de mãos dadas com a esperança-equilibrista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas a homenagem que presto&amp;nbsp;hoje vai pra &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Marcela&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;,&amp;nbsp;minha amada &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Manguaça&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que aparece na foto que ilustra este texto acarinhando meu vira-latas. Ninguém mais foi mais a expressão do carinho do que&amp;nbsp;ela. Não me faltou, nunca, seu abraço, seu cafuné, seus dedos me enxugando o choro, seu colo e seu ombro paciente e doce. Filha de uma moça igualmente imprescindível, filha de um moço que talvez já tenha conhecido minha avó de mais perto, irmã de um sujeito que não&amp;nbsp;nega o berço - ele também um poço de&amp;nbsp;afeto -, a &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Manguaça&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; recebe, daqui, minha mais profunda declaração pública de gratidão por tudo que é, por tudo que representa, por tudo que faz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desejo a vocês, que me lêem, um ano-manguaça. Se no ano-novo todos&amp;nbsp;vocês tiverem que seja dez por cento do que essa moça representou pra mim nesse 2010, o ano de&amp;nbsp;2011 será um ano&amp;nbsp;fabuloso. E não me ocorre palavra melhor e mais adequada do que "fabuloso". Porque é isso que ela é: quase que um troço de fábula, indizível, concretização dos melhores desejos em termos de gente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A todos, muita saúde. Muita disposição para os enfrentamentos que a vida exige. Muito ânimo, muita paz, muito amor, muito axé.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até 2011!&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-1489060970699354983?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/1489060970699354983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=1489060970699354983&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/1489060970699354983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/1489060970699354983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2010/12/final-de-ano.html' title='FINAL DE ANO'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TRxp34l5KLI/AAAAAAAADjY/8eCqGMsVu2k/s72-c/foto+077.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-4755725033685266922</id><published>2010-12-17T07:45:00.000-02:00</published><updated>2010-12-17T07:58:22.280-02:00</updated><title type='text'>AINDA SOBRE O PAULO, O MAGNÍFICO DO RIO-BRASÍLIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conforme lhes contei &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2010/12/o-bom-e-velho-rio-bras%C3%ADlia.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2010/12/as-atuacoes-do-paulo.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;RIO-BRASÍLIA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; tem, em seu magnífico&amp;nbsp;&lt;em&gt;staff&lt;/em&gt;, um único garçom, o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; para uns, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulinho&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; para outros, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Chico Xavier&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; - ou simplesmente "médium" - para os mais gozadores, o sujeito é um &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Nunes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, o ex-camisa 9 da Gávea: absolutamente desastrado no trato com a bola mas capaz de fazer um caminhão de gols para delírio da assistência. O que&amp;nbsp;quer dizer que&amp;nbsp;cada ida ao fabuloso bar da Almirante Gavião (não confundir jamais com a lanchonete da mesma calçada) significa testemunhar atuações de antologia. Como a de ontem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem eu tive a honra e o prazer de&amp;nbsp;conhecer&amp;nbsp;pessoalmente &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Idelber Avelar&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Depois de ler, no &lt;em&gt;twitter&lt;/em&gt;, que o professor tinha vontade&amp;nbsp;de vir ao Rio de Janeiro para conhecer outro mestre, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Luiz Antonio Simas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Idelber&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; vive nos Estados Unidos), meti o bedelho e costurei, humildemente, o encontro. Na Tijuca, evidentemente. Eis que então às 16h ancorei no balcão do buteco ao lado de meu compadre &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Leo Boechat&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Estávamos a caminho do bar quando estrilou meu celular. Era &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Álvaro Costa e Silva&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Marechal&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que seguramente soubera do encontro pelo próprio &lt;em&gt;twitter&lt;/em&gt;. Tentou disfarçar:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ô, meu Edu! Tudo bem? Estou querendo muito beber uma boa batida de gengibre, podes me dar uma dica?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fui direto:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Rio-Brasília, imediatamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minutos depois, chega o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Marechal &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;(e comprovando minha desconfiança, o bom e velho lobo da imprensa não bebeu uma gota sequer de batidade de gengibre... o caboclo queria mesmo era estar entre nós). Um pouco mais e chega o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Idelber&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, gentilíssimo, trazendo uma mala de presentes para mim e para o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Simas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que chegou em seguida. Estrilou de novo meu celular: era &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Diego Moreira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, convocado no ato. Com sua chegada formou-se a mesa de seis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E lá estava, é evidente, o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; - o único garçom da casa. E o bom &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; deu, de novo, um show (fico feliz com a presença dos demais à mesa que poderão servir como testemunhas do que vou contar).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bebíamos, industrialmente, Antarctica. A certa&amp;nbsp;altura o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Idelber&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; manifesta o desejo de uma cachaça. Eu convoco o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; à mesa:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Velho, quais as cachaças que você tem aí?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele sorri.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os doze olhos à mesa percorrem os rostos da assistência. Clima tenso, com exceção do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Diego&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; que não consegue manter a linha diante do garçom - o sujeito explode de rir ao primeiro sinal da presença do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Eu insisto:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quais, Paulo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele pensa um pouco e diz:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não sei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou paciente:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tem Seleta?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele sorri e responde dando pulinhos:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Genebra? Tem!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não, Paulo! Seleta! Se-le-ta! - já gritando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tem, tem, tem!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Duas doses, por favor! - o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Marechal&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; queria também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vimos o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; tomar a direção do bar. Como um luminoso de neon, a garrafa de Seleta se destacava na prateleira. E vimos o magnífico (que é como papai se refere a qualquer garçom) completamente perdido diante da coleção de garrafas, e nesse momento já éramos seis guinchando de rir à mesa. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Luiz Antonio Simas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, sóbrio, ainda disse:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ele incorporou o personagem. Só pode ser de sacanagem!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; foi à cozinha e chamou a preta. Foi ela que apontou a garrafa. E veio à mesa uma dose.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- São duas, Paulo! - disse o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Marechal&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rindo, como quem dá uma boa notícia, ele respondeu:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Só tem essa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passado mais um tempo &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Idelber&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e &lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;Marechal&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;manifestaram vontade de&amp;nbsp;outra cachaça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Paulo, e aí? Quais cachaças ainda têm?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele sorriu de novo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Seleta! - e disse isso com ar de gênio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tu não disse que tinha acabado?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Disse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E então?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele sorriu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fui ao balcão. Voltei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Traga duas doses de Boazinha, por favor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E vieram à mesa dois copos americanos até a boca de cachaça, doses inéditas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas que doses são essas, Paulo?! Enlouqueceu?! - eu disse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E ele, novamente com ares de um gênio que tem sacadas incríveis ao longo do dia, disse piscando o olho:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É uma boa dose. Dose boa. Dose de Boazinha! - e riu de si mesmo como um louco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por conta de compromissos, precisei partir às 19h.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tão logo eu saiba mais sobre a atuação do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; até a saída dos cinco, lhes conto tudo por aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-4755725033685266922?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/4755725033685266922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=4755725033685266922&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/4755725033685266922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/4755725033685266922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2010/12/ainda-sobre-o-paulo-o-magnifico-do-rio.html' title='AINDA SOBRE O PAULO, O MAGNÍFICO DO RIO-BRASÍLIA'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-4305236458509621027</id><published>2010-12-15T10:35:00.003-02:00</published><updated>2010-12-16T09:35:08.084-02:00</updated><title type='text'>AS ATUAÇÕES DO PAULO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem lhes contei, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2010/12/o-bom-e-velho-rio-bras%C3%ADlia.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, sobre os personagens que compõem a assistência do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;RIO-BRASÍLIA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, esse portento tijucano de escol. Fiz brevíssima apresentação do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, o único garçom da casa, uma espécie de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Nunes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, o ex-camisa 9 da Gávea: atua de forma destrambelhada mas salva o sujeito sempre que a coisa aperta. Sobre o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, também manifestou-se o bravo &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Álvaro Costa e Silva&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, nosso bom &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Marechal&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2010/11/licao-das-urnas-genebra-na-cabeca.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;. E é sobre ele que quero lhes contar hoje. Sobre suas atuações, pra ser mais preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para que vocês que me lêem possam construir seus cenários particulares exibo, abaixo, uma foto do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; ao lado de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Breno Boechat&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, no dia em que este último fez sua última incursão ao bar antes de sua viagem para o Canadá, onde fica até meados do primeiro semestre de 2011.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notem bem: nesse dia, 27 de novembro de 2010, o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; usava uma boina de feltro cinza. Foi colocá-la sobre a cabeça e um gozador do pedaço bradou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô, Chico Xavier,&amp;nbsp;materializa um maracujá aqui na minha mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu-se a explosão de gargalhadas, quando o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Breno&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; me pediu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tira uma foto minha com o médium!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, feita a apresentação plástica e visual da figura, vamos ao que quero lhes contar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TQitG5DQNnI/AAAAAAAADjQ/4L9Nf99XxgU/s1600/IMG_0538.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="320" n4="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TQitG5DQNnI/AAAAAAAADjQ/4L9Nf99XxgU/s320/IMG_0538.JPG" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes, porém, uma informação: o bom e doce Professor &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Diego Moreira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, um dos expoentes do bairro, é testemunha de meu carinho no trato com o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Confesso que não tenho nenhuma paciência com o &lt;em&gt;modus operandi&lt;/em&gt; do operário do buteco. Como lhes disse ontem, é completamente surdo, trabalha à base de doses indecentes de cachaça, treme as mãos agudamente, derruba tudo o que encontra pela frente mas é aquele negócio... quando chega perto trazendo o pedido é aquela figura digna de piedade e idolatria. Vou mesmo lhe contar sobre suas atuações, e começo com uma digna de registro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sexta-feira passada fui com minha menina assistir ao show do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;João Bosco&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Já quase em casa, na volta, ela disse para minha satisfação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos beber um maracujá no Rio-Brasília?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando lá chegamos, lá estava o bom &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Poucas vezes vi um magnífico (é como papai chama os graçons) fazer tanto salamaleque. Ele parecia, juro, um mestre-sala diante da cabine dos jurados. Estendeu-me a mão, beijou a mão da moça que me ensinou a sorrir, rodopiou, disse frases que eu não entendi, até que sentamos. E atenção, paulistas, para o que eu vou dizer: assim que risquei o Zippo e acendi meu cigarro, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; gingou em direção ao balcão e me estendeu um cinzeiro (e ele nunca havia feito isso, era mesmo para impressioná-la). Trouxe (e também pela primeira vez), guardanapos, palitos, azeite, sal, pimenta do reino, sendo que não pedimos rigorosamente nada pra comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dois maracujás, por favor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novos jogos de corpo, rapapés teatrais, uma afetação indescritível. Ela disse, depois do primeiro gole:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É sempre assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eis a frase que só mesmo uma mulher:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, que fofo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os marmanjos que me lêem e que já conhecem a peça devem estar guinchando de rir, mas vamos em frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia desses eu estava com o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Felipinho Cereal&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; no &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;BAR DO MARRECO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que fica a exatos 220m a pé do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;RIO-BRASÍLIA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (como seu preciso do início ao fim, eis o mapa &lt;strong&gt;&lt;a href="http://maps.google.com/maps?f=d&amp;amp;source=s_d&amp;amp;saddr=r.+almirante+gavi%C3%A3o,+13,+rio+de+janeiro&amp;amp;daddr=R.+Haddock+Lobo&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;geocode=FWJIov4db5ps_Sk3jd1nU36ZADFfMKJTVXv30w%3BFfpLov4dmqFs_Q&amp;amp;mra=dme&amp;amp;mrcr=0&amp;amp;mrsp=1&amp;amp;sz=19&amp;amp;dirflg=w&amp;amp;sll=-22.91856,-43.2133&amp;amp;sspn=0.001561,0.002411&amp;amp;ie=UTF8&amp;amp;z=19" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;). Bebíamos de pé no balcão quando adentrou o recinto justamente o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Estava disposto a comprar cigarros para um freguês do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;RB&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Cumprimentou-nos e disse ao &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Danilo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, o &lt;em&gt;barman&lt;/em&gt; que trabalha pro &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Marreco&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me vê um &lt;em&gt;crshjwjkhsmill&lt;/em&gt;. - inaudível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Danilo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que já não é muito bom na comunicação, disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um maço de &lt;em&gt;crshjwjkhsmill&lt;/em&gt;. - inaudível de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu e o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Felipinho&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; já rolávamos, como bolas de gude, pelo chão. Fui voluntário:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você quer, Paulo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele riu, já manjando o&amp;nbsp;clima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um maço de cigarro... o nome parece com camelo, sei lá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Felipinho&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, sem fôlego, em meio à explosão ruidosa e prolongada do riso, disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Camel, Danilo! Camel!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tem isso não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Brasil&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, síndico do pedaço, estendeu&amp;nbsp;o indicador em direção ao box de cigarros e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E que porra é aquele ali, ô imbecil!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah! Ninguém compra essa porra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvemos o problema do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra terminar: também na semana passada sentei-me no &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;RIO-BRASÍLIA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; com o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Vidal&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, a &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Lenda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, e com &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Lúcio Lemos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, bissexto na&amp;nbsp;área, mais assíduo no circuito Botafogo, onde trabalha. Papo vai,&amp;nbsp;maracujá vem, papo vem, maracujá de novo, o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Lúcio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; sinaliza em direção ao &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. É um carinhoso, o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Lúcio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô, Paulinho, quebra uma pra mim? Compra um Carlton ali no Estudantil pra mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu senti quando o caboclo tremeu na base. O olhar de esguelha em minha direção foi indisfarçável. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Lúcio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; estendeu a nota de cinco&amp;nbsp;reais e&amp;nbsp;vimos partir o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; para sua marcha de não mais que 30m, trajeto ida e volta em menos de cinco minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarenta minutos depois chega o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Imediatamente ele põe sobre a mesa um maço de Lucky Strike. O &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Lúcio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tinha Carlton?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Lúcio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que você trouxe Lucky Strike?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este, meus poucos mas fiéis leitores, é o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando voltei lá, no dia seguinte, disse-me o pobre-coitado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De hoje em diante só saio pra comprar cigarro levando a embalagem pra comprar igual...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-4305236458509621027?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/4305236458509621027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=4305236458509621027&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/4305236458509621027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/4305236458509621027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2010/12/as-atuacoes-do-paulo.html' title='AS ATUAÇÕES DO PAULO'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TQitG5DQNnI/AAAAAAAADjQ/4L9Nf99XxgU/s72-c/IMG_0538.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-5764933956516894120</id><published>2010-12-14T08:30:00.071-02:00</published><updated>2010-12-14T09:00:49.361-02:00</updated><title type='text'>O BOM E VELHO RIO-BRASÍLIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;RIO-BRASÍLIA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, já lhes disse isso diversas vezes, é meu buteco de estimação. Além de ficar a exatos 120 metros de minha casa, é perfeito no que diz respeito à estrutura (azulejos antigos, balcão farto, bebida gelada etc) e ao atendimento. O &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Paulo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, o único garçom da casa, é o pior garçom do&amp;nbsp;Brasil (quiçá do mundo)&amp;nbsp;mas é um excelente garçom. É surdo, bebe mais que toda a clientela, treme horrores, quebra diversos copos e garrafas por dia, derrama metade do maracujá no trajeto entre o balcão e a mesa mas é de uma gentileza comovente. Estive lá anteontem, uma vez mais, na companhia de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Felipinho Cereal&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Luiz Antonio Simas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (acompanhado de sua senhora) e &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Vidal&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, a &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Lenda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Minha menina deu-me o visto para descer com uma condição:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Já não bastam as 14 horas na rua ontem?! Vê lá, hein?! Vá rápido e traga o Vidal pra beber um uisquinho com você aqui...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma doçura que me emociona. A frase &lt;em&gt;"traga o Vidal pra beber"&lt;/em&gt; deveu-se a uma de minhas frases clássicas que uso em caso de extrema necessidade:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu preciso ir, sabe? O Vidal não tá nada bem... - dita com uma expressão gravíssima, uma máscara de corredor de UTI.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela sabe que é mentira em 90% dos casos mas funciona sempre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao chegar no bar - eis o que eu queria lhes contar - a mesma assistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taí uma das características marcantes de qualquer bom e clássico botequim. A assistência. Vejam vocês que os bares incensados pela imprensa têm sempre um público de museu, e explico: são pessoas estranhas ao ambiente e que chegam em levas intermináveis, ora de van (há quem organize expedições aos bares em vans), ora guiados pelo GPS do automóvel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já os tradicionais, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não têm&amp;nbsp;público de museu. Têm, mais que freqüentadores, figurantes fixos. Aqueles que, quando não aparecem no pedaço, merecem a frase:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fulano faltou hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;RIO-BRASÍLIA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; é assim. E lembrei-me de lhes contar isso por conta da atuação&amp;nbsp;do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Vidal&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; na noite de domingo. Muito provavelmente para ver aflorar minha veia crítica deu de perguntar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem é esse, Edu? E aquele? E aquele outro? - por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Felipinho Cereal&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; me ajudou nas respostas. Lembrei-me de um detalhe:&amp;nbsp;em um desses botequins clássicos - como o descrito &lt;strong&gt;&lt;a href="http://sodoiquandoeurio.blogspot.com/2010/11/butiquim-que-se-preza.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; por&amp;nbsp;meu irmão, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Fernando Szegeri&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; - poucas vezes se sabe o nome dos figurantes. O que vale é mesmo o apelido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá estava no domingo o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Benito di Paula&amp;nbsp;Preto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;"com a mesma camisa há três dias"&lt;/em&gt;, apontou o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Cereal&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. O sujeito é os cornos do cantor friburguense, aquele cabelão, aquela barbicha. Antes de prosseguir quero lhes contar um troço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papai é um homem que anda com uma carteira&amp;nbsp;imaginária de frases prontas no&amp;nbsp;bolso. E sempre - eu disse sempre! - que papai passa em frente a um botequim e vê, lá, sentado numa das mesas ou mesmo de pé no balcão, uma pobre alma solitária bebendo sua cerveja, ele solta em tom de lamento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Coitado... Todos os dias esse homem está aí.&amp;nbsp;Não tem família! Não tem família!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois estava no &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;RIO-BRASÍLIA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, também, a &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Sem Família&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Trata-se de uma mulher na casa de seus 45 anos e freqüentadora diária. Parece um daqueles vendedores de bilhete de loteria dos botequins: passa a noite indo de mesa em mesa, filando um cigarro aqui, um gole de cerveja ali, até que é resgatada, todas as noites, pelo filho. Há, é preciso dizer, outras duas&amp;nbsp;com o mesmo comportamento: são a &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Sem Família I&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e a &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Sem Família II&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Há também a &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Cássia Eller da Tijuca&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;,&amp;nbsp;moradora do prédio em cima do bar. Pelo que conta &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Felipinho Cereal&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, um observador nato, mora com outra mulher e as duas adotaram uma criança que - vejam vocês! - também tem apelido: &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Chicão&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, por conta do nome do filhote da roqueira falecida. Outra figura clássica: o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Bigodinho&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;,&amp;nbsp;vizinho do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Cereal&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Também o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Taxista&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que todos os dias - todos! - comparece com a mulher e o casal de filhos. Outro que estava lá diariamente - mas sumiu - é o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Pica-Pau&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Depois que se envolveu&amp;nbsp;num imbróglio que beirou as vias de fato com o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Felipinho Cereal&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e o &lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;Espanhol&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, seu tio, sumiu para sempre. O &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Felipinho&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, inclusive, já é chamado pela assistência de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Exterminador de Aves&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, por conta disso. Pois ficamos ali legendando os personagens para delírio do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Vidal&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Pagamos a conta - e uma vez mais coube a cada um menos de dez reais - e fomos pra casa, eu e meu dentista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Vidal&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, à certa altura, já na terceira dose de uísque - foi-se embora minha garrafa de Blue Label - contou pra minha menina minha atuação quanto à apresentação dos figurantes. E ela, de voleio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E tu acha que falam o quê do Edu? Ele também está lá todos os dias, todos os dias!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De olhos baixos - aqueles olhos-faróis, verdíssimos, perdição de suas pacientes - ele disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É... pouco antes do Edu chegar a Cássia Eller da Tijuca comentou sobre a ausência da Baleia de Gravata. Foi quando o Benito di Paula Preto perguntou a ela se a referência era ao Maracujá-Kojak.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-5764933956516894120?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/5764933956516894120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=5764933956516894120&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/5764933956516894120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/5764933956516894120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2010/12/o-bom-e-velho-rio-bras%C3%ADlia.html' title='O BOM E VELHO RIO-BRASÍLIA'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-2708726736236741715</id><published>2010-12-10T13:45:00.001-02:00</published><updated>2010-12-13T17:36:58.171-02:00</updated><title type='text'>NOEL ROSA - 100 ANOS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E﻿is que amanhã &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Noel Rosa&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; faz 100 anos. Não vou fazer do balcão virtual do &lt;strong&gt;BUTECO&lt;/strong&gt; oratório para chorumelas ou arengas contra a calhordice da prefeitura calhorda do Rio de Janeiro que ignora solenemente a data. É uma vergonha, é verdade, mas não se poderia mesmo esperar nada diferente de uma administração que parece querer marcar sua atuação por conta da chamada operação &lt;em&gt;"choque de ordem"&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O povo carioca, entretanto, é mestre na arte da subversão da ordem. E historicamente dispensa o auxílio do poder constituído para fazer suas festas que também historicamente sempre lhe foram sonegadas, boicotadas, proibidas até.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amanhã, portanto, é dia do carioca sair às ruas (como sempre, aliás...) e brindar à memória de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Noel&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Beber, cantar, jogar porrinha, fazer samba, fazer troça, incorporar o espírito do homem que em tão pouco tempo de vida nos deixou um legado que está aí, quase um século depois, vivo e impregnado no imaginário popular.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;strong&gt;BUTECO&lt;/strong&gt; fica, portanto, até segunda-feira,&amp;nbsp;exibindo &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Noel&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; através do traço inconfundível do mestre &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Loredano&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, um homem que, como o Poeta da Vila, ama o Rio de Janeiro inifinitas vezes mais que qualquer administrador oportunista como os que ora ocupam os cargos de comando da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como dica para amanhã indico a roda de samba que outro carioca máximo, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Rodrigo Ferrari&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, fará em frente à livraria &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;FOLHA SECA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, na rua do Ouvidor 37. Mas o ponto alto, quero crer, será mesmo na Vila Isabel, no Boulevard 28 de Setembro, onde viveu &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Noel Rosa&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. É lá que ele &lt;em&gt;"vaga na noite e no dia, vive na Terra e no céu"&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TQJFPTpG1tI/AAAAAAAADjM/brA89-66wNI/s1600/20100326-noel.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" n4="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TQJFPTpG1tI/AAAAAAAADjM/brA89-66wNI/s320/20100326-noel.jpg" width="221" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-2708726736236741715?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/2708726736236741715/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=2708726736236741715&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/2708726736236741715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/2708726736236741715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2010/12/noel-rosa-100-anos.html' title='NOEL ROSA - 100 ANOS'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TQJFPTpG1tI/AAAAAAAADjM/brA89-66wNI/s72-c/20100326-noel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-9149494896294733636</id><published>2010-12-09T14:20:00.000-02:00</published><updated>2010-12-09T14:24:04.257-02:00</updated><title type='text'>O ESPÓLIO DE MINHA AVÓ - II</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Prossigo hoje escarafunchando o baú que ganhei de presente de mamãe por ocasião da morte de minha avó, conforme lhes contei ontem, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2010/12/o-espolio-de-minha-avo.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vovó tinha 8 anos de idade nesta impactante fotografia, tirada no dia 19 de fevereiro de 1933, um domingo, uma semana antes do início do Carnaval. A foto foi tirada no jardim da casa na qual moravam meus bisavós, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Eugenio Augusto Monteiro de Barros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (é o quarto da esquerda para a direita, na fila mais alta da fotografia, de camisa branca e braços cruzados) e &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Mathilde Veloso Monteiro de Barros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (a terceira da esquerda para a direita, na fila mais baixa, de saia preta e camisa branca), na rua Marquês de São Vicente 186, na Gávea. A casa, é claro - como ocorre em uma cidade que pouco valoriza sua memória - não existe mais, e ficava quase em frente ao terreno no qual se localiza, hoje, a &lt;strong&gt;PUC&lt;/strong&gt;. À certa altura (depois apuro isso com afinco) meu bisavô vendeu a casa para, sabiamente, mudar-se com a família para a Tijuca (e dizia-se Engenho Velho, à época).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Algumas coisas me chamam a atenção na fotografia que pode ser vista, maior, com um&amp;nbsp;simples clique sobre ela. Antes, uma breve pausa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meus bisavós tiveram seis filhos, pela ordem de nascimento: &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Maria Florinda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que morreu muito nova, aos 15 anos, vítima do&amp;nbsp;tétano&amp;nbsp;(dia desses falo sobre ela, que inspirou minha avó, sua irmã, a dar seu nome à minha mãe), &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Francisco de Paula Monteiro de Barros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (tio &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Chico&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;), &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Carlinda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (tia &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Linda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;), &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Silvio Augusto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (tio &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Silvio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;), &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Mathilde&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (minha avó) e &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Carlos Henrique&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (tio &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Hique&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Havia (ainda há, parece) uma espécie de pacto entre os &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Monteiro de Barros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;: o primogênito de todo &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Eugenio Augusto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; seria obrigatoriamente um &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Francisco de Paula&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, e todo primogênito de um &lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;Francisco de Paula&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; seria obrigatoriamente um &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Eugenio Augusto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, e vejam vocês se isso não justifica, de certo modo, o transtorno obsessivo compulsivo (TOC) que me persegue.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos aos personagens da fotografia, sempre da esquerda para a direita: na primeira fila, a mais baixa, dona &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Lina&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, mãe de minha bisavó, avó de vovó, bisavó de minha mãe. A seu lado, dona &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Adelina&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. A seu lado, minha bisavó, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Mathilde&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (elegante, elegante!, a dona da casa), mãe de vovó e avó de minha mãe. A seu lado, o doutor &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Oscar&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, personagem mítica da filha (falarei sobre ele em brevíssimo!). E a seu lado, fechando a fila, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Francisco de Paula&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, o primogênito de meu bisavô, que se casaria, em 1942, com a tia &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Noêmia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (sobre a tia &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Noêmia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, recomendo vivamente um de meus textos preferidos sobre a família, &lt;strong&gt;DEBUTE NO ENGENHO NOVO&lt;/strong&gt;, de primeiro de setembro de 2006, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2006/09/debute-no-engenho-novo.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;). Notem que tanto o doutor &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Oscar&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; quanto o tio &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Chico&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; têm, nas mãos, uma caneca de cerveja preta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda fila: não consegui descobrir quem são as duas primeiras. O baixinho que vem depois é o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Soony&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que está no colo de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alzira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, sua mãe,&amp;nbsp;irmã de minha bisavó, a tia &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Zirota&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (e sobre minha tia &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Zirota&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, a que voava, também recomendo a leitura de &lt;strong&gt;MINHA PRIMEIRA VIAGEM&lt;/strong&gt;, de 24 de janeiro de 2008, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2008/01/minha-primeira-viagem.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;). Os demais não consegui identificar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo acima da tia &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Zirota&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, erguendo um copo, está &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Carlinda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, minha tia &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Linda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. A seu lado, em pé, dona &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Mathilde&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, minha avó, com apenas 8 anos. O menino ao lado de minha avó é &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Carlos Henrique&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, meu tio &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Hique&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três primeiros da fila de cima também não consegui saber quem são.&amp;nbsp;Logo depois, meu bisavô. A seu lado, tio &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Procter&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, inglês, marido de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Alzira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (minha&amp;nbsp;tia &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Zirota&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;), com &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Marylou&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; no colo, irmã do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Soony&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TQDvyLgilsI/AAAAAAAADjI/CZXqpK900nQ/s1600/bisa+e+biso+na+marqu%25C3%25AAs+de+s%25C3%25A3o+vicente+186+em+19+de+fevereiro+de+1933.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="320" n4="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TQDvyLgilsI/AAAAAAAADjI/CZXqpK900nQ/s320/bisa+e+biso+na+marqu%25C3%25AAs+de+s%25C3%25A3o+vicente+186+em+19+de+fevereiro+de+1933.jpg" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos ao que quero lhes contar hoje. Não... não quero lhes contar mais nada hoje. E que fiquem aí, registrados os personagens de muitas das histórias que lhes contarei nos próximos dias. Como quase todo mundo que mantém relação afetiva com seus ancestrais, tenho um corolário de histórias que beiram a ficção envolvendo toda essa gente aí da fotografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desfiando esse novelo aqui, publicamente, aplaco a saudade que sinto de todos eles, dos que conheci e dos que me são vivos por conta da memória de tudo aquilo que ouvi ao longo de 41 anos de vida. Como diz um de meus mestres, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Aldir Blanc&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, é na saudade &lt;em&gt;"que tudo que amei sobrevive"&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-9149494896294733636?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/9149494896294733636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=9149494896294733636&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/9149494896294733636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/9149494896294733636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2010/12/o-espolio-de-minha-avo-ii.html' title='O ESPÓLIO DE MINHA AVÓ - II'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TQDvyLgilsI/AAAAAAAADjI/CZXqpK900nQ/s72-c/bisa+e+biso+na+marqu%25C3%25AAs+de+s%25C3%25A3o+vicente+186+em+19+de+fevereiro+de+1933.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-8000509092795167507</id><published>2010-12-08T14:30:00.009-02:00</published><updated>2010-12-08T15:08:26.728-02:00</updated><title type='text'>O ESPÓLIO DE MINHA AVÓ</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc0000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(dedicado a meus irmãos, Fernando Braga Goldenberg e Cristiano Braga Goldenberg, e a minha mãe, Mariazinha)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mamãe viveu ontem, ao lado de minha menina, de certa forma (infinitamente menos dolorosa, é verdade), o drama de &lt;em&gt;"arrumar o quarto de um filho que já morreu"&lt;/em&gt;.﻿ Esteve na casa de vovó, na Tijuca evidentemente, para tratar das coisas práticas que o evento morte exige. Eu, um poltrão (como diria minha bisavó), evitei a tarefa. Mas vamos ao que quero lhes contar, sempre norteado pela lição&amp;nbsp;de grandeza que o samba me ensinou: erguer o copo ao humor (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Aldir Blanc&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha infância é povoada de mulheres. Bisavós, tias, avós, a parentalha toda (e fomos sempre uma família, digamos, regida pelo matriarcado - refiro-me à linhagem de mamãe) virava e mexia soltava uma frase que era, na verdade, o brandir de um brasão imaginário:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Somos parentes do Barão de Paraopeba!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso era usado em qualquer situação. Encerrava-se uma discussão com algum vizinho com essa sentença fatal:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Somos parentes do Barão de Paraopeba!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pequena pausa: isso me vinha sempre à cabeça, anos depois, quando eu ouvia o anúncio &lt;em&gt;"ninguém, ninguém, ninguém segura o Khalil!"&lt;/em&gt; (entendam isso, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2008/11/ningum-segura-o-khalil.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Barão de Paraopeba&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; era, para mim, na mais tenra infância, um mito. Vamos em frente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes, porém, nova pausa: peço ao meu dileto e fraterno &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Diego Moreira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, especialista na arte de escarafunchar o passado das famílias, que me auxilie com os graus de parentesco daqui por diante. Vamos lá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Romualdo José Monteiro de Barros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; era o nome do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Barão de Paraopeba&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Teve, o dito cujo, 11 (onze) filhos, sendo&amp;nbsp;que o mais velho era&amp;nbsp;o Desembargador &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Francisco de Paula Monteiro de Barros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Este, por&amp;nbsp;sua vez, teve 08 (oito) filhos, um deles &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Eugenio Monteiro de Barros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, nascido na fazenda &lt;strong&gt;Boa Esperança&lt;/strong&gt;, de propriedade do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Barão&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, em Congonhas do Campo, MG, em 20 de agosto de 1835. Vida que segue, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Eugenio Monteiro de Barros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; casou-se, já no Rio de Janeiro, com &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Francisca Carolina Werna da Fonseca Monteiro de Barros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, nascida em 25 de maio de 1845, tendo morrido a dona &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Chica&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; em 28 de fevereiro de 1918. Eis que dona &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Chica&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; era outra personagem de minha infância. E isso porque as minhas velhotas particulares tinham uma outra frase impactante:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Cadê o postal que a Isabel mandou pra Chica?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era essa frase ser lançada no ar e havia sempre um atropelo em direção a uma das cômodas de um dos cômodos da casa de minha biasavó.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos em frente. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Eugenio Monteiro de Barros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Francisca Monteiro de Barros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; tiveram 08 (oito) filhos. Um deles? &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Francisco de Paula Monteiro de Barros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, nascido em 12 de fevereiro de 1871. Foi este &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Francisco&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (que já tem nome idêntico ao Desembargador lá do começo da história) que casou-se, em 17 de setembro de 1892, com &lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;Leonor Isabel de Sá Caminha&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Dentre os filhos que tiveram, nasceu meu bisavô, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Eugenio Augusto Monteiro de Barros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (tenho histórias dele pra contar, a quem não conheci, mas fica pra outro dia, vamos em frente), no dia 22 de novembro de 1893. Meu bisavô exerceu durante muitos anos o alto cargo de contador da &lt;strong&gt;Companhia de Navegação Costeira&lt;/strong&gt;, foi presidente da &lt;strong&gt;União dos&amp;nbsp;Empregados do Comércio do Rio de Janeiro&lt;/strong&gt;,&amp;nbsp;deputado federal classista tendo assinado a Constituição de 1934 e casou-se em 17 de maio de 1913 (mesmíssimo dia em que nasceu, anos depois, minha mãe), com a dona&amp;nbsp;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Mathilde Veloso&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, minha amada bisavó, que passou a assinar &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Mathilde Veloso Monteiro de Barros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, ela filha de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Francisco Veloso&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, português, e de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Julia Pinheiro Veloso&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, egressa de São João da Barra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora é que eu preciso do &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Diego&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;! Eu sou o quê da dona &lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;Francisca&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, meu Deus?! Isso deixa para lá, vamos em frente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As velhotas se engalfinhavam, de vez em quando, em busca de ver, de tocar, de ler o tal &lt;em&gt;"postal que a Isabel mandou pra Chica"&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É que a dona &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Francisca&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, a &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Chica&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, era amicíssima da dona &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela&amp;nbsp;Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Filhota de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Dom Pedro II&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Isabel&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; casou-se com o &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Conde d´Eu&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; dando origem aos atuais herdeiros da coroa imperial, os &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Orléans e Bragança&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Eis o fato: dona &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Chica&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; era muito amiga da &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Princesa Isabel&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Isabel&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; deixou o Brasil com 43 anos de idade (e se eu estiver errado me corrijam) em 17 de novembro de 1889, pouco depois da proclamação da República. Consta que teria partido &lt;em&gt;"aos soluços, sob as ordens e intimações do tenente-coronel João Nepomuceno Mallet"&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Consta das lendas familiares que &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Chica&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; traficava feijão preto pra França, a fim de matar as saudades que &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Isabel&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; sentia do Brasil, do Rio de Janeiro. Consta, ainda, que eram muitas as correspondências mantidas guardadas sabe-se lá por quem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eis o que eu queria lhes contar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vovó mantinha em casa um dos postais - o tal, o tal! - e mamãe, ontem à noite e a pedido meu, fez de mim o fiel depositário do que é, pra nós, um documento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O postal, datado de 08 de outubro de 1915, foi enviado de Paris e traz, na frente, uma fotografia de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Isabel&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, onde se lê:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;"Saudosos agradecimentos, Isabel Condessa d´Eu"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TP-RSrVRPTI/AAAAAAAADjA/H7XZ5WflCH0/s1600/postal+princesa+isabel+frente+001.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="320" n4="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TP-RSrVRPTI/AAAAAAAADjA/H7XZ5WflCH0/s320/postal+princesa+isabel+frente+001.jpg" width="207" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No verso, lê-se:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;"Minha querida Chica: quanto lhe agradeço suas boas acções por ocasião do dia 29 de julho! (...) na saudosa Cathedral! Quantas recordações!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Não me lembro&amp;nbsp;se você já tem esta photographia. Em todo caso lhe mando e com ella nossas lembranças muito affectuosas.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Isabel Condessa d´Eu.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;O Silva Costa lhe fará entregar os 500$ que lhe serão úteis queridíssima!"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TP-RYkz9LGI/AAAAAAAADjE/c6yYZlSHOWU/s1600/postal+princesa+isabel+verso+001.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="203" n4="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TP-RYkz9LGI/AAAAAAAADjE/c6yYZlSHOWU/s320/postal+princesa+isabel+verso+001.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É, de fato, emocionante, estar com o cartão em mãos, 95 anos depois dele ter sido expedido de Paris, manuscrito&amp;nbsp;pela &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Princesa Isabel&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;,&amp;nbsp;de ter chegado às mãos da dona &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Francisca&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (segundo minhas parcas contas, minha tataravó), de ter ficado tantos anos com minha bisavó, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Mathilde&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, e outros tantos com minha avó, também &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Mathilde&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É desse patrimônio, imaterial e afetuoso, que é feito o espólio de minha avó.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E tem sido tão fascinante o revirar&amp;nbsp;do baú que me foi entregue que tenho ouvido, em estado febril, o alarido das velhotas em&amp;nbsp;êxtase diante das lembranças que guardo dentro de mim, agora amparadas pelos documentos, pelas fotografias, pelos bilhetes e pelas cartas que mamãe me entregou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o passar dos dias, se os deuses assim permitirem, divido muitas coisas com vocês, contando as histórias que cresci ouvindo e que ainda&amp;nbsp;hoje me assombram de deslumbramento de tanto amor que minha família semeou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-8000509092795167507?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/8000509092795167507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=8000509092795167507&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/8000509092795167507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/8000509092795167507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2010/12/o-espolio-de-minha-avo.html' title='O ESPÓLIO DE MINHA AVÓ'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TP-RSrVRPTI/AAAAAAAADjA/H7XZ5WflCH0/s72-c/postal+princesa+isabel+frente+001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-19689638784987449</id><published>2010-12-07T08:45:00.004-02:00</published><updated>2010-12-07T08:53:15.762-02:00</updated><title type='text'>VOVÓ (1924-2010)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Eis que vovó, minha avó materna, dona &lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;Mathilde&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, personagem de tantas histórias contadas aqui neste &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt;, personagem de tantas histórias que vi e vivi ao longo de meus 41 anos de vida, foi oló na noite de domingo. Estava eu em São Paulo quando o telefone tocou às 23h15min com a notícia. Vovó estava internada há pouco mais de duas semanas e confesso a vocês, publicamente, que não consegui receber a tristeza como companheira diante da notícia: vovó viveu intensamente seus 86 anos de vida, dos quais 41 comigo como testemunha, seu primeiro neto, sempre norteada pelo intenso amor herdado do exemplo de vida de sua mãe,&amp;nbsp;minha bisavó, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Mathilde&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; também, o mesmíssimo amor que igualmente norteia a vida de mamãe, sua filha única. Na foto abaixo, que já ilustrou tantos textos aqui publicados, sou o menino de calças curtas e camisa listrada com a mão direta na mão de mamãe, com a mão esquerda nas mãos de vovó, ao lado também de minha bisa, que foi pro Orum em 1982, e tinha eu só 13 anos de idade (o que é, convenhamos, um privilégio... conviver 13 anos com a bisavó é um presente!).&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TP4JB33hV2I/AAAAAAAADi4/l5eXHgdHUhw/s1600/mam%25C3%25A3e%252C+eu%252C+vov%25C3%25B3+e+bia.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="240" ox="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TP4JB33hV2I/AAAAAAAADi4/l5eXHgdHUhw/s320/mam%25C3%25A3e%252C+eu%252C+vov%25C3%25B3+e+bia.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem a conheceu - e refiro-me aqui a meus amigos mais próximos - por ela se encantou. Doce, pose e porte de rainha, cheirosa que só ela, vaidosa que só ela, vovó era um encanto de pessoa (escrevo &lt;em&gt;"era um encanto de pessoa"&lt;/em&gt; e já me corrijo, vovó é um encanto de pessoa). A foto abaixo, de setembro de 2008, mostra vovó ao lado da minha menina e de sua menina, minha mãe. Vovó estava - como se vê, e como esteve até o último dia - elegante para receber, no Rio, na casa de meus pais, o portentoso &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Fernando Szegeri&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, meu irmão e também seu neto. Vou lhes contar, ao longo dos próximos dias, histórias bacanas da dona &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Mathilde&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, cujo velório, ontem, recebeu um público de Fla x Flu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E é justo sobre o velório - rodrigueano - que quero lhes contar hoje, seguindo o princípio de que é preciso erguer o copo ao humor, sempre!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TP4JGzZuYfI/AAAAAAAADi8/qNZTVWUiHrg/s1600/FOTOS+045.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="212" ox="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TP4JGzZuYfI/AAAAAAAADi8/qNZTVWUiHrg/s320/FOTOS+045.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegamos de SP, eu e minha menina, por volta do meio-dia. Lá estavam suas amigas do pôquer - vovó jogava pôquer no Méier todas as sextas-feiras em uma mesa na qual era a caçula! -, dos centros espíritas que freqüentava, da "costura" - vovó costurava fraldas, lençóis, cobertores e mantinhas para os pobres - primas e primos, sobrinhas e sobrinhos, vizinhos e vizinhas, enfim... como lhes falei, um público de Fla x Flu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi, meus poucos mas fiéis leitores, um velório tijucano e rodrigueano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo na entrada da capelinha, uma coroa de flores gigantesca enviada por&amp;nbsp;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Gilberto Braga&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, sua irmã &lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;Rosa Maria&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;e seu irmão &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ronaldo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Vovó era amicíssima da &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Ieda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, mãe dos três. Sua melhor amiga, contam. Os três a chamavam "tia Tida"&amp;nbsp;e por ela tinham um carinho sem tamanho. Pois vamos à cena no melhor estilo Tijuca. As velhotas que se acotovelavam em volta do caixão vez por outra apontavam na direção da tal coroa de flores. Havia um alarido (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Nelson Rodrigues&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;) de vozes acompanhando aquele apontar de dedos. Até que deu-se a cena de cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das velhas tomou a direção da coroa de flores arrastando outra velhota pela mão. Estacou diante da coroa equilibrada no cavalete, pouco depois de estender uma câmera fotográfica para sua amiga. Postou-se ao lado da bóia de flores, esticou a faixa com os dizeres "saudades eternas", apontou pro nome do autor de novelas e disse pra outra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tira! Tira! Vai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que formou-se uma pequena fila para a mesmíssima fotografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não ficou aí, apenas, o tijucanismo do momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À certa altura adentra a capelinha &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Dayse Lúcidi&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, prima da vovó. A radialista e atriz, hoje fazendo o papel de uma avó e cafetina na novela das oito, causou um furor de velhas no salão. Cochichos, fotografias, explosão de flashes, autógrafos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá estava vovó vivendo o drama tantas vezes retratado por &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Nelson Rodrigues&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"A dor tem, ao fundo, um alarido de xícaras e de pires"&lt;/em&gt;, disse o mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, diante da ausência do bar da capela e da presença da&amp;nbsp;modernidade, o alarido foi de flashes e do automático das câmeras portáteis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-19689638784987449?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/19689638784987449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=19689638784987449&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/19689638784987449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/19689638784987449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2010/12/vovo-1924-2010.html' title='VOVÓ (1924-2010)'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TP4JB33hV2I/AAAAAAAADi4/l5eXHgdHUhw/s72-c/mam%25C3%25A3e%252C+eu%252C+vov%25C3%25B3+e+bia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-1125732977175318996</id><published>2010-12-03T13:45:00.002-02:00</published><updated>2010-12-03T14:21:25.217-02:00</updated><title type='text'>MAIS SOBRE LUCIANA FRÓES</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Anteontem publiquei &lt;strong&gt;O ANTI-BRASIL, NO JORNAL O GLOBO&lt;/strong&gt;. No texto, expus um filminho feito e exibido pela &lt;em&gt;"gastromaníaca"&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Luciana Fróes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; - o adjetivo dado por ela mesmo - gravado no restaurante &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;LAGUIOLE&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, aqui no Rio. A crítica gastronômica exibe, ali, orgulhosa e deslumbrada, uma &lt;em&gt;"chámmelier"&lt;/em&gt; - vejam &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2010/12/o-anti-brasil-no-jornal-o-globo.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;. Vai ao delírio com ampulhetas, pinças, tesouras, acha aquilo tudo o máximo e ajuda, assim, o jornalão em sua missão perniciosa em busca da destruição das coisas mais simples. Volto hoje à dita senhora.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;A horripilante revista &lt;strong&gt;RIOSHOW&lt;/strong&gt;, que vem encartada às sextas-feiras no jornal, traz matéria de sua autoria intitulada &lt;strong&gt;É COISA NOSSA&lt;/strong&gt;. Vocês leiam a matéria abaixo e me digam se esses&amp;nbsp;troços exaltados pela anti-carioca&amp;nbsp;são coisas nossas. Vamos à análise da coisa, eis que sou preciso do início ao fim - coisa que incomoda sobremaneira a meus detratores.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Primeiro equívoco? No primeiro parágrafo, na primeira frase:&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;"Embalada pelo clima de amor à cidade que toma conta dos cariocas (...)."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Só mesmo uma anti-carioca que não conhece a cidade em que vive pode dizer uma atrocidade dessas. Perguntem a &lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;Luiz Antonio Simas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, carioca máximo, se ele está embalado pelo amor à cidade (e a lastimável colunista só pode estar fazendo referência à invasão, pela polícia, do Complexo do Alemão) ou se ele a ama desde antes de nascer. Façam a mesma pergunta a &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Felipe Quintans&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, a &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Leonardo Boechat&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, a &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Marcos&amp;nbsp;Handofsky&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, a &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Fernando Szegeri&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, a &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Bruno Ribeiro&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, a &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Arthur Tirone&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, estes três últimos moradores do Estado de São Paulo e mais cariocas que 99,99% dos leitores da revista que não se presta nem para servir de privada pro meu vira-latas. Mas vamos em frente. Pode ser - vocês devem estar pensando - implicância minha.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;O que vocês acham da exaltação aos &lt;em&gt;"biscoitos de polvilho à la Globo, que magistralmente o chef carrioca Claude Troisgros costumizou (com curry) e transformou numa das atrações do couvert de seu Olympe"&lt;/em&gt;? Deixando de lado o erro grotesco da jornalista - o certo é &lt;strong&gt;customizar&lt;/strong&gt; e não &lt;em&gt;"costumizar"&lt;/em&gt; - qual&amp;nbsp;é o carioca que deixa de comer o biscoito original, fabricado na Rua do Resende, e vendido a R$ 0,50 (cinqüenta centavos) em qualquer loja honesta da cidade (não nas praias, onde custa R$ 3,00) para comer esse biscoito com &lt;em&gt;curry&lt;/em&gt; criado pelo &lt;em&gt;"chef carrioca"&lt;/em&gt; e&amp;nbsp;que deve custar os olhos da cara? Tem mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Que tal a dica do picadinho a R$ 70,00 (setenta reais) (!!!!!)????? Picadinho eu como em qualquer buteco honesto por não mais do que R$ 10,00 (dez reais) - e estou jogando o preço bem pra cima. E sem essa porra de &lt;em&gt;"terroir"&lt;/em&gt;!!!!! - vão tomando nota das expressões internacionais usadas pela referida senhora.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;E a&amp;nbsp;indicação da capirinha de lima-da-pérsia, &lt;em&gt;"invenção de Chico Mascarenhas, restaurateur (...)"&lt;/em&gt;? O &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;GUIMAS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; ainda foi elevado à categoria de &lt;em&gt;"bistrô franco-carioca"&lt;/em&gt;. Ela pergunta:&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;"Conhece igual?"&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Conheço, &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Luciana Fróes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Conheço muitos. E muito melhores! E pela metade do preço, diga-se.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Ocorre que o mais nojento, o mais revoltante, o mais abjeto da abjeta matéria, está por vir.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Demonstrando com isso o quanto &lt;strong&gt;O GLOBO&lt;/strong&gt; não enxerga a cidade do Rio de Janeiro senão como uma ilhota chamada&amp;nbsp;zona sul, o quanto o jornalão odeia (e não conhece)&amp;nbsp;a cidade e seus habitantes de outras regiões que não as consideradas nobres pela autora da matéria, ela&amp;nbsp;diz que &lt;em&gt;"vale a viagem até Vicente de Carvalho"&lt;/em&gt; para comer o bolinho de bacalhau da &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;ADEGA D´OURO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; que ela só deve conhecer por conta de expedições de vans organizadas por... ... ...&amp;nbsp;isso-deixa-para-lá.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Isso mesmo. Ela recomenda uma &lt;strong&gt;VIAGEM&lt;/strong&gt; até Vicente de Carvalho. Distante pouco mais de 15km de onde moro.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Um nojo. Um nojo absoluto!&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;A matéria está aí, na íntegra.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TPkQgzmxxlI/AAAAAAAADiw/grterXyr22A/s1600/luciana+fr%25C3%25B3es+01+de+02+de+dezembro+de+2010.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="320" ox="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TPkQgzmxxlI/AAAAAAAADiw/grterXyr22A/s320/luciana+fr%25C3%25B3es+01+de+02+de+dezembro+de+2010.jpg" width="257" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TPkQiZMKQAI/AAAAAAAADi0/LgxEGGzQUn4/s1600/luciana+fr%25C3%25B3es+02+de+02+de+dezembro+de+2010.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="320" ox="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TPkQiZMKQAI/AAAAAAAADi0/LgxEGGzQUn4/s320/luciana+fr%25C3%25B3es+02+de+02+de+dezembro+de+2010.jpg" width="269" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-1125732977175318996?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/1125732977175318996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=1125732977175318996&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/1125732977175318996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/1125732977175318996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2010/12/mais-sobre-luciana-froes.html' title='MAIS SOBRE LUCIANA FRÓES'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TPkQgzmxxlI/AAAAAAAADiw/grterXyr22A/s72-c/luciana+fr%25C3%25B3es+01+de+02+de+dezembro+de+2010.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-4035103278342251915</id><published>2010-12-02T19:00:00.000-02:00</published><updated>2010-12-02T19:19:08.739-02:00</updated><title type='text'>E SEGUEM DESTRUINDO O FUTEBOL...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estava eu hoje, ao volante, em direção ao trabalho. Passava um pouco das 09h quando - rádio ligado na &lt;strong&gt;CBN&lt;/strong&gt; - um sujeito cujo nome não pesquei (se alguém souber, por favor, ajude nos comentários),&amp;nbsp;passou a tecer comentários - em um tom "hor-ro-ri-za-do" que já me deixou cabreiro - sobre a venda de ingressos para o jogo de domingo, do &lt;strong&gt;Fluminense&lt;/strong&gt;. À certa altura, disse em tom de faniquito:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;"O torcedor precisa ser tratado como um cliente pelos clubes!"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu quase bati com o carro de tão furioso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para delírio da &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Lucia Hippolito&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que comandava o&amp;nbsp;horário, o basbaque começou a ter um chilique em pleno ar:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;"Cadê o Estatuto do Torcedor, Lucia?"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma outra locutora (ou repórter, sei lá), à moda das estagiárias das redações dos jornais&amp;nbsp;de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Nelson Rodrigues&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, emendou, animadíssima:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;"Com tanta facilidade hoje, né, Lucia?, podendo haver venda de ingressos pela internet, como pode ainda acontecer tanto tumulto...?"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eles todos&amp;nbsp;gemiam "ohs" e "ahs", deslumbrados em cadeia com as próprias sentenças.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos ao que tenho a lhes dizer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em meados do ano passado lancei, digamos, uma série chamada &lt;strong&gt;MULHERES NO ESTÁDIO DE FUTEBOL&lt;/strong&gt;. Recebi maciço apoio de quem leu e entendeu e fui criticado por quem&amp;nbsp;leu&amp;nbsp;e não entendeu (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2009/11/mulheres-no-estadio-de-futebol.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2009/11/mulheres-no-estadio-de-futebol_06.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2009/12/mulheres-no-estadio-de-futebol.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2009/12/mulheres-no-estadio-de-futebol_04.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;), e volto a explicar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não tenho nada contra mulher em estádio de futebol. Tenho tudo contra gente fresca em estádio de futebol, e vali-me de "mulheres" para dar corpo ao que quis, naquele momento, dizer a vocês. Não tenho nada contra - serei, talvez pela primeira vez, politicamente correto para ser bem compreendido - um homossexual no estádio de futebol. Tenho tudo contra bichas escandalosas em estádio de futebol. Ficou claro que estou a tratar de um estado de espírito? Vou em frente, então.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fui levado ao Maracanã pela primeira vez - e quantas vezes já lhes disso isso aqui... - pelas mãos de meu pai, no colo pra ser mais preciso. Tinha eu poucos meses de vida quando o velho &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Isaac&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;,cheio de justificável orgulho, foi levar seu primogênito para respirar, pela vez primeira, o ar quente que subia das arquibancadas de concreto numa manhã ensolarada. De lá pra cá, de 1969 pra cá, perdi a conta de quantos jogos assisti. Mais que jogos, de quantos dramas assisti (&lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2010/08/memorabilia-do-maracana-parte-i.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, conto um pouco disso), de quantas derrotas eu sofri, de quantas vitórias eu comomerei, de quantos empates me frustraram.&amp;nbsp;Perdi a conta de quantas filas enfrentei. De quantas porradas, todas involuntárias, levei, de quantas porradas dei em busca de um lugar pra sentar, de um ingresso pra comprar, não tendo sido raro entrar no&amp;nbsp;maior do mundo sem ingresso, pulando muro, furando esquema de segurança - tudo em nome da paixão pelo &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Flamengo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e pelo futebol.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vem daí - desse currículo, dessa história, desse hábito - minha revolta contra esse processo babaca de higienização do futebol brasileiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TPf2g9nbcpI/AAAAAAAADis/JgZsnvv06d4/s1600/papai+e+eu+no+maracan%25C3%25A3+1969.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="240" ox="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TPf2g9nbcpI/AAAAAAAADis/JgZsnvv06d4/s320/papai+e+eu+no+maracan%25C3%25A3+1969.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem é a moça, e que autoridade tem para fazê-lo,&amp;nbsp;que como uma espécie de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Luciana Fróes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; do futebol (entenda isso, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://butecodoedu.blogspot.com/2010/12/o-anti-brasil-no-jornal-o-globo.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;) clama, pelo rádio,&amp;nbsp;pela venda de ingressos pela &lt;em&gt;internet&lt;/em&gt;? Quem é o sujeito que, cheio de tom-de-autoridade, determina que torcedor de futebol tem de ser tratado como cliente pelo clube que ama? Será que&amp;nbsp;não já está de bom tamanho a quantidade de transformações feitas nos campos brasileiros (e nos clubes, e nos regulamentos etc), capazes de tão aguda deformação do futebol em estado bruto que nos deu (e ainda nos dá) tanta identidade?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por que é que eu tenho que achar normal o vice-governador do estado do Rio de Janeiro dizer que as cadeiras do Maracanã reformado&amp;nbsp;(adeus, arquibancadas...) serão azuis para que seja seguido o modelo europeu? Por que é que eu tenho que achar normal a nova norma que identifica um estádio como arena? Por que é que tudo - botequins, por exemplo... - tem de ser adequado ao gosto escroto e plástico da elite-de-merda que insiste em invadir um espaço que é do jeito que é há milênios?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu quero enfrentar fila debaixo de sol quente pra comprar ingresso porque isso faz parte do ritual de imolação sagrado que o torcedor apaixonado cumpre com uma alegria que essa escória jamais vai compreender. Eu quero empurrar e ser empurrado pra entrar no estádio através de roletas de ferro, como as dos trens, porque ali&amp;nbsp;prossegue o rito de exorcismo dos anjos e&amp;nbsp;demônios que moram na alma do torcedor fanático. Eu quero encher a cara de cerveja&amp;nbsp;nos bares dos anéis das arquibancadas a fim de aplacar a sede no mais amplo sentido da palavra sede. Eu quero sentar na arquibancada&amp;nbsp;depois de ganhar um lugar no grito, na arquibancada de concreto, quente, ou mesmo ficar de pé ao lado dos irmãos-de-crença que vão gritar, vão xingar, vão chorar e vão vibrar durante os noventa minutos de&amp;nbsp;bola rolando.&amp;nbsp;Eu quero gritar "piranha" quando uma gostosa desembarcar na arquibancada. Eu quero mandar o juiz&amp;nbsp;tomar no cu, chamá-lo de filhodaputa, roubando ou não roubando, que isso é um direito sagrado de todo torcedor, legitimado por anos e anos de batalhas heróicas que antecedem a assepsia do Estatuto do Torcedor a que o basbaque se referiu hoje cedo, pelo rádio. Eu quero meu rádio de pilha no ouvido. Eu quero, porra. E se eu quero, eu posso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ceder passivamente a modismos, modernidades e outros bichos nunca foi - e jamais será - do meu feitio. É pau na canalha, sempre.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9999275-4035103278342251915?l=butecodoedu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://butecodoedu.blogspot.com/feeds/4035103278342251915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9999275&amp;postID=4035103278342251915&amp;isPopup=true' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/4035103278342251915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9999275/posts/default/4035103278342251915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://butecodoedu.blogspot.com/2010/12/e-seguem-destruindo-o-futebol.html' title='E SEGUEM DESTRUINDO O FUTEBOL...'/><author><name>Eduardo Goldenberg</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/SPtEcqeHcCI/AAAAAAAABWE/32QkogFl-rw/S220/PARAOBUTECO.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_bdADyJ45WCE/TPf2g9nbcpI/AAAAAAAADis/JgZsnvv06d4/s72-c/papai+e+eu+no+maracan%25C3%25A3+1969.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9999275.post-7598041368405761355</id><published>2010-12-01T13:45:00.008-02:00</published><updated>2010-12-01T15:01:27.575-02:00</updated><title type='text'>O ANTI-BRASIL, NO JORNAL O GLOBO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis-me de volta a uma de minhas atividades extraprofissionais preferidas, a defesa do Brasil, da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, dos hábitos simples dessa gente simples que vive numa cidade que nada tem a ver com a cidade retratada pelo jornal &lt;strong&gt;O GLOBO&lt;/strong&gt;, a luta contra o que chamo de afrescalhamento agudo capaz de destruir a imagem da cidade e do país. Antes de mais nada, e para que eu possa desfiar meu novelo que dará&amp;nbsp;coerência a tudo o que&amp;nbsp;digo, desde 2004 neste humílimo &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt;, assistamos todos -&amp;nbsp;com um saco de vômito nas mãos - ao vídeo abaixo, feito e publicado por uma senhora que atende pelo nome de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Luciana Fróes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;"uma gastromaníaca"&lt;/em&gt; - a definição é dela e a gargalhada que vocês ouvem é minha. A dita senhora ainda escreve, às sextas-feiras, na revista &lt;strong&gt;RIOSHOW &lt;/strong&gt;que vem encartada no jornalão, críticas a restaurantes espalhados pela cidade. Não vou me ater a isso - às tais críticas - hoje, mas gostaria de lhes dizer uma meia-dúzia de palavras sobre o papel que esta senhora cumpre na imprensa meia-boca do jornalão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atenção ao vídeo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/_gVwhSk8LY4?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/_gVwhSk8LY4?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que tal, meus poucos mas fiéis leitores? Que tal o deslumbre de &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Luciana Fróes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; ao nos apresentar a &lt;em&gt;"chámmelier"&lt;/em&gt; do restaurante&amp;nbsp;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;LAGUIOLE&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;?&amp;nbsp;Palavrinha inventada pela criativa gastromaníaca - seguramente por conta de &lt;em&gt;"sommelier"&lt;/em&gt;, dos vinhos &lt;em&gt;- "chammelier"&lt;/em&gt;, pelo que pude apurar, é o sujeito que trata dos camelos durante a travessia do deserto, quando feita no lombo de um deles. Mas isso também não interessa, posto que&amp;nbsp;o que dá prazer&amp;nbsp;a essa gente da imprensa da Irineu Marinho&amp;nbsp;é inventar moda, incutir hábitos supostamente refinados nos leitores, destruir, pisotear como uma espanhola louca sapateando os tacos&amp;nbsp;dos palcos, cuspir na cidade e nos seus hábitos, na sua rotina, na sua gente. O tal filminho, não satisfeito em trazer pra cena mais uma "especialidade" - a dos tais&amp;nbsp;&lt;em&gt;"chámmeliers"&lt;/em&gt; - ensina que chá precisa de tempo certo para a infusão... e para isso - oh! - nada melhor do que uma ampulheta (&lt;em&gt;"essa ampulhetazinha é o máximo"&lt;/em&gt;, diz &lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Luciana Fróes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;)&amp;nbsp;"especializada" em chás, específica para o preparo dos chás, e daí vemos o proprietário do restaurante (&lt;em&gt;"a ampulheta é o máximo, né?"&lt;/em&gt;)&amp;nbsp;deslumbrando a jornalista (pausa para uma golfada) com sua coleção de ampulhetas adquiridas&amp;nbsp;ao redor do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pro cacete, pô!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align
